A gramática no Enem

A gramática não foi abolida do Enem, mas houve uma alteração considerável na maneira de abordar as questões linguísticas. Saiba mais


Já faz algum tempo que os vestibulares analisam a Língua Portuguesa como instrumento de discurso entre os seus falantes, abordando questões de variações linguísticas e as diferenças entre a norma popular e a norma culta da língua.

A gramática não foi abolida do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), mas, com a chegada do mesmo, houve uma alteração considerável na maneira de abordar as questões linguísticas.

Como a gramática é exigida no Enem?

Foi-se o tempo em que o candidato deveria saber todas as regras e exceções da gramática normativa da Língua Portuguesa. Antes do Enem, as questões sobre regras gramaticais nos vestibulares surgiam de maneira descontextualizada, cobrando-se o conhecimento da norma culta da língua.

Atualmente, nas provas do Enem, a gramática aparece inserida em textos de diferentes gêneros, sendo aplicadas à interpretação de texto. O candidato deve esperar por perguntas elaboradas que cobraram a aplicabilidade das normas gramaticais, sabendo compreendê-las, e não apenas decorá-las.

No Enem, a gramática está diluída nas questões de interpretação de textos verbais ou não verbais, mas isto não significa que o candidato não precise estudar as regras da língua, pois a norma culta é indispensável na escrita de uma boa redação.

Entre os tópicos gramaticais mais frequentemente cobrados no Enem estão as figuras de linguagem, pronomes, verbos, colocação pronominal, vocativo, aposto, artigo, conjunção e questões relacionadas com o Novo Acordo Ortográfico.

A gramática no Enem

Foto: Agência Brasil

Exemplo de questão de gramática na prova

Confira a seguir a questão 111, retirada da prova do Enem do ano de 2013:

Labaredas nas trevas
Fragmentos do diário secreto de
Teodor Konrad Nalecz Korzeniowski

20 DE JULHO [1912]
Peter Sumerville pede-me que escreva um artigo sobre Crane. Envio-lhe uma carta: “Acredite-me, prezado senhor, nenhum jornal ou revista se interessaria por qualquer coisa que eu, ou outra pessoa, escrevesse sobre Stephen Crane. Ririam da sugestão. […] Dificilmente encontro alguém, agora, que saiba quem é Stephen Crane ou lembre-se de algo dele. Para os jovens escritores que estão surgindo ele simplesmente não existe.”

20 DE DEZEMBRO [1919]
Muito peixe foi embrulhado pelas folhas de jornal. Sou reconhecido como o maior escritor vivo da língua inglesa. Já se passaram dezenove anos desde que Crane morreu, mas eu não o esqueço. E parece que outros também não. The London Mercury resolveu celebrar os vinte e cinco anos de publicação de um livro que, segundo eles, foi “um fenômeno hoje esquecido” e me pediram um artigo.

FONSECA, R. Romance negro e outras histórias. São Paulo: Companhia das Letras, 1992 (fragmento).

Na construção de textos literários, os autores recorrem com frequência a expressões metafóricas. Ao empregar o enunciado metafórico “Muito peixe foi embrulhado pelas folhas de jornal”, pretendeu-se estabelecer, entre os dois fragmentos do texto em questão, uma relação semântica de

a) causalidade, segundo a qual se relacionam as partes de um texto, em que uma contém a causa e a outra, a consequência.

b) temporalidade, segundo a qual se articulam as partes de um texto, situando no tempo o que é relatado nas partes em questão.
c) condicionalidade, segundo a qual se combinam duas partes de um texto, em que uma resulta ou depende de circunstâncias apresentadas na outra.
d) adversidade, segundo a qual se articulam duas partes de um texto em que uma apresenta uma orientação argumentativa distinta e oposta à outra.
e) finalidade, segundo a qual se articulam duas partes de um texto em que uma apresenta o meio, por exemplo, para uma ação e a outra, o desfecho da mesma.

Resolução da questão: letra “B”.

 

*Débora Silva é graduada em Letras (Licenciatura em Língua Portuguesa e suas Literaturas). 


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