Aparelho reprodutor feminino e masculino

Anatomia: o sistema reprodutor ou aparelho reprodutor feminino e masculino. Entenda sua estrutura e como funciona este sistema


O sistema (ou aparelho) reprodutor humano é o que identifica o sexo biológico do indivíduo, porém existem muitos outros fatores importantíssimos que estão relacionados à sexualidade humana, mas deixaremos este assunto para um próximo post. Hoje, falaremos especificamente sobre os aparelhos reprodutores e a reprodução humana.

Existem dois tipos de sistema reprodutor humano: o feminino e o masculino. O primeiro é comumente composto por dois ovários (ou gônodas), dois ovidutos (também chamados de trompas de Falópio, ou trompas uterinas), útero, vagina, e… Duas glândulas mamárias, isso mesmo! Embora não seja um consenso, alguns autores consideram-nas como parte do sistema reprodutor, uma vez que elas sofrem uma série de alterações devido a ações hormonais desenvolvidas pelas gônodas femininas e mesmo após a reprodução e o nascimento do feto, o mesmo ainda depende destas glândulas para seu desenvolvimento. Já o masculino, é normalmente composto por dois testículos, dois ductos genitais, glândulas acessórias e pênis. Abaixo cada órgão será descrito detalhadamente.

Os humanos são um dos poucos grupos de animais que possuem significativa longevidade mesmo após encerrar sua fase reprodutiva (menopausa, nas mulheres ou andropausa, nos homens). Há algumas décadas, a reprodução humana ocorria ou não ocorria… Simples assim! Se o casal fosse fértil, após o ato sexual havia sucesso reprodutivo, caso contrário, a prole não era gerada. No entanto, com o passar do tempo e com o frequente surgimento de inovações tecnológicas relacionadas à reprodução humana, atualmente é possível escolher dentre técnicas de reprodução medicamente assistida, maneiras de aperfeiçoar a geração de um ser. 

Sistema Reprodutor Feminino

Aparelho reprodutor feminino e masculino

Foto: depositphotos

É função do sistema reprodutor feminino receber gametas masculinos, oferecer ambiente favorável para a fecundação, a formação de um zigoto, e o desenvolvimento de um embrião e feto. Já as mamas são essenciais para o desenvolvimento do feto, mesmo que de forma extracorpórea, já que a alimentação com leite materno em humanos ocorre depois que o feto sai da placenta.

Vamos começar pelos ovários, eles são estruturas que servem como abrigo, nas quais os folículos ovarianos irão se desenvolver. Os folículos, conforme o passar do tempo, sofrem mudanças, e consequentemente seus nomes mudam. A partir da menarca (primeira menstruação) o indivíduo inicia a menacme (fase reprodutiva), na qual a cada ciclo menstrual (naturalmente uma vez por mês), aproximadamente mil folículos sofrem amadurecimento, porém geralmente apenas um ovócito (também chamado de oócito) é liberado e os demais degeneram. Esse processo é contínuo, até a menopausa.  Conforme as células foliculares se desenvolvem, ocorre acúmulo de líquido folicular, o qual é rico em proteínas e hormônios, na cavidade chamada antro folicular. Estes folículos podem ser divididos conforme seu nível de desenvolvimento em: folículos primordiais, primários (unilamelar), secundários (multilamelares ou em crescimento) e folículos maduros (também chamados de folículos de Graaf). Este último se rompe e libera o ovócito que quando (e se) fecundado passará a se chamar óvulo.

Após a ovulação (rompimento do folículo maduro e liberação do ovócito), uma glândula temporária é originada, chamada de corpo lúteo ou corpo amarelo, a qual libera estrógenos e progesterona, dois hormônios que estimulam a secreção de mucosa uterina. A progesterona também é importante para pausar o desenvolvimento dos folículos ovarianos e a ovulação, preparando o corpo feminino para uma possível gravidez. Quando esta não ocorre, o corpo lúteo (neste caso chamado de corpo lúteo menstrual ou espúrio) fica aproximadamente 12 dias no útero, degenera e some. Quando ocorre gravidez, o corpo lúteo (gravídico ou verdadeiro) é estimulado e mantido durante toda a gestação. O ovócito é circundado por algumas células foliculares que formam a corona radiata, quando ele é liberado do ovário, elas o acompanham e ficam lá mesmo quando o espermatozoide fertiliza-o nos ovidutos e também durante trajeto do então chamado óvulo, até o útero.

Os ovidutos possuem cerca de 10 cm cada, alta motilidade (recebem o ovócito liberado pelo ovário e o conduzem em direção ao útero), e um ambiente ideal para a fertilização. Uma das extremidades, em forma de funil (estrutura chamada de infundíbulo, a qual possui franjas chamadas de fímbrias) localiza-se próximo ao ovário e a outra (chamada de intramural) se abre no interior do útero. A parte intermediária do canal é composta pelo istmo e pela ampola; a parede dos ovidutos é composta por três camadas: mucosa, muscular e serosa.

O útero, em formato de pera, é basicamente dividido em três partes: corpo, fundo e colo do útero (ou cérvix). A parede do útero é composta por três camadas, o endométrio (interna), o miométrio (intermediária) e o perimétrio (externa). De forma geral, mensalmente a estrutura do endométrio sofre modificações devido à ação de hormônios relacionados ao ciclo menstrual, ele vai se destacando gradativamente. Este processo varia de acordo com o organismo de cada mulher, por isso o período menstrual não é o mesmo para todas, mas em média dura cerca de 3 dias. O sangue expelido durante a menstruação é venoso, o sangue arterial passa para os vasos venosos, os quais se rompem.

Ainda sobre o útero, a placenta é um órgão que se origina na cavidade uterina durante a gravidez, e é composta por material fetal e materno; tem como função primária permitir troca de sangue entre mãe e feto. Em condições normais isso ocorre sem que haja mistura de sangue fetal com sangue materno, já que existe uma membrana que serve como barreira que permite apenas que haja difusão do sangue de um ser para o outro. Ainda, é através dela que os nutrientes e o oxigênio presentes no sangue materno chegam até o feto e produtos excretados pelo feto são eliminados. A conexão entre feto e placenta se dá pelo cordão umbilical.

A vagina é um tubo, no qual uma das suas extremidades localiza-se na parte média do colo do útero e a outra se abre no pudendo feminino (também conhecido como vulva), o orifício chama-se óstio da vagina. Este orifício em uma mulher virgem é coberto parcialmente por uma membrana, o hímen. Além destas estruturas, a parte interna da vagina é composta por rugas vaginais e um par de glândulas vestibular maior (também conhecida como glândulas de Bartholin), responsáveis por produzir uma substância mucosa, a qual lubrifica a região vulvar. Externamente, a genitália feminina ainda é composta por clitóris, pequenos e grandes lábios.

Com a puberdade e consequentemente o aumento da produção hormonal, as mamas são desenvolvidas. Estas estruturas são basicamente compostas por um acúmulo de tecido gorduroso e fibroso, além de células capazes de produzir leite com ductos que culminam no mamilo. Como falado anteriormente, são essenciais para o desenvolvimento do recém nascido.

Sistema Reprodutor Masculino

Aparelho reprodutor feminino e masculino

Foto: depositphotos

Os testículos são acomodados em bolsas (ou sacos) escrotais (também chamados de escroto), são formados por vários túbulos enovelados (chamados de túbulos seminíferos) e revestidos por um tecido rico em fibras colágenas, chamado de albugínea. Na parede dos túbulos seminíferos são formados os espermatozoides originados a partir de células germinativas primárias. Nas mulheres existe a ovogênese, processo de produção do ovócito, nos homens este processo chama-se espermatogênese, no qual os espermatozoides são formados.

A temperatura é extremamente importante para o desenvolvimento destas células (aproximadamente 32ºC), por isso que na maioria dos mamíferos os testículos estão localizados fora da cavidade abdominal. Similar às mulheres, nos homens a partir do início da adolescência devido a ações hormonais, os espermatozoides passam por diferentes formas de desenvolvimento, as células germinativas primárias (espermatogônias), desenvolvem-se e passam para o estágio de espermatócitos primários, espermatócitos secundários, espermátides e por fim, espermatozoides.

Cada um deles é uma célula complexa, rica em material genético. Os espermatozoides depois de serem originados nos túbulos seminíferos, seguem o seguinte caminho até serem liberados: passam pelos canais eferentes, são drenados para o epidídimo, em seguida vão para o canal deferente, e por fim, caso sejam ejaculados, passarão pela porção da uretra que atravessa a próstata (uretra prostática). O epidídimo é um dos ductos genitais, composto por um único tubo, longo e enovelado, o qual é localizado entre os ductos eferentes, os quais são responsáveis por drenar a rede testicular, e os ductos deferentes, os quais desembocam na uretra prostática.

As vesículas seminais, glândulas bulbouretrais e próstata são o que chamamos de glândulas acessórias. O sêmen, rico em vitamina C, frutose e proteínas nutrientes essenciais para os espermatozoides, é produzido pelas vesículas seminais, as quais são extremamente dependentes de testosterona. As glândulas bulbouretrais situam-se atrás da uretra onde também desembocam; elas produzem uma substância mucosa. Já o líquido prostático é produzido e armazenado pela próstata, e liberado durante a ejaculação. As glândulas prostáticas podem ser divididas em três grupos: mucosas, submucosas e principais, e também são dependentes de testosterona.

O pênis é formado por basicamente três músculos e uma uretra.  Duas das três massas de tecido muscular, posicionadas dorsalmente são chamadas de corpos cavernosos do pênis, já a outra, localizada ventralmente, chama-se corpo cavernoso da uretra. A parte distal (mais distante do corpo) do pênis chama-se glande e a pele que reveste este órgão é conhecida como prepúcio.

*Flávia Virginio é doutoranda em ciências pela Universidade de São Paulo (USP)

Referências:

» CARLOS, Instituto de Física de São – USP. Sistema Reprodutor Humano, [2010]. Disponível em: http://biologia.ifsc.usp.br/bio2/apostila/apost-fisiol-parte7.pdf. Acesso em: 20 de abril de 2017.

» PAULO, Universidade Federal de São. Histologia, [2013]. Disponível em: http://www2.unifesp.br/dmorfo/histologia/ensino/ovario/histologia.htm. Acesso em: 20 de abril de 2017.

» NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

» ROSA, Maria Busana Clauzet. Departamento de Patologia, F.M.U.S.P. Menstruação: Mecanismo Local, [sem data]. Disponível em: http://www.revistas.usp.br/revistadc/article/download/57905/60961. Acesso em: 20 de abril de 2017.


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