Conjuração Baiana

Também denominada Revolta dos Alfaiates e, recentemente, também chamada de Revolta dos Búzios, a Conjuração Baiana foi um movimento popular de caráter emancipacionista, ocorrido…


Também denominada Revolta dos Alfaiates e, recentemente, também chamada de Revolta dos Búzios, a Conjuração Baiana foi um movimento popular de caráter emancipacionista, ocorrido em 1798 na Bahia. Este movimento exigia, a qualquer custo, a independência da dominação portuguesa e defendia mudanças sociais e políticas na sociedade da época.

Embora não tenha sido totalmente concretizada, este movimento é considerado uma importante revolta popular e os seus ideais impulsionaram o surgimento das primeiras campanhas abolicionistas do Brasil.

Conjuração Baiana

Foto: Reprodução

Os antecedentes do movimento

A Capitania da Bahia era governada por D. Fernando José de Portugal e Castro e a população da capital Salvador queixava-se contra o governo e a sua política que aumentava os preços de produtos essenciais e causava a falta de determinados alimentos, como, por exemplo, da carne. A insatisfação com o domínio português era bastante grande e o ideal de independência crescia em vários setores da sociedade baiana.

O exemplo da independência das Treze Colônias Inglesas e o ideal da Revolução Francesa (liberdade, igualdade e fraternidade) era difundido pelas classes mais humildes e também por uma parte da elite.

Os objetivos da Conjuração Baiana

Dentre os objetivos da Conjuração Baiana, podemos destacar os seguintes:

  • Defesa da emancipação política do Brasil, isto é, o fim do pacto colonial com Portugal e a proclamação da República;
  • Aumento do salário para os soldados;
  • A liberdade comercial no mercado interno e com exterior, defendendo a abertura dos portos;
  • O fim do preconceito;
  • Redução dos impostos;
  • A liberdade e a igualdade entre as pessoas, sendo favoráveis à abolição da escravatura e ao fim de privilégios sociais.

A revolta

Um dos principais líderes da Conjuração Baiana foi o médico, político e filósofo baiano Cipriano Barata. O médico organizou a população mais humilde, como pequenos camponeses e escravos, para espalhar mensagens e panfletos que buscavam incentivar mais pessoas a aderirem à revolução. Mulatos, escravos negros livres, artesãos, religiosos, soldados, comerciantes, setores populares e alfaiates uniram-se ao movimento de Barata.

Além de Cipriano Barata, destacaram-se também, na liderança e divulgação do movimento, o soldado Luís Gonzaga das Virgens e os alfaiates Manuel Faustino dos Santos Lira e João de Deus do Nascimento.

A revolta estava marcada, porém, no dia 12 de agosto de 1798, o movimento precipitou-se quando alguns de seus integrantes, ao distribuir panfletos e colá-los nas esquinas da cidade, alertaram as autoridades, que logo reagiram e interrogaram alguns envolvidos, que acabaram denunciando outros participantes da revolta e relatando o dia e a hora em que aconteceria.

As autoridades do governo baiano organizaram as forças militares para debelar a revolta antes que esta ocorresse. Vários participantes foram presos e torturados, outros foram expulsos do Brasil e quatro foram executados na Praça da Piedade em Salvador.


Reportar erro