Atlantismo

Saiba mais sobre o atlantismo, doutrina política que advoga uma intensa cooperação entre os Estados Unidos, Canadá e os países da Europa


Denomina-se atlantismo a doutrina política que advoga uma intensa cooperação entre os Estados Unidos, Canadá e os países da Europa, nos planos político, militar e econômico. Entende-se que tais relações devem ser encorajadas e desenvolvidas, devido à suposta comunhão de valores entre estes países desenvolvidos.

Origem do atlantismo

O atlantismo é derivado de uma visão política internacional fundada no Pacto Atlântico. Trata-se de uma proposta do pacto militar-estratégico da Organização do Tratado Atlântico Norte (Otan) da Europa Ocidental e América do Norte (Estados Unidos e Canadá), devendo o seu nome à Otan, fundada em 1949, que assegura em seu ato constitutivo uma aliança militar entre a América do Norte e a Europa Ocidental.

Na época de sua fundação, o objetivo principal da organização era defender a Europa Ocidental das ameaças comunistas do Bloco de Leste. Posteriormente, o significado do conceito foi expandido, constituindo uma doutrina política completa, defendida pelos partidários do liberalismo na Europa.

Atlantismo

Fontr: Reprodução/ intenet

Imprecisões da definição

A definição do atlantismo apresenta várias imprecisões quando é comparado às teses liberais e ao conceito americano de neoconservadorismo, os quais apresentam princípios correlativos.

Após o início do século XXI, principalmente nos países francófonos da Europa, o atlantismo é descrito como a defesa do liberalismo econômico, da democracia liberal e um suporte à política internacional denominada americanismo.

Em termos práticos, o conceito do atlantismo encontra-se totalmente ausente do vocabulário político norte-americano, seja anglófono ou francófono.

Atualmente, principalmente nos meios esquerdistas e da antiglobalização, este termo possui uma conotação fortemente negativa. Na França, o atlantismo como conceito político foi fortemente combatido pelo ex-presidente Charles de Gaulle.

Na Europa, alguns países como o Reino Unido, a Polônia ou os países bálticos aparentam ser mais favoráveis ao conceito do atlantismo, ao contrário de países como a França e Alemanha, que divergem – ora mais favoráveis, ora menos – em sua opinião, dependendo das maiorias parlamentares que estejam no poder. O mesmo quadro se apresenta na Itália e na Espanha, cuja política externa foi marcada pelo atlantismo durante os governos de Silvio Berlusconi e José María Aznar.

O atlantismo implícito nas diretrizes da Organização do Tratado Atlântico Norte (Otan) permitiu que o papel anti-soviético, defendido pelos Estados Unidos, desta instituição ficasse em predominância. Além disso, a ideia do atlantismo também apresenta certo anti-europeísmo, por colocar as políticas dos EUA como prioridade diante das decisões europeias. Isto ocorreu no ano de 2003, quando os governos da Espanha, Reino Unido, Polônia e Itália, deram apoio ao início da Guerra do Iraque, desencadeada principalmente pela iniciativa dos Estados Unidos, apesar da posição dos governos de países como a Alemanha e França.


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