As lutas e vitórias para chegar ao direito do voto feminino

Manifestos e os ideais iluministas foram essenciais para a formação de grupos femininos no século XIX e XX


A palavra democracia vem do grego demokratia, onde “demos” significa povo e “kratos” poder. Isso significa dizer que democracia se refere ao poder do povo, porém essa bela teoria nunca se fez verdade.

Desde instaurada a república como forma de governo, as mulheres não tinham o direito de escolher seus representantes e a partir dessa desigualdade surgiram vários movimentos pró direitos das mulheres, os quais reivindicavam, principalmente, o direito ao voto.

No século XVIII, surgiu, em meio a Revolução Francesa, um movimento chamado Iluminismo, o qual propunha as ideias de liberdade, igualdade e fraternidade.

As lutas e vitórias para o voto feminino

Foto: depositphotos

Inspiradas pelos pensadores iluministas, como Jean-Jacques Rousseau, que defendia um estado democrático e igualitário para todos, as mulheres formaram diversos grupos em todo o mundo para lutar por seus direitos de cidadã, que só começaram a ser alcançados no século XX.

O início das lutas feministas

Na época da Revolução Francesa, havia um documento que garantia a integridade social dos homens, a chamada Declaração dos direitos do homem e do cidadão.

Em contrapartida, a escritora Olympe de Gouges redigiu como complemento à Declaração dos direitos das mulheres e da cidadã. Isso se tornou suficiente para ela terminar na guilhotina.

A partir da coragem de Gouges, outras mulheres desempenharam um forte papel na história de luta pelos seus direitos. Esse foi o caso da escritora inglesa Mary Wollstonecraft, que em 1792 publicou o ensaio considerado percursor do movimento feminista, Uma defesa dos direitos da mulher.

Lamentavelmente, os membros do parlamento e até mesmo a própria rainha Vitória se colocaram contra as ideias de igualdade de gênero defendidas no projeto. Porém, o movimento trabalhista e alguns intelectuais liberais apoiaram a causa.

Esses dois manifestos e os ideais iluministas foram essenciais para a formação de grupos femininos preparados para transformar as suas sociedades.

O final do século XIX e todo o século XX ficam, portanto, marcados pelas vitórias das mulheres ao que se refere ao direito do voto.

Países que permitiram o voto feminino

Nova Zelândia foi o primeiro país que se rendeu às lutas femininas. Através do movimento criado por Kate Sheppard, em 1893, a nação autorizou que as mulheres pudessem participar das eleições e assim ajudassem a decidir o futuro do Estado.

As próximas transformações só ocorreriam em 1918, no Reino Unido, quando foi instalado a autorização que mulheres maiores de 30 anos tivessem direito ao sufrágio. Dois anos mais tarde, a idade foi reduzida para 21.

Entretanto, a lutas das britânicas não foi tão fácil. Com o início em 1903, elas formaram a Women’s Social and Political Union (União Social e Política das Mulheres), órgão que tinha como objetivo alcançar os direitos femininos na política e na sociedade.

Para tanto, as integrantes fizeram greve de fome e diversos protestos, foram fortemente reprimidas.

Durante a Primeira Guerra Mundial, o movimento foi extinto mas, ao mesmo tempo, o conflito gerou oportunidades para que as mulheres demonstrassem os seus valores e entrega à pátria, foi quando asseguraram seus direitos.

Além do Reino Unido, outro país que conseguiu a permissão do voto feminino foi a Alemanha, em 1919, também após a grande guerra.

Um ano antes (1918) o Canadá já tinha dado esse direito às mulheres e em 1920 os Estados Unidos. O equador, por sua vez, autorizou o sufrágio feminino em 1929, seguido da Espanha (1931) e do Brasil (1932).

Outros países que permitiram o voto das mulheres no século XX foram: Guatemala (1945); Argentina e Venezuela (1947); Chile e Costa Rica (1949); México (1953); Paraguai (1961); Suíça (1971).


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