Independência do México – Saiba tudo sobre o assunto

A história das revoluções que ajudaram a principal colônia da América Espanhola a conquistar sua independência, o México


Contexto histórico e sociedade

Durante o início do século 19, a Espanha tinha em mãos o Vice-reino da Nova Espanha, considerada a mais rica e populosa colônia hispânica. Com isso, a coroa conseguia manter um controle abusivo sobre a região e suas outras colônias por quase três séculos. A sociedade na região – assim como todas as outras que “pertenciam” aos espanhóis – era dividida em:

  • Guachupins: eram os chamados “espanhóis de nascimento”, tinham muitos privilégios, dentre eles: ocupavam todos os cargos importantes da administração pública da época.
  • Criollos: apesar de serem considerados parte da “elite local”, os criollos não usufruíam dos mesmos privilégios dos guachupins.
  • Indígenas e mestiços: representavam mais de 82% da sociedade, contudo, mesmo em maioria, eram trabalhadores explorados pelos guachupins e criollos.
Independência do México

Miguel Hidalgo, uma das figuras principais da independência do México. | Foto: Reprodução

As lutas pela independência do México

Em 1808, quando chegou a notícia de que Napoleão Bonaparte havia tomado o trono espanhol, a rivalidade entre as camadas da sociedade se acentuaram ainda mais. A principal figura pela busca da independência do México foi Miguel Hidalgo y Costilla, um padre na pequena paróquia de Dolores Hidalgo, Guanajuato. Ele promovia discussões informais em sua casa e foram delas que nasceram as ideias para o movimento de independência do México. A guerra, oficialmente, foi declarada em 16 de setembro de 1810, com o famoso episódio que ficou conhecido como “Grito de Dolores” (quando Miguel Hidalgo chamou a população para se juntar à luta, com o grito “Viva a Virgem de Guadalupe! Morte ao mau governo! Viva Fernando VII!”). No começo, as forças independentistas obtiveram muitas vitórias, conquistando várias cidades, contudo, perderam seu impulso inicial ao fracassarem tentando tomar a Cidade do México. Em março de 1811, tudo piorou: foram emboscados e presos. Seu líder, Hidalgo, foi julgado pela Santa Inquisição e condenado à morte, acusado de heresias e traição, sendo fuzilado meses depois, mutilado e ainda teve sua cabeça exposta publicamente em Guanajuato.

Após a possível derrota dos independentistas, iniciou-se uma guerra civil. Eles já não lutavam contra os espanhóis, agora lutavam entre si (a classe mais baixa, os indígenas e mestiços, contra os criollos), pois a elite criolla não queria perder seus privilégios – o que provavelmente aconteceria se os indígenas e mestiços conseguissem alcançar seus objetivos. À frente do movimento da independência, desta vez, estava o padre José Maria Morelos y Pavón e Ignácio Lopez Rayón. Contudo, mesmo com rebeldes mais treinados, Morelos não escapou da morte em 1815, quando foi preso e fuzilado, o que “ajudou” os criollos a tomarem a frente na rebelião, só que dessa vez contra os guachupins e a metrópole.

Após 11 longos anos de guerras, muitas mortes , fracassos e vitórias, em 24 de agosto de 1821, o Tratado de Córdoba foi assinado. Este tratado reconhecia o México como nação independente, dizia que criollos e peninsulares teriam os mesmos direitos e que um rei criollo poderia subir ao trono se nenhum membro da realeza europeia aceitasse aquele posto.  A partir daí, iniciou-se o primeiro império mexicano.


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