Ambiguidade

Chamamos de ambiguidade a má interpretação de um texto que, por não estar claramente escrito, permite outras formas de entendimento. Escrever bons textos, de…


Chamamos de ambiguidade a má interpretação de um texto que, por não estar claramente escrito, permite outras formas de entendimento. Escrever bons textos, de fácil compreensão, exige habilidades com a linguagem escrita e, para isso, inicialmente, precisamos definir qual é a finalidade da comunicação, ou seja, qual é a intenção da mensagem.

Também chamada de anfibologia, a ambiguidade é quando há duplicidade de sentidos em alguns termos, expressões ou sentenças inteiras. É uma técnica aceitável dentro da linguagem poética ou literária, mas deve ser evitada em textos de caráter informativo, técnico ou pragmático.

Como acontece?

De origem latina, a palavra vem de ambiguitas, que carrega um significado semelhante ao do português: incerteza, equívoco. A ambiguidade entra no grupo dos vícios de linguagem, que são palavras ou ainda construções que vão de encontro às normas gramaticais. Isso, normalmente, acontece por descuido, ou até mesmo por falta de conhecimento das regras por parte do emissor da mensagem.

Ambiguidade

Foto: depositphotos

Consequências e tipos de ambiguidade

A má colocação de elementos, expressões ou sentenças pode comprometer a clareza do texto. Constantemente observamos o uso da linguagem plurissignificante com trocadilhos e jogos de palavra que procuram chamar a atenção do interlocutor para a mensagem transmitida. Isso, no entanto, somente deve ser feito por quem se julga apto para usar corretamente a ambiguidade, pois, caso contrário, pode acabar dando uma ideia completamente distinta que pode, inclusive, prejudicar a marca anunciante, por exemplo.

Entre os usos mais comuns de ambiguidade, encontramos os vícios de linguagem a seguir:

Uso indevido de pronomes possessivos

“O pai pediu ao filho que arrumasse o seu quarto”. Nesta frase não sabemos definir de quem era o quarto. Do pai ou do filho? Para corrigir, poderíamos fazer a seguinte alteração: “O pai pediu ao filho que arrumasse o próprio quarto”.

Caso ainda não tenha ficado claro, confira mais um exemplo: “Vi Carlos andando com seu carro”. Neste caso também não identificamos se o carro pertence ao Carlos, ou à pessoa a quem a mensagem foi dirigida. Corrigindo, a mensagem ficaria da seguinte maneira: “Vi Carlos andando com o carro dele”.

Colocação inadequada das palavras

“A criança feliz foi ao parque”. Com essa frase, não sabemos dizer se a criança estava feliz por ir ao parque, ou se já estava assim antes. Para retirar a ambiguidade, alteramos para “Feliz, a criança foi ao parque”, restringindo as interpretações.

Uso de forma indistinta entre o pronome relativo e a conjugação integrante

“A estudante falou com o garoto que estudava Ciências Sociais”. Ficou difícil dizer qual dos dois estudava Ciências Sociais, por isso, as seguintes alterações poderiam ser feitas para cada um dos casos: “A estudante de Ciências Sociais falou com o garoto” e “A estudante falou com o garoto do curso de Ciências Sociais”.

Uso indevido de formas nominais

“O garoto reconheceu o vizinho frequentando o curso de espanhol”. Na frase, não sabemos identificar se o garoto reconheceu seu vizinho no curso de espanhol, ou reconheceu o vizinho que frequentava o curso de espanhol. Por isso, as seguintes alterações podem ser feitas para retirar a ambiguidade em cada um dos casos: “O garoto reconheceu o vizinho que estava frequentando o curso de espanhol”, ou ainda “O garoto, no curso de espanhol, reconheceu o vizinho.”

 

*Débora Silva é graduada em Letras (Licenciatura em Língua Portuguesa e suas Literaturas).


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