Contra-iluminismo

O contra-iluminismo, como o nome sugere, foi um movimento conservador datado do período entre os séculos XIII e XX que objetivava a reversão das…


O contra-iluminismo, como o nome sugere, foi um movimento conservador datado do período entre os séculos XIII e XX que objetivava a reversão das mudanças políticas, sociais, religiosas e filosóficas que eram associadas ao iluminismo e à Revolução Francesa.

Também conhecida como conservadorismo de trono e altar, ou ainda conservadorismo latino, a filosofia contra iluminista também era associada aos termos “contrarrevolucionário” e “reacionário”. A ideia do nome veio de uma definição do filósofo Isaiah Berlin, intimamente associado a outros movimentos políticos e culturais que se opunham ao Iluminismo. Entre elas, as teorias políticas de Rousseau e o movimento romântico nas artes.

Contra-iluminismo

Foto: Reprodução

Ideais

Podemos considerar que a essência desse pensamento remonta, pelo menos em parte, à cultura europeia medieval e a ideia de cristandade. Existem ainda dois pilares dentro dessa ideologia: o trono, que representa o governo autoritário do monarca sobre uma sociedade hierarquicamente estruturada – ou seja, os súditos ficam impedidos de desfrutar de direitos civis que foram concebidos nas ideias iluministas, como a liberdade de imprensa, de expressão ou de reunião. E o altar, representa a Igreja – quase sempre a Católica – apresentando-a como uma instituição política e social que recebe apoio do Estado. O rei, além de defensor da igreja, era uma pessoa sagrada em si mesma, e a pregação e prática de outras formas de religião seriam proibidas.

Os simpatizantes do contra-iluminismo se opunham ao nacionalismo – que era um movimento liberal e progressista -.

Histórico

O surgimento do contra-iluminismo se deu na última parte do século XVIII e, apesar de entrar em declínio a partir do ano de 1870, suas ideias demoraram muito tempo para ser extinguidas da política. Considera-se que o último representante oficial e fiel da filosofia foi o General Franco, da Espanha, e teve fim somente em 1975, data relativamente recente.

Nos dias de hoje, podemos dizer que o contra-iluminismo deixou de existir, de certa forma, como uma força política viva. No entanto, sabe-se que é celebrada e considerada por alguns movimentos de extrema-direita, como por exemplo a Frente Nacional Francesa, além de alguns católicos ultra tradicionalistas.

Contra-iluminismo na literatura

O contra-iluminismo, como todas as tendências filosóficas, acabaram expressas nas artes. Ao contrário do Neoclassicismo, as tendências que levavam em conta o contra-iluminismo na literatura, não caracterizam uma escola literária, até por carecerem de homogeneidade. No entanto, as tendências literárias inscrevem a mudança de sensibilidade. Em Portugal, podemos citar como afirmação do contra-iluminismo, a Marquesa de Alorna, Filinto Elísio, Xavier de Matos, Tomás Antônio Gonzaga, José Anastácio da Cunha e, principalmente, Bocage.


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