Concordância verbal

O termo concordância refere-se ao modo pelo qual as palavras sofrem flexões para se acomodarem a outras. A concordância verbal trata das modificações de…


O termo concordância refere-se ao modo pelo qual as palavras sofrem flexões para se acomodarem a outras. A concordância verbal trata das modificações de um determinado verbo que, como regra geral, deve concordar com o sujeito da oração em número e pessoa.

Podemos observar a concordância verbal na seguinte frase: As crianças foram ao parque. O verbo está na 3ª pessoa do plural, concordando com o sujeito (as crianças), também na 3ª pessoa do plural.

Além da regra geral, existem muitos casos especiais de concordância verbal. Neste artigo, veremos as principais situações que provocam dúvidas entre os usuários da língua.

Sujeito simples

O verbo deve concordar com o sujeito simples em número e pessoa.

Concordância verbal

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Exemplos:

“Tu não és inimiga dele, não?” (Camilo Castelo Branco)
-Acontecem tantas coisas inacreditáveis neste mundo!
-A quem pertence esta caneta?
-A criança ganhou uma bicicleta nova.

Sujeito composto

Sujeito composto e anteposto ao verbo geralmente leva este para o plural.

Exemplos:

-“A esposa e o amigo seguem sua marcha.” (José de Alencar)
-Larissa e Patrícia foram ao cinema.

Caso o sujeito seja composto e posposto ao verbo, este poderá concordar no plural ou com o substantivo mais próximo.

Exemplos:

-“Proibiu-se o ofício e lojas de ourives.” (Viriato Côrrea)
Ali estavam as revistas e os jornais.

Se o sujeito composto for de pessoas diversas, o verbo irá para o plural e na pessoa que tiver prevalência. De acordo com o gramático Cegalla, a 1ª pessoa prevalece sobre a 2ª e a 3ª; a 2ª prevalece sobre a 3ª).

Exemplos:

-“Foi o que fizemos Capitu e eu.” (Machado de Assis)
-Você e meu pai não me compreendem.
-“Tu e ele partireis juntos.” (Mário Barreto)

Casos especiais de concordância verbal

São muitos os casos especiais de concordância verbal. Confira alguns deles a seguir:

Coletivo

O verbo deve ficar no singular quando o sujeito é um coletivo no singular.

Exemplo: A multidão cantou a plenos pulmões.

Importante! Se o coletivo vier especificado, o verbo pode ficar no singular ou ir para o plural.

Exemplo: A multidão de manifestantes gritava palavras de ordem./ A multidão de manifestantes gritavam palavras de ordem.

Coletivos partitivos (metade, a maior parte, maioria etc.)

O verbo fica no singular ou vai para o plural.

Exemplo: A maioria dos estudantes participou da formatura./ A maioria dos estudantes participaram da formatura.

Pronome de tratamento

Quando o sujeito é um pronome de tratamento, o verbo deve sempre ficar na 3ª pessoa do singular ou do plural.

Exemplos:

-Vossa Excelência ouviu a voz do povo.
-Vossas Excelências ouviram a voz do povo.

Pronome relativo “que”

Neste caso, o verbo deve concordar com o antecedente do pronome.

Exemplo:

-Fomos nós que construímos a torre de cartas.
-Fui eu que construí a torre de cartas.

Sujeito composto ligado por ou

Se indicar exclusão ou sinonímia, o verbo fica no singular.

Exemplo: Rafaela ou Angélica será líder de classe.

Se a ideia indicar inclusão ou antonímia, o verbo fica no plural.

Exemplo: Só Deus ou Nossa Senhora podem lhe ajudar.

Expressões correlativas como “não só… mas também”, “tanto… quanto” etc. Tais expressões correlativas que relacionam sujeitos compostos permitem a concordância do verbo no singular ou no plural.

Exemplo: Tanto Joaquim quanto o amigo alcançaram/alcançou um bom desempenho nos exames.

 

*Débora Silva é graduada em Letras (Licenciatura em Língua Portuguesa e suas Literaturas).


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