A diferença entre antítese e paradoxo

Figuras de linguagem são recursos usados na língua portuguesa para realçar a mensagem a ser passada. A antítese, algumas vezes, é confundida com o…


Figuras de linguagem são recursos usados na língua portuguesa para realçar a mensagem a ser passada. A antítese, algumas vezes, é confundida com o paradoxo por ambas tratarem de elementos opostos. A principal diferença entre elas está na maneira como eles se relacionam.

Antítese e paradoxo

Foto: Reprodução

Antítese

Na antítese, são utilizadas duas teses contrárias, antônimas, como contradição de ideias. Veja o exemplo abaixo:

“Estou acordado e todos dormem, todos dormem, todos dormem”.

(Monte Castelo, Renato Russo)

O eu lírico está acordado enquanto os outros dormem. São duas ideias opostas, mas que não formam uma. Tratam-se de dois indivíduos diferentes, e duas condições diferentes: um está acordado, e o outro dormindo. A antítese, desta forma, consiste em confrontar ideias opostas e, a partir disso, construir um sentido para a frase.

Paradoxo

A contradição é a marca mais forte do paradoxo. Este, consiste em usar um mesmo referente com duas ideias opostas, empregando duas palavras que, mesmo opostas, se fundem em uma ideia. Por exemplo a frase “Estou dormindo acordado”, representa duas ideias opostas unidas em um único significado. Confira outro exemplo abaixo:

“Dor, tu és um prazer!” (Castro Alves)

A frase, de Castro Alves, mostra a dor, naturalmente ruim, associado a ideia de prazer, unindo ideias contraditórias, transformando-as em uma única.

A diferença

Para explicar melhor: na antítese, as ideias contrárias estão, de fato, em oposição. Já no paradoxo, duas ideias contraditórias unem-se para dar um significado transcendente aos limites da expressão verbal.

A frase já citada como exemplo, “estou dormindo acordado”, não se refere ao literal, mas à ideia de que se está muito sonolento, mesmo que acordado e, as duas ideias opostas de estar acordado e estar dormindo, referem-se a apenas uma pessoa.

Antíteses e paradoxos na literatura

Usadas para deixar a literatura mais interessante e envolvente, as figuras de linguagem são comuns e muito populares inclusive em poesias. Uma escola literária que usou muito este recurso da língua portuguesa, foi o Barroco, que demonstrava uma enorme conturbação de sentimentos, ideias e desejos.

O poema de Luís Vaz de Camões pode ser usado como um exemplo de literatura que faz uso das figuras de linguagem para passar uma ideia. No caso, as oposições referem-se ao amor, caracterizando o paradoxo. Confira o poema abaixo:

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?


Reportar erro