Inep esclarece suposto vazamento do tema da redação do Enem

Edição 2016 do Exame foi realizada para 5,8 milhões dos 8,6 milhões de candidatos inscritos


O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) afirmou, em nota, que “rechaça veementemente mais uma tentativa de tumultuar o Enem 2016, que foi realizado com absoluto sucesso para 5,8 milhões dos 8,6 milhões de inscritos”.

No texto, o Inep esclarece que o tema da redação deste ano “não é o mesmo de uma prova falsa divulgada às vésperas do Enem 2015”. O instituto ainda explicou que a prova deste ano também usou estudo da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República indicado na prova falsa, mas que “trata-se de uma coincidência de assuntos que não afeta o Enem 2016, por não se tratar de um vazamento.”

Leia a nota na íntegra:

1 – O tema da redação do Enem 2016, Caminhos para Combater a Intolerância Religiosa no Brasil, não é o mesmo de uma prova falsa divulgada às vésperas do Enem 2015, com o tema Intolerância Religiosa no Século XXI.

2 – Abordar simplesmente o tema intolerância religiosa no século XXI não permite que o participante desenvolva uma proposta de intervenção na realidade, respeitando os direitos humanos, o que contraria os pressupostos metodológicos previstos no Edital do Enem.

3 – O gráfico que apoia o desenvolvimento da redação do Enem 2016 é baseado em um estudo da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, de domínio público. O gráfico da prova falsa divulgada às vésperas do Enem 2015 é baseado no mesmo estudo, mas tem recorte diferente.

4 – Portanto, trata-se de uma coincidência de assuntos que não afeta o Enem 2016, por não se tratar de um vazamento.

5 – É importante ressaltar que todos os anos são veiculadas em diversas redes sociais provas de redação falsas com os mais variados temas de relevância social, que muitas vezes mantém uma relação com o que pode ser proposto em redações do Enem.

6 – A formulação do tema de redação do Enem é feita com a participação de professores de várias áreas do conhecimento que compõem o banco de elaboradores e revisores do Inep. Esses elaboradores e revisores são selecionados por meio de chamada pública nas instituições públicas de ensino. É realizado um evento com a presença desses colaboradores, quando são discutidos temas de ordem social, cultural, política ou científica, que propiciem propostas de intervenção social.

7 – Para a escolha dos temas de redação, são levantados, pela comissão de especialistas, diversos assuntos que remetem a questões sociais que merecem discussão mais ampla e conscientização da sociedade. Cabe ressaltar que a escolha desses temas não é motivada exclusivamente por propagandas ou notícias atuais.

8 – Na elaboração da prova de redação, são escolhidos alguns textos motivadores. Esses textos são, em sua maioria, retirados de sites de instituições governamentais. Procura-se obter dados oficiais que confirmem a questão abordada na proposta de redação. Os textos motivadores servem de apoio ao candidato para que reflita sobre o tema e possa dar o encaminhamento que julgar mais adequado dentro do tema proposto e respeitando os direitos humanos. Porém, eventualmente, textos motivadores para a proposta de redação podem ser obtidos em veículos de comunicação.

9 – Por fim, o Inep condena o uso de mentiras e falsas polêmicas com objetivos políticos e sem qualquer compromisso com a educação ou com os milhões de jovens que fizeram o Enem.

Inep esclarece suposto vazamento do tema da redação do Enem

Foto: Divulgação/EBC

MPF no Ceará pede anulação da prova

O Ministério Público Federal no Ceará (MPF/CE) ingressou nessa segunda-feira (7) com nova ação na Justiça Federal pedindo a anulação da prova redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), dessa vez pelo suposto vazamento do tema da prova. Para o procurador Oscar Costa Filho, caso seja confirmado o vazamento, o tratamento isonômico entre os candidatos teria sido desrespeitado. Na última quarta-feira, o procurador já havia entrado com uma ação pedindo a suspensão da aplicação Enem devido à decisão do MEC de adiar o exame nas escolas ocupadas por estudantes.

O MPF/CE alega que a operação realizada pela Polícia Federal (PF) no Ceará prendeu um candidato que entrou em local de realização do Enem com rascunho da redação dentro do bolso e com ponto eletrônico. No entendimento do procurador, isso comprovaria o vazamento de informações relativas à redação.

O procurador responsável pela ação sustenta ainda que o tema “Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil” também apareceu em publicação do MEC divulgada no ano passado para desmentir uma prova falsa às vésperas do Enem daquele ano. Mais cedo, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgou nota classificando de “tentativa de tumultuar” o Enem a repercussão em torno da semelhança entre o tema da redação deste ano com o de uma imagem de suposta prova do Enem que teria vazado em 2015.

Na ação contra o Inep, Costa Filho pede a concessão de liminar para suspender os efeitos da validade jurídica da prova de redação até o julgamento do mérito, que será julgada pelo juiz titular Ricardo Cunha Porto, da 8ª Vara Cível da Justiça Federal no Ceará.

A medida, de acordo com o procurador, evitaria transtornos aos estudantes com divulgação de um resultado que posteriormente poderia ser alterado com o julgamento da ação.

*Do Portal Brasil e Agência Brasil
Com adaptações


Reportar erro