Militarismo na América Latina

Define-se por militarismo a ideologia de que uma sociedade é servida de forma mais eficiente quando governada ou guiada por sistemas militares. Este tipo…


Define-se por militarismo a ideologia de que uma sociedade é servida de forma mais eficiente quando governada ou guiada por sistemas militares. Este tipo de governo sustenta que a segurança é a prioridade social, e que o desenvolvimento e a manutenção do aparato militar garantem essa segurança.

Militarismo na América Latina

Foto: Reprodução

Contexto histórico na América Latina

Nos anos 1960 e 1970, os golpes militares iniciaram ciclos de ditaduras que transformaram a política, a sociedade em geral e a economia em países da América Latina, como o Brasil e a Argentina. Tudo aconteceu no auge da Guerra Fria, quando a tensão política e ideológica opôs dois blocos, os Estados Unidos e a ex-União Soviética. A Revolução Cubana, na América do Sul, inspirou guerrilhas, partidos comunistas e movimentos populares que tinham como proposta romper a tradição de desigualdades sociais e do domínio imperialista, características adotadas pelo bloco comunista. O governo dos Estados Unidos, contrário a esta política comunista, forneceu suporte técnico e financeiro aos militares para realizarem a destituição dos governos eleitos democraticamente.

A Guerra Fria favoreceu esta política imperialista fornecendo uma justificativa ideológica para as agressões militaristas aos países do Terceiro Mundo. A crise do populismo e os golpes de estado (Brasil, 1964; Chile, 1973; Argentina, 1976), responsáveis pela implantação de Ditaduras Militares, tiveram o apoio dos Estados Unidos uma vez que seu quintal seria, então, preservado da ameaça vermelha Soviética, ainda que o custo fosse o sacrifício da democracia.

Em 1980, houve o colapso dos regimes militares devido ao fracasso econômico, restrição de liberdades individuais, violação dos Direitos Humanos, além de assassinatos políticos. Houve então, em processos graduais, a redemocratização.

A Ditadura Militar no Brasil

No Brasil, o golpe militar de 1º de abril de 1964 não ocorreu de forma inesperada nem circunstancialmente. O governo de Jango, João Goulart, constitucional e democraticamente eleito, foi derrubado formando o desfecho de uma crise político institucional longa, aprofundada pela renúncia de Jânio Quadros.

O movimento de 1964 iniciou uma série de governos militares na história do país. O grupo militar que assumiu o governo era liderado pelo general Castello Branco, e pretendia acabar com a influência dos partidos de esquerda, e em seguida reestabelecer a democracia. No entanto, os candidatos governistas sofreram derrotas nas eleições de 1965 e, então, os militares mais radicais exigiram medidas mais drásticas de repressão, além da candidatura de outro militar, o general Costa e Silva.

No governo desse general, o confronto com a oposição civil se agravou e os grupos de esquerda investiam em luta armada contra o regime. Começa então o governo Médici, onde houve a maior repressão política da época. Não havia mais eleição nem democracia. Centenas de brasileiros foram exilados ou morreram sob tortura nos cárceres da ditadura no governo Médici.  Em 1968 aconteceu a Passeata dos Cem Mil, em protesto contra a ditadura, quando em manifestação anterior um estudante foi morto por balas militares.

As principais características

No período de 1964 e 1978, a ditadura trouxe algumas características para a política no país.

  • Perseguição praticada pelo Estado contra forças democráticas;
  • Extinção de partidos políticos e criação de bipartidarismo (ARENA e MDB);
  • Elaboração da “Doutrina de Segurança Nacional”, que dava ao governo a função da defesa da ordem democrática contra a guerra revolucionária subversiva;
  • Censura contra livros, revistas, jornais e todas as formas de produção cultural;
  • Em 1970 alcançou seu auge com o “milagre brasileiro”.

A resistência

De diferentes maneiras, a sociedade brasileira reagiu ao estado de terror trazido pela Ditadura Militar. O caminho dessa resistência foi trilhado por Geraldo Vandré, Chico Buarque, Edu Lobos e outros que, por meio de canções, usaram sua sensibilidade para contornar a ditadura e expressar sua revolta. No teatro e outras formas de arte, houveram também importantes formas de manifestação da resistência. Na década de 1980 a ditadura brasileira entrou em decadência e o governo não conseguia mais estimular a economia e diminuir a inflação, fato que deu impulso ao movimento pró-democracia. Em 1984 foram realizadas eleições presidenciais com candidatos civis e, desde a aprovação da constituição de 1988, o Brasil voltou a ser um país democrático e os militares foram controlados.


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