Mudanças climáticas podem deixar 122 milhões de pessoas na pobreza

Quanto maior a produção agrícola, mais degradação esta provoca. Porém, estes impactos negativos atingem o menor produtor


A Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO) das Nações Unidas divulgou um relatório com o intuito de chamar a atenção dos agricultores e demais setores relacionados a este tipo de serviço, para as alterações climáticas no mundo.

De acordo com este documento, se não houver medidas preventivas neste tipo de atividade, ela pode acabar mudando o clima de diversas regiões, levando de 35 a 122 milhões de pessoas à pobreza.

Chamado de “O estado da Alimentação e da Agricultura”, o relatório apontou a quantidade de pessoas que podem sofrer com as mudanças climáticas decorrentes das práticas da agricultura, mas também indicou quais os povos que serão mais afetados, o que deve ser feito para mudar esta perspectiva e quais os desafios que podem ser encontrados.

Mudanças climáticas podem deixar 122 milhões de pessoas na pobreza

Foto: depositphotos

A face incoerente da agricultura

Os alimentos passam por um largo processo de produção antes de parar nos pratos. Toda a cadeia de transformação destes produtos coopera para a poluição e, consequentemente, para as mudanças climáticas.

No caso da agricultura, especificamente, este modo de produção resulta na liberação de diversos gases nocivos à atmosfera, como o metano e o óxido nitroso, dois potentes gases contribuintes com o efeito de estufa.

É claro que, quanto maior a produção agrícola, mais degradação esta provoca. Porém, os impactos negativos que esta grande produção provoca atingem o menor produtor ou o agricultor que sobrevive da própria plantação. Por esta razão, o relatório mostra que os mais afetados serão os povos das zonas mais pobres da África subsaariana e do Sul e Sudeste Asiático.

Levando em consideração este efeito, o diretor-geral da organização, José Graziano da Silva, considera apropriado falar sobre fome, pobreza e alterações climáticas de uma só vez, “por um imperativo moral, porque aqueles que hoje mais sofrem são os que menos contribuíram para as alterações climáticas”.

“A menos que sejam tomadas medidas agora para tornar a agricultura mais sustentável, produtiva e resiliente, os impactos das alterações climáticas vão comprometer gravemente a produção alimentar em países e regiões que já enfrentam uma alta insegurança alimentar”, indaga Graziliano logo no prefácio do relatório.

Como reverter esta perspectiva?

Ainda segundo o relatório da FAO, para manter as temperaturas ideais, é necessário diminuir a emissão de gases de efeito estufa em até 70% até o ano de 2050. Contudo, para que isto se concretize o setor agrícola deve colaborar positivamente, mesmo sendo um processo complexo devido ao grande número de pessoas, órgãos e indústrias envolvidas.

Além disso, os pequenos produtos devem receber apoio das entidades competentes, para que estes consigam se adaptarem ao sistema usando de práticas inteligentes e economicamente viáveis para suas realidades.


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