Governo de Ernesto Geisel

O Governo de Ernesto Geisel durou de 15 de março de 1974 a 15 de março de 1979, e teve como marca a ditadura. Saiba mais sobre este ex-presidente do Brasil


No dia 3 de agosto de 1907 nascia em Bento Gonçalves o filho dos imigrantes alemães, Wihelm August Geisel e Lídia Beckmann, que seria batizado com o nome de Ernesto Geisel e seria um destacado militar, chegando ao posto de General e também ganhando prestígio como um dos mais comentados políticos do cenário brasileiro. Sua atuação na política lhe renderia o cargo máximo do país, a presidência da república, no qual ele assumiu o cargo presidencial entre 15 de março de 1974 a 15 de março de 1979.

Governo de Ernesto Geisel

Imagem: Reprodução

Carreira militar

Em 1921 ele deu início a sua carreira militar dando entrada no Colégio Militar de Porto Alegre, e anos depois, em 1928, ele viria a formar-se oficial na Escola Militar de Realengo. Dois anos mais tarde, quando aconteceu a Revolução de 1930, ele foi uma figura atuante, apoiando e participando das frentes militares já como tenente. Mais dois anos se passaram e aconteceu a Revolução Constitucionalista, em 1932, e mais uma vez Geisel participou junto às tropas federais que combatiam tal ato.

Nos anos 40, logo após ter trabalhado como secretário da fazenda na Paraíba, ele casou com sua prima Lucy, tendo dois filhos, Amália e Orlando, esse segundo veio a falecer  em 1957 em um acidente de trem.

Até chegar ao cargo de Presidente da República, Geisel trilhou um longo caminho político:

  • 1946: Tornou-se secretário-geral do Conselho de Segurança Nacional;
  • 1947: Trabalha na embaixada do Brasil no Uruguai, até o ano de 1950;
  • 1950: Trabalha como Adjunto do Estado-Maior das Forças Armadas;
  • 1955 – Torna-se subchefe do Gabinete Militar no Governo Café Filho, e também chefe da seção de Informações do Estado-Maior do Exército.

Quando aconteceu o Golpe de 1964, Geisel recebeu a nomeação de chefe da Casa Militar do governo de Castelo Branco. Com tal cargo ele agora era o encarregado por investigar e averiguar as denúncias existentes de tortura nas unidades do exército no Nordeste Brasileiro. Em 1966, Castelo Branco lhe promoveu a general do exército, e em 1967, tornou-se ministro do Superior Tribunal Militar.

Sua trajetória vinha lhe dando muito destaque, e quando imaginava-se que ele não teria mais para onde crescer, seu nome foi oficialmente lançado ao cargo de presidente da república, no dia 18 de junho de 1973, onde ele venceu o candidato Ulisses Guimarães do MDB com 400 votos a favor, enquanto seu adversário teve apenas 76, no dia 15 de janeiro de 1974.

Governo Geisel

O governo de Geisel teve início no dia 15 de março de 1974, e ele tinha ao seu lado ocupando o cargo de vice-presidente Adalberto Pereira dos Santos. Um dos pontos forte de seu governo foi a forma como ele se dedicou a abertura política, definido pelo presidente como uma abertura “lenta, gradual e segura”, o que lhe causou diversos problemas, já que os militares radicais lhe fizeram uma forte oposição, não aceitando tal atitude.

O Brasil passava pela crise da ditadura e por um avanço significativo na inflação, o que exigiu de Geisel que tomasse providencias para tentar administrar de maneira correta esta situação e assim conseguisse colocar o país nos trilhos. Convocando Mario Henrique Simonsen para o Ministério da Fazenda, ele esperava que o país pudesse retomar o seu crescimento econômico novamente, e assim que assumiu o novo ministro anunciou o II Plano Nacional de Desenvolvimento, plano este que não obteve tanto sucesso, já que o Brasil passou a sofrer com a crise do petróleo, que prejudicava inúmeros países do globo. Esta crise deu a oposição a carta que eles precisavam para se fortalecer ainda mais e se firmar no cenário político nacional.

Outro episódio que ocorreu em seu governo acabou por incitar os setores mais radicais do regime a tomarem certas atitudes bem mais extremistas e autoritárias. Em outubro de 1975, por exemplo, nos corredores do II Exército de São Paulo, fontes oficiais davam conta de que o jornalista Vladimir Herzog havia se suicidado, porém as imagens do incidente eram bem controversas, pois mostravam seu pescoço amarrado a um lençol e seus pés tocando o chão, o que dava a entender que o que havia acontecida seria um assassinato maquiado para parecer suicídio.

Esse fato gerou inúmeras lutas, organizada por diversos órgãos nacionais que desejavam que fosse dado a partir de então a anistia aos presos políticos, e a realização de uma nova constituinte. Entre essas entidades estavam: Ordem dos Advogados do Brasil, Associação Brasileira para o Progresso da Ciência, Associação Brasileira de Imprensa, entre outros.

Em 1977, o governo lançou o conhecido pacote de abril, que tinha como finalidade desarticular a política sustentada pelo Ato institucional nº 5 (AI-5). O Congresso Nacional teve suas portas fechadas, e o sistema judiciário, assim como a legislação, sofreram algumas alterações. Também foi delimitada diversas restrições as campanhas eleitorais e um acréscimo no período presidencial, que passava a ter seis anos de mandato, com as leis sendo aprovadas por maioria simples.

Através dessas atitudes a ditadura garantiu uma maioria de integrantes  favoráveis a tal situação. Já pensando na eleição que vinha a se seguir, o presidente então afastou os radicais do governo, abrindo, consequentemente, o caminho para que João Batista Figueiredo viesse a se eleger. A última atitude do seu mandato deixou bem claro a forma como o conservador Geisel pensava e agia em torno do meio político: Ele revogou o AI-5, e logo em seguida deu ao presidente que estivesse por assumir o direito de decretar a qualquer momento que achasse necessário o conhecido Estado de Sítio.

*Revisado por Allex Albuquerque, graduado em história.

 


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