A Guerra dos Cem Anos – Resumo

Por Camila Albuquerque

Guerra dos Cem Anos

Joana D’Arc em Pintura. | Imagem: Reprodução

Motivos

Em meados do século XIV (mais especificamente, no ano de 1337), durante a Idade Média e a crise em que o feudalismo se encontrava, a França e a Inglaterra iniciaram uma série de conflitos armados, que posteriormente ficaram conhecidos como “A Guerra dos Cem Anos”. O trono Francês, carente de um herdeiro direto, desencadeou isso tudo. O rei britânico Eduardo III queria unificar as coroas inglesa e francesa, alegando seu parentesco (era neto, pois a rainha Isabel era sua mãe) com o monarca francês Felipe, O Belo (1285 – 1314). A resposta francesa foi de que a coroa não poderia ser herdada pela linhagem feminina. Algumas questões territoriais também influenciaram o começo desses conflitos: ambos queriam Flandres, uma região economicamente importante que possuía uma aliança comercial com a Inglaterra, o que incomodava os franceses, pois aquele território pertencia à França.

Os conflitos da Guerra dos Cem Anos

  • O Primeiro Período (1337 – 1364): Nesse primeiro período, a Inglaterra contava com o apoio dos comerciantes de Flandres, por terem laços comerciais fortes. Com esse apoio, os ingleses venceram as primeiras batalhas e até conseguiram de alguns territórios no Norte da França, mantendo o Canal da Mancha sob seu controle. Até aí, poderia ser apostada uma vitória inglesa, contudo, a Peste Negra – que dizimou cerca de 1/3 da população europeia – pausou os conflitos, que só vieram a ser retomados no ano 1356, quando a Inglaterra conquistou mais regiões e o apoio de alguns nobres franceses. Em 1360, a França se viu obrigada a assinar o tratado de Brétigny, que oficializava o domínio dos ingleses sobre parte da França.
  • Segundo Período (1364 – 1380): Carlos V, após subir ao trono (seu pai, João II, morreu sob as mãos dos ingleses), recusou-se a respeitar o tratado assinado em 1360. A França atacou a Inglaterra, pela primeira vez com mais vantagem, e conseguiu retomar boa parte do seu território que estava em mãos dos ingleses. Enquanto o 1º período teve a Inglaterra como destaque positivo, o 2º teve a França. Os conflitos só esfriaram quando Carlos V faleceu, em 1380, o que desanimou os franceses.
  • Terceiro Período (1380 – 1422): O sucessor de Carlos V subiu ao trono como Carlos VI, O Insano, porém era mentalmente incapacitado, o que desencadeou uma disputa entre os candidatos ao trono francês entre dois partidos (Borguinhões e Armagnacs). A guerra civil e a evidente loucura do rei acabaram permitindo que os ingleses conseguissem vantagem. A Inglaterra conseguiu todo o Norte da França, incluindo Paris, e Henrique V casou-se com Catarina, filha de Carlos VI, conquistando o direito de herdar o trono francês (o filho de Carlos VI foi deserdado do trono, forçado pelos ingleses).  A França acabou dividindo-se: os territórios do Norte ficaram sob o poder do rei inglês, apoiado pelos borguinhões e os poucos territórios do Sul eram governados pelo rei francês Carlos VII, apoiado pelos armagnacs.
  • Quarto Período (1422 – 1453): É só no último período que surge um verdadeiro sentimento nacional entre os franceses , junto com a camponesa visionária chamada de Joana D’Arc. Aos poucos, a Inglaterra foi perdendo o controle sob alguns territórios para os franceses, liderados por Joana. A principal vitória liderada por essa mulher foi a do cerco de Orleans. Após o seu impulso, que mudou todo o caminho da guerra – que agora estava com a França à frente –, Joana D’Arc foi capturada pelos borguinhões e entregue aos ingleses, que a julgaram e queimaram na fogueira, em 1431. Os Franceses continuaram a luta até a sua vitória, recuperando os territórios que estavam sob as mãos dos Ingleses.

A Guerra dos Cem Anos (que na verdade teve a duração de 116 anos, com pausas entre os conflitos) marcou o fim da Idade Média e o anúncio da Época Moderna e teve consequências negativas e positivas. Os milhares de mortos de ambos os lados e a devastação dos territórios e da produção agrícola dos franceses foram as negativas. A França caminhou para o absolutismo, enquanto o feudalismo ia para o seu fim definitivo. Apesar do encerramento desse longo conflito, a rivalidade anglo-francesa ainda perdurou por muito tempo.