Enunciação e contexto na redação

Todo leitor, ao fazer a leitura de um texto, certamente deseja compreender, interpretar, qual a ideia central do mesmo. Entretanto, entender uma redação nem…


Todo leitor, ao fazer a leitura de um texto, certamente deseja compreender, interpretar, qual a ideia central do mesmo. Entretanto, entender uma redação nem sempre é uma das tarefas mais fáceis, sobretudo se a estrutura básica do texto tiver sido comprometida, elaborada com falhas.

Toda redação produzida de forma coerente deve possibilitar ao leitor a compreensão quanto ao período em que a mesma foi escrita, assim como a situação externa (contexto) a qual o texto está direto ou indiretamente ligado. Torna-se confuso, complexo, um texto o qual carece de sentido de enunciado, que esteja ausente das circunstâncias prováveis de suas ocorrências. Isto é, que tenha sido elaborado com uma ideia desprovida de contexto e situação. De tal modo que uma redação com essas características sustentará uma hipótese um tanto pobre, sem elementos de demonstração e com difícil poder de comprovação da sua ideia central.

Sentido denotativo x conotativo

A construção de sentido do enunciado leva em consideração os propósitos comunicativos. Ao elaborar um texto, aquele que o escreve pode expressar uma ou mais ideias por meio dos sentidos denotativo ou conotativo da linguagem. O primeiro nada mais é do que aquele se embasa pelo dicionário. É por meio do sentido denotativo que se ergue uma mensagem/texto com sentido real. Por outro lado, o segundo diz respeito a uma característica subjetiva, que permite, por parte do interlocutor, as mais variadas formas de interpretação.

Exemplificando o assunto

“Que maravilha, hein?!”

Sem estar colocado, de forma explícita, o contexto, detalhar o sentido da expressão acima se torna impossível. Seria possível que representasse algo muito bom que aconteceu de forma repentina, ou mesmo algo muito bom que já era previsto ocorrer, mas que acabou superando as expectativas. Bom, sentidos positivos para esta oração existem os mais diversos. Todavia, como o contexto do enunciado está omitido, conclui-se que há as mais variadas possibilidades de sentido para a expressão, inclusive sentidos negativos.

Enunciação e contexto na redação

Foto: Reprodução

Leia a seguir uma suposta situação e entenda melhor:

Um determinado médico trabalha diariamente a partir das 7h da manhã. Numa segunda-feira qualquer, ele tinha uma cirurgia marcada para realizar às 7h10 em um hospital que fica à uma hora da sua casa. Assim, o doutor se organizou e saiu para o trabalho às 5h30 da manhã. Entretanto, na metade do trajeto ele teve um atraso de 20 minutos em decorrência do trânsito lento. Já ao chegar a cerca de um quilômetro do hospital, o carro do médico simplesmente parou de funcionar devido uma falha mecânica. Daí que o doutor deixou o veículo parado e saiu correndo para o hospital. Resultado: ele chegou às 7h30 e foi avisado que o paciente que necessitava da cirurgia já havia sido transferido para outro hospital. Foi quando ele baixou a cabeça e, com uma expressão de tristeza resmungou ironicamente: “Que maravilha, hein?! A semana já está começando péssima para mim”.

Ou seja, no primeiro enunciado, a falta de contextualização compromete a compreensão do sentido da expressão “Que maravilha, hein?!”, possibilitando múltiplos sentidos. Todavia, já no segundo enunciado, em decorrência do contexto apresentado, o sentido da expressão representa, de forma irônica, a expressão “Que terrível, hein?!”. Eis por isso a importância de que todo enunciado traga consigo o seu contexto apresentado, seja num texto pequeno ou grande.


Reportar erro