Inquisição no Brasil

A inquisição medieval teve início no século XIII e agiu principalmente na França e na Itália. Perseguiu àqueles que discordavam dos dogmas católicos ou…


A inquisição medieval teve início no século XIII e agiu principalmente na França e na Itália. Perseguiu àqueles que discordavam dos dogmas católicos ou desrespeitavam as normas de conduta da igreja. No século XV, no auge do Renascimento, a atuação de inquisitores era decadente e, após pressionar o para, a Espanha recriou o tribunal em 1478 e Portugal em 1536. Deu-se início, então, à Inquisição Moderna.

Inquisição no Brasil

Foto: Reprodução

A santa inquisição

A inquisição, a princípio, poderia apenas julgar àqueles que eram batizados, excluindo os judeus da perseguição. No entanto, forçados à conversão, seus descendentes eram investigados até dez gerações depois. Eram os cristãos-novos, que eram estigmatizados e perseguidos por, pelo menos, três séculos.

Esta época foi marcada pela atuação e controle do Estado, que sustentava tribunais realizando autos de fé, que eram simulações do Juízo Final. Nestes, as fogueiras eram acesas e os hereges eram queimados vivos ou mortos, e o povo festejava. No Brasil, as autoridades eclesiásticas locais controlavam o Tribunal do Santo Ofício, tendo autonomia para investigar casos de desobediência à fé e prender os suspeitos, que eram enviados para Lisboa onde eram julgados e condenados.

As visitas à colônia

O início das visitas marcava o período de até 60 dias, o Tempo da Graça, quando as pessoas deviam manifestar-se. Quanto mais rápido as pessoas apresentavam-se como culpadas de “crimes” como blasfêmias, sacrilégios, judaísmo e transgressões sexuais, menos suspeitas levantavam contra si mesmos. As denúncias eram anônimas, gerando sentimento de vingança. Quando as denúncias se acumulavam sobre uma pessoa, esta tornava-se suspeita e era levada ao visitador. Nem sempre os “suspeitos” sabiam por quais crimes estavam sendo levados e, algumas vezes, na tentativa de salvar-se, assumiam outro crime, como ser judeu, por exemplo, e acabavam condenados por dois ou mais crimes.

Três visitações foram as principais realizadas no Brasil. Em 1591 e em 1595, a visitação teve como alvo a Bahia, Pernambuco, Itamaracá e Paraíba. De 1618 a 1621, a inquisição voltou à Bahia, procurando por cristãos-novos, que eram os antigos judeus que foram forçados à converter-se. A terceira ocorreu de 1763 a 1769, passando pelo Grão-Pará, Maranhão e Belém, onde ficou sediada. A explicação para esta última ainda não é clara, mas acredita-se que funcionou como forma de promover a religião no local onde, Giraldo José Abranches, o visitador, chegou com Fernando da Costa de Ataíde Teive, o novo governador geral, e assumiu o posto de bispo da província. Neste local foram investigados muitos curandeiros e feiticeiros.

As maiores cidades do Brasil foram as mais atingidas. Padres, bispos, missionários e todos os membros da igreja, eram orientados a observar constantemente seus fiéis. Durante a quaresma, todos deveriam confessar seus pecados e entregar quem, supostamente, estivesse cometendo um crime contra a igreja. Caso não entregasse e posteriormente tivesse conhecidos ou familiares condenados, responderiam ao crime junto, como cúmplices.


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