Governo de Getúlio Vargas – Primeiro e segundo mandato

No dia 19 de abril de 1882, nascia na cidade de São Borja, Rio Grande do Sul, Getúlio Dornelles Vargas, o homem que viria a…


Governo de Getúlio Vargas

Retrato de Getúlio Vargas | Imagem: Reprodução

No dia 19 de abril de 1882, nascia na cidade de São Borja, Rio Grande do Sul, Getúlio Dornelles Vargas, o homem que viria a se tornar o presidente que passou mais tempo sobre a liderança de nosso país. Durante seus dois mandatos, o primeiro acontecendo entre os anos de 1930 a 1945, e o segundo, que vigorou de 1951 a 1954, ele ficou conhecido pela fase de ditadura imposta entre os anos de 1937  e 1945, fase chamada de Estado Novo, e também pela sua preocupação com a classe trabalhista, pois foram nos seus mandatos que o povo brasileiro recebeu os maiores benefícios no que se dizia respeito aos direitos dos trabalhadores.

O primeiro mandato

No ano de 1930, Getúlio Vargas liderava a revolução que viria a derrubar Washington Luís do poder e colocá-lo na cadeira da presidência da república, onde ele ficaria durante os próximos quinze anos sem nenhuma interrupção ou quebra de período. Podemos destacar com uma forte característica do seu governo, nessa primeira fase, o nacionalismo e o populismo, já que Getúlio era uma pessoa altamente popular, que buscava de todas as formas conquistar principalmente a classe trabalhadora, vendo que era muito importante para o seu governo ter o apoio dessas pessoas, que iriam contribuir de certa forma para que ele pudesse passar o maior tempo possível no poder.

Entre as várias atitudes destes seus quinze anos de mandato podemos destacar as seguintes:

  • Em 1934 é promulgada a constituição sob seu governo;
  • No ano de 1937 é fechado o Congresso Nacional e instalado o Estado Novo;
  • Com a criação do Estado Novo ele passa a governar de forma Ditatorial, centralizada e controladora;
  • Criação do DIP – Departamento de Imprensa e Propaganda, com a finalidade de controlar e censurar qualquer tipo de manifestação que fosse contrária ao seu governo;
  • Perseguição a políticos da oposição, principalmente os do partido comunista;
  • Envia para o governo nazista a esposa do líder comunista Luis Carlos Prestes, Olga Benário.

Foi também nesse primeiro mandato que Vargas tomou as primeiras atitudes em relação ao bem estar do povo trabalhador brasileiro, que em sua grande maioria vivia de forma precária, sem possuir nenhum direito nem a garantia de um salário digno.

A princípio, ele criou a Justiça do Trabalho, no ano de 1939, que viria a ser uma das mais importantes ferramentas do trabalhador para lutar pelos seus direitos, adquiridos ainda na sua gestão. Em seguida ele criou a CLT, Consolidação das Leis do Trabalho, onde ele instituía a partir de então um salário mínimo, que era o menor valor pelo qual as empresas deveriam pagar aos seus funcionários, não mais pagando qualquer quantia insignificante. Aquelas que descumprissem estariam correndo riscos de multas e outras punições.

Direitos trabalhistas como a carteira profissional, jornada de trabalho de 48 horas semanais e as férias remuneradas também foram criações suas, benefícios esses aceitos com muita alegria pela população da época.

Na área de infraestrutura ele criou empresas que viriam a ser de grande importância para o desenvolvimento do país:

  • Em 1938, O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)
  • Em 1940, a Companhia Siderúrgica Nacional;
  • Em 1942, a Vale do Rio Doce;
  • Em 1945, a Hidrelétrica do Vale do São Francisco;

No ano de 1945 ele sofreu um golpe militar e saiu de seu governo, porém, aproveitando-se de seu alto grau de popularidade, saiu de maneira pacífica, sem demonstrar nenhum tipo de resistência, o que o ajudaria a conquistar o posto de Senador pelo seu estado – Rio Grande do Sul. No cargo ele não fez nenhuma atuação muito chamativa, apenas se colocou a espera do que viria pela frente, as eleições presidenciais que o colocariam novamente no poder.

O segundo mandato

Como já era de se esperar, Getúlio voltou ao poder pela segunda vez, porém agora em um regime democrático, sendo levado pelos braços do povo. Com o intuito de conseguir muitas alianças para seu governo ele buscou parceria com diferentes setores da política, e se aliou tanto aos que defendiam a prática do nacionalismo quanto do liberalismo.

Nesse seu segundo mandado ele criou novamente empresas estatais que viriam a trazer um grande significado econômico para o nosso país, foram elas: A Petrobras, que tinha o objetivo de controlar toda a prática de prospecção e refino do petróleo nacional; e a Eletrobrás  responsável por gerar e distribuir energia elétrica.

Outra atitude do seu governo foi convidar para assumir o Ministério do Trabalho, João Goulart, que em um período de intensa atividade grevista decidiu defender que era necessário reajustar o salario em 100%.

Como a maioria de suas atitudes tinham aspectos nacionalistas, em geral a elite e os setores do oficialato nacional não recebiam essas práticas com muita alegria. Um dos maiores críticos do governo era Carlos Lacerda, membro da UDN, que usava os meios de imprensa para acusar o governo de utilizar práticas corruptas e promover a esquerdização. Em contrapartida, no ano de 1954, o guarda pessoal do presidente, Gregório Fortunato, promoveu um atentado a Lacerda, que conseguiu sair com vida.

Suicídio de Getúlio Vargas

No ano de 1954, no Palácio do Catete, Vargas suicidou-se com um tiro no peito, deixando uma carta testamento na qual estava escrito uma frase que seria lembrada por toda a eternidade: “Deixo a vida para entrar na História”.

Seus últimos dias de governo estavam sendo marcados por uma forte pressão política, tanto por parte da imprensa como dos militares, já que a situação econômica do país não era das melhores, o que acabava deixando a população descontente e aumentando ainda mais as críticas e as cobranças. Até os dias atuais o seu suicídio é um mistério a ser esclarecido, gerando ainda muitas polêmicas a cerca dele.

Mesmo com todo o seu lado ditatorial contradizendo sem perfil populista, Vargas foi um dos presidentes que mais investiu na infraestrutura e no trabalhador brasileiro. Sua atuação deixou marcas que duram até hoje, como o desenvolvimento do parque industrial brasileiro e a criação das leis do trabalho.

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