Consumismo inspira projeto em escola pública no Centro-Oeste

O consumismo foi o ponto de partida para o desenvolvimento de trabalho na área de língua portuguesa em escola do município mato-grossense de Nova Olímpia


Publicado em 28 de agosto de 2015

 

O consumismo foi o ponto de partida para o desenvolvimento de trabalho na área de língua portuguesa em escola do município mato-grossense de Nova Olímpia. O projeto Os Múltiplos Sentidos de Consumismo nas Práticas de Leitura de Alunos do 8º Ano foi criado pela professora Kelsse Boffulin, da Escola Estadual Wilson de Almeida, a partir do tema, sugerido pelos próprios alunos.

“O tema é pertinente, dada a realidade das últimas décadas, em que o acesso à informação e as facilidades de compra alargaram o cinturão consumista em todo o mundo”, avalia Kelsse. Professora de língua portuguesa em turmas do ensino fundamental e médio regular, ela leciona na escola há oito anos.

Kelsse baseou o trabalho na teoria da análise de discurso, campo da linguística e da comunicação voltado para a análise da elaboração ideológica de um texto. “Isso nos permitiu construir com os alunos um conhecimento diferente sobre a leitura, compreendendo que esta é produzida no cruzamento de determinações histórico-ideológicas e na relação do sujeito leitor com o texto”, ressalta. “Dessa forma, o texto não deve ser tomado como uma unidade fechada de sentidos.”

Consumismo inspira projeto em escola pública no Centro-Oeste

Foto: Arquivo da EE Wilson de Almeida

De acordo com a professora, as atividades propostas possibilitaram um estudo sobre o funcionamento da linguagem, sobre o que o texto diz, como diz, e os objetivos que o levaram a dizer. “Notamos que o trabalho com a leitura nessa perspectiva abriu novos olhares para o texto”, afirma. “Os alunos tomaram posicionamento diferente em relação à temática explorada — o consumismo —, compreendendo que o discurso é produzido a fim de provocar no interlocutor efeitos de sentido determinados.”

Para Kelsse, os estudantes puderam compreender que o texto ou discurso é regido por condições de produção. Entenderam, por exemplo, que a mídia trabalha para induzir o sujeito a algo, seja comprar, consumir, doar. E que isso contribui com a expansão de uma ideia, uma ideologia, “que muitas vezes não é declarada, mas é percebida quando feitos os questionamentos à materialidade do discurso”.

Atividades

Com atividades variadas, que incluíam leitura, debates, conversa, quadro comparativo de textos diversos, como artigos, poemas, tirinhas, músicas e propagandas, o projeto foi desenvolvido em 2014, em um bimestre. Uma das atividades foi a confecção de um boneco de papel-machê, de modo a textualizar, na escultura, a relação sujeito versus consumismo. Isso, na visão de Kelsse, serviu para dar corporeidade ao poema Eu, Etiqueta, de Carlos Drummond de Andrade. Segundo ela, os estudantes foram protagonistas das atividades e participaram com entusiasmo ao manifestar opiniões, pontos de vista e posições em relação à temática.

Outra atividade que despertou o interesse dos estudantes foi a produção de um jornal impresso, o Notícias WA, destinado a divulgar fotos de atividades realizadas no decorrer do projeto, registradas tanto na sala de aula quanto em ocasiões extraclasse. Da edição constam comentários de alunos sobre o processo que experimentaram durante a realização do projeto. “Esses relatos foram coletados por meio de texto escrito, em atividade proposta à turma, na qual fizeram uma avaliação do trabalho que realizamos”, diz a professora. Os estudantes comentaram os textos, as tirinhas, os filmes, as propagandas, a música, a construção e a exposição na escola do boneco Eu-Etiqueta. Eles falaram ainda sobre como esse trabalho contribuiu para que considerassem a língua portuguesa sob perspectivas diferentes daquela a que estavam condicionados a fazer.

*Do Portal do MEC


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