Brasileiro encontrou fóssil de mamífero que viveu há 140 milhões de anos

Um dos destaques foi a estrutura das pegadas do animal que demostraram que estes mamíferos tinham um comportamento de salto


O Brasil, e mais especialmente a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), se tornou destaque na área da Paleontologia mundial através de uma pesquisa desenvolvida para compor o trabalho de mestrado de Pedro Victor Buck. O estudo feito no Laboratório de Paleoecologia e Paleoicnologia (LPP) da UFSCar revela e investiga um novo vestígio de mamífero no Brasil que viveu há, aproximadamente, 140 milhões de ano.

A novidade, de acordo com o site oficial da UFSCar, é que a pesquisa mostra um mamífero vertebrado com comportamentos diferenciados, uma vez que este caminha saltando. Esta descoberta só foi possível após a observação e interpretação das pegadas coletadas em rochas de uma pedreira localizada em Araraquara. Ao que tudo indica, este animal teria vivido na região de São Carlos e Araraquara durante o período Cretáceo brasileiro.

“Nossa intenção foi descrever essas pegadas, conhecer a dinâmica do movimento do animal, interpretar qual era a situação em que as pegadas foram formadas até chegarmos ao animal e motivo que o levava a fazer o movimento”, explica o pesquisador Pedro Buck em entrevista para a UFSCar.

Fóssil de mamífero é encontrado e data 140 milhões de anos

Foto: Divulgação

Como foi feito o estudo?

Produzido com o Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva (Debe) aliado ao Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Recursos Naturais (PPGERN) e recebendo o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a pesquisa, nada mais é, do que o resultado do trabalho de mestrado de Pedro Victor Buck.

O estudante conduziu o trabalho sob a orientação do professor Marcelo Adorna Fernandes, docente do Debe. Contudo, ainda contou com o apoio da pós-doutoranda Aline Ghilardi, da técnica do LPP Luciana Bueno dos Reis Fernandes e do mestrando Bernardo Peixoto.

Respostas da pesquisa

Um dos pontos mais importantes dos resultados desta pesquisa é com relação a estrutura das pegadas do animal, onde evidenciam que estes mamíferos já demonstravam um comportamento de salto. Assim, foi possível estabelecer um nome para a nova icnoespécie encontrada, a qual passou a ser chamada de Brasilichnium saltatorium. Buck explica que na icnologia, o nome científico é dado para a estrutura da pegada e não para o animal.

Segundo Buck, a área da icnologia não oferece nome científico para o animal em si, mas para a estrutura de sua pegada. “Com o resultado, podemos inferir que animais que estavam na linhagem evolutiva dos mamíferos já apresentavam comportamento de salto e, portanto, precisavam de uma estrutura óssea específica para saltar; e essas estruturas já estavam presentes no Cretáceo”, afirma o pesquisador.

Ainda segundo o pesquisador, esta descoberta só acrescenta aos estudos relacionados a diversidade da fauna brasileira, uma vez que este é um universo repleto de variáveis de comportamentos. A interpretação de Buck e de outros colaboradores do projeto sobre as pegadas do animal levam em consideração que esta seria uma característica evolutiva da espécie, que teria surgido como necessidade de sobrevivência. “A variação de movimentos demonstra que o animal poderia estar fugindo de predadores, caçando presas ou mesmo saltando para evitar o contato prolongado com as areias quentes do deserto”, exemplifica o autor do trabalho.

Além de contribuir com a diversidade da fauna do Brasil, o Brasilichnium saltatorium, do ponto de visa de Buck, é tido como prova da existência de um grupo avançado de mamíferos durante o Cretáceo brasileiro.

Contribuições desta descoberta

As pegadas nas rochas também ajudam a entender como era o clima da área há 140 milhões de anos. “A região de Araraquara certamente era mais úmida, pois temos até registros de pingos de chuva e minerais em rochas do local. Acreditamos que esse espaço deveria ser a borda do deserto, com vegetação e umidade que deixavam a região adequada para a sobrevivência das espécies”, relata Adorna. E para os pesquisadores, foi graças a umidade que houve a preservação das pegadas.

“Apenas essas pegadas fossilizadas encontradas no interior paulista trazem informações desses animais; a preservação e o estudo desse material é fundamental para que possamos entender o processo de evolução dos mamíferos nesse período geológico do Brasil”, afirma o orientador Marcelo. Já na visão de Buck, “esses registros nos permitem reconstruir a história evolutiva desse comportamento (salto), traçando desde o período Jurássico até o momento recente, evidenciando aspectos comportamentais, morfológicos e ecológicos desse grupo de animais.”


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