Deslocamento da população indígena

Atualmente, a população indígena concentra-se em maior parte em uma determinada região do Brasil. Pode-se ver, observando o mapa da distribuição dessa população atualmente,…


Atualmente, a população indígena concentra-se em maior parte em uma determinada região do Brasil. Pode-se ver, observando o mapa da distribuição dessa população atualmente, que o movimento de expansão política e econômica afetou de forma intensa essa distribuição.

Alguns povos que habitavam a costa leste, por exemplo, falantes de Troco Tupi, foram dizimados, dominados, ou então refugiaram-se em terras interioranas para evitar contato com os homens brancos.

Como aconteceu?

Muitos foram os fatores que contribuíram para o deslocamento da população indígena. Entre eles a urbanização, desmatamento e até mesmo a criação de usinas hidrelétricas. Esse último é o caso da população Waimiri-Atroari que foi obrigada a migrar devido à inundação de seu território devido ao fechamento das comportas da Usina Hidrelétrica de Balbina.

Mais recente do que muitos imaginam, o deslocamento se deu em 1982 quando, após a construção ter sido iniciada em 1970, a Usina Balbina estava quase pronta, próxima à cachoeira Balbina no rio Uatumã.

Deslocamento da população indígena

Foto: Reprodução

Manipulações cartográficas aconteceram para que fosse possível alterar o curso superior do rio Uamatã para o sudoeste, quando foi rebatizado recebendo o nome de Pitinga e foi feito o desmembramento de uma área de cerca de 526.800 hectares da reserva da população indígena pertencente à tribo Waimiri-Atroari.

A área inundada fazia parte do território dessa tribo até o início dos anos 1970, mas mesmo após o desmembramento, aproximadamente 311 km² ainda estão no território demarcado para essa tribo.

Os afluentes dos rios usados na Usina ficaram inabitáveis devido à putrefação da floresta submersa. Instituições como a ELETRONORTE em conjunto com a FUNAI entraram, já tardiamente, com um processo de deslocamento dessas tribos para outras regiões.

Esses deslocamentos também aconteciam devido ao avanço das cidades e indústrias: quando precisava-se de territórios próximos às cidades, as terras eram usadas e os índios deslocados para outra região, não natural deles.

Consequências

Nos dias atuais, somente a tribo dos Fulniô, em Pernambuco, dos Maxakali, em Minas Gerais, e dos Xokleng, em Santa Catarina, mantêm as suas línguas originais – que não são Tupi, mas ligadas ao Tronco Macro-Jê. Os guarani também mantêm a sua língua, mas vivem em estados do Sul e Sudeste, migrando do Oeste em tempos mais recentes.

A maior consequência é a perda da cultura, sendo que as diversas sociedades, com exceção das citadas acima, perderam suas línguas e falam somente o português, como é o caso da maioria das tribos que vivem no Nordeste e no Sudeste do Brasil. Existem alguns casos em que mantêm algumas palavras apenas, usadas em rituais ou ainda expressões culturais.

Além disso, o deslocamento aconteceu por causa da urbanização e seu avanço e, por isso, a maioria que ainda mantêm suas línguas vive no Norte, Centro-Oeste e Sul do Brasil.

No Brasil, nos dias de hoje, pode-se encontrar aproximadamente 460 mil índios que estão distribuídos em 225 sociedades indígenas, considerando apenas os que vivem em aldeias, em contraste com a população antes da colonização que era, exclusivamente, indígena (segundo estudos, em torno de 5 milhões de habitantes).


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