Licença poética

A licença poética está presente na literatura, música e também nas propagandas. Entenda


Talvez você já tenha escutado que um poeta ou compositor utilizou-se de “licença poética”. Mas o que esta expressão significa e quais são as suas principais características?

Neste artigo, saiba o que é, como funciona e alguns exemplos de licença poética.

O que é licença poética?

Segundo o dicionário Houaiss, a expressão licença poética pode ser definida como “liberdade de o escritor utilizar construções, prosódias, ortografias, sintaxes não conformes às regras, ao uso habitual, para atingir seus objetivos de expressão”.

Desta forma, ao utilizar-se da licença poética, o artista tem certa liberdade de expressar toda a sua criatividade, sem se prender às normas gramaticais ou métricas.

O escritor pode manipular as palavras utilizando rimas falsas, versos com métrica irregular, palavras aparentemente erradas, dentre outras maneiras.

Na licença poética, nós encontramos uma espécie de erro proposital. Trata-se de uma estratégia usada pelo autor para reforçar determinado ponto e isto não mostra o desconhecimento do artista com relação a determinado tema, pelo contrário. Em muitos casos, a utilização da licença poética demonstra que o escritor realmente domina o tema abordado, ao ponto de ser capaz de utilizá-lo de maneira indevida.

Licença poética

Foto: Pixabay

A característica básica da licença poética é o fato de o escritor se utilizar do que a norma culta consideraria erro para escrever textos criativos, nos quais o autor pôde se expressar mais livremente.

A licença poética está presente na literatura, música e também nas propagandas.

Exemplos de licença poética

Após conhecer a definição e as principais características da licença poética, vamos ver alguns exemplos para que o conceito fique mais claro e acabe com qualquer dúvida que ainda persista.

Mário Quintana, considerado um dos maiores poetas brasileiros, escreveu, em seu poema intitulado “Indivisíveis”, a seguinte frase: “Meu primeiro amor sentávamos…”. Perceba que, para a norma culta da língua, há um erro de concordância verbal, pois, segundo a regra, o verbo deve concordar com o sujeito. Trata-se de uma licença poética do poeta.

Outros exemplos de licença poética podem ser encontrados em canções de compositores e cantores como Arnaldo Antunes e Adoniran Barbosa. Perceba que o artista conhece muito bem a norma culta da língua e as suas regras, mas, para manter a métrica e ritmo, dar um contexto ao escrito, brincar com o idioma e compor de forma criativa, ele utiliza a licença poética.

*Débora Silva é graduada em Letras (Licenciatura em Língua Portuguesa e suas Literaturas). 


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