Governo Café Filho

João Fernandes Campos Café Filho, conhecido como Café Filho, o vice-presidente de Getúlio Vargas. Saiba como foi o governo dele após o período varguista.


Com a morte do presidente Getúlio Vargas em 1954, João Fernandes Campos Café Filho, mais conhecido como Café Filho, vice do então chefe do executivo brasileiro, teve que assumir o governo às pressas.

À frente da presidência por um ano e dois meses, Café Filho teve que lidar com inúmeros conflitos econômicos oriundos do governo passado e ainda com a crescente disputa política estimulada pela morte de Vargas.

Potiguar de nascença, Café Filho nasceu em 3 de fevereiro de 1899, na capital do Rio Grande do Norte, Natal. E foi nesse município nordestino onde ele iniciou a vida pública, quando em 1923 concorreu sem sucesso ao cargo de vereador. Em 1928, de novo disputou uma vaga no legislativo municipal e acabou não alcançado o posto de vereador.

Governo Café Filho

Foto: Reprodução/ internet/ arquivo

Já em 1934, o político potiguar foi eleito deputado federal, justamente no período do governo constitucional de Getúlio Vargas, que havia sido iniciado em 1930. Em 1945, no primeiro pleito eleitoral depois da derrubada do Estado Novo, Café Filho novamente foi eleito para a Câmara Federal.

Saída de Vargas do governo

O ano de 1950 foi marcante para Café Filho, uma vez que a legenda política a qual integrava, o Partido Social Progressista (PSP), fez a indicação do seu nome como vice na chapa de Vargas.

Entre outras bandeiras, o retorno do programa de desenvolvimento nacional-estatista (1930) foi uma das principais defendidas por Getúlio em sua volta à presidência.

Entretanto, a forte marcação da oposição em torno do governo, até mesmo no campo militar, paralela às denúncias de corrupção envolvendo figuras que tinham relação com o presidente, fizeram com que Getúlio Vargas não suportasse a pressão e, em 24 de agosto de 1954, cometeu suicídio atirando no próprio peito.

Em 3 de setembro do mesmo ano, Café Filho foi empossado como presidente da República. Sua posse foi marcada por um clima de comoção nacional em decorrência da morte de Vargas.

Um tanto afastado da política varguista, o governo de Café Filho se estruturou com uma equipe formada por empresários, políticos e militares de oposição a Getúlio Vargas.

Juscelino e a disputa presidencial

O Partido Social Democrata (PSD), o qual Vargas havia fundado em 1945, lançou durante a eleição presidencial de 1955 o nome de Juscelino Kubitscheck para concorrer ao cargo.

Já para o cargo de vice, que à época era disputado separadamente, a chapa foi composta pelo ex-ministro do Trabalho do governo varguista João Goulart (Jango), este que era membro da legenda política a qual Vargas havia sido eleito em 1950, o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).

Movimentos radicais da União Democrática Nacional (UDN), que temiam que a vitória de Juscelino e Jango representasse a volta da era Vargas, começaram a articular a impugnação da candidatura de ambos. Liderados pelo jornalista Carlos Lacerda, esses movimentos radicalistas pressionaram de todas as formas contra a chapa.

Divulgados os resultados oficiais do pleito presidencial, que colocavam na presidência a chapa PSD-PTB, a UDN passou a pressionar ainda mais para que Café Filho barrasse a posse dos candidatos vitoriosos.

Descontentamento em relação ao resultado do pleito eleitoral também entre os militares. Enquanto o ministro da Guerra do governo Café Filho, o marechal Henrique Lott, era favorável a posse de Juscelino e Jango, um coronel se opôs a vitória da dupla.

Carlos Luz assume o poder

O marechal Lott até quis dar punição ao coronel, mas tal medida necessitava de autorização do presidente, ou seja, Café Filho, este que em decorrência das diversas pressões chegou a ser internado em uma unidade hospitalar no Rio de Janeiro (RJ).

Dias depois, em 8 de novembro de 1955, Café Filho foi afastado do cargo de presidente devido seu estado de saúde. Foi então quando o presidente da Câmara dos Deputados, Carlos Luz, se tornou presidente da República em exercício.

De tal modo que, ao assumir a presidência, Luz, que tinha aproximação com a UDN, negou o pedido do marechal Lott de punição para o coronel que se opôs contra o resultado da eleição. Esse imbróglio resultou na saída de Lott do cargo de ministro da Guerra.

Não aceitando a decisão, Lott mobilizou um movimento contra a permanência no cargo do presidente em exercício Carlos Luz. A mobilização resultou, com somente três dias de governo, na deposição de Luz.

Próximo à linha de sucessão estava o vice-presidente do Senado, Nereu Ramos, que assumiu a Presidência da República após a saída de Carlos Luz. Ao assumir o cargo, Ramos renomeou Lott como ministro de Guerra.

Passados alguns dias, Café Filho tentou retornar à Presidência, entretanto, foi barrado por Henrique Lott e outros militares que o apoiavam. Sob a acusação de ser contra a posse de Juscelino e Jango, Café Filho foi oficialmente impedido, no dia 22 de novembro pelo Congresso Nacional, de reassumir o cargo de presidente.

No cargo, continuou o senador Nereu Ramos que, posteriormente, empossou o presidente eleito Juscelino Kubitscheck.


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