O caso Dreyfus

O chamado Caso Dreyfus é provavelmente o primeiro exemplo claro do antissemitismo europeu; Alfred Dreyfus foi condenado por um crime que não cometeu


Durante a última década do século XIX, ocorreu o mais famoso escândalo político da história contemporânea francesa: o caso Dreyfus, como ficou conhecido. É bem provável que esta seja a primeira demonstração do sentimento antissemita que estava se estabelecendo pela Europa, e que, claramente, viria a ganhar muita força no século seguinte.

História

Em 1894, o capitão do exército francês, especialista em artilharia, Alfred Dreyfus, foi acusado de espionagem por um tribunal militar do país. Dreyfus tinha ascendência judaica, e isso estava, de certa forma, incomodando os nacionalistas. A acusação, no entanto, não tinha fundamento. Baseava-se apenas em um pedaço de papel manuscrito que foi encontrado pela empregada do major Max von Schwartzkoppen – um agregado militar alemão em Paris. A carta ficou conhecida como “Le bordereau”, ou “A lista”. O conteúdo suspeito da carta por si só já desligava Dreyfus do caso, a caligrafia mal parecia a dele, porém mesmo assim, ele foi acusado.

O caso Dreyfus

Foto: Reprodução/ internet

Antissemitismo

O acusado sofreu um processo fraudulento, de portas fechadas. Dreyfus foi condenado à prisão perpétua e exilado para a Ilha do Diabo, na Guiana Francesa. A imprensa antissemita manobrava os fatos e incitava a população a acusar o judeu. Desse modo, o veredicto foi confirmado pelo povo durante um julgamento público.

Sociedade dividida

O caso Dreyfus dividiu a sociedade francesa. De um lado, estavam o governo, os partidos conservadores, o exército nacionalista e a Igreja. Eles se uniram e criaram um grupo conhecido como anti-Dreyfus. O viés de pensamento já estava mais do que explícito.

Por outro lado, o que podemos chamar de forças progressistas se uniram. Esse grupo era formado por republicanos, socialistas e anticlericais, todos liderados pelo romancista Émile Zola e pelo dirigente socialista Jean Jaurès. Eles promoviam uma luta pelo respeito aos direitos humanos na República.

O verdadeiro culpado

Em 1896, saiu à luz uma prova que colocava um oficial do exército francês, Ferdinand W. Estherhazy como verdadeiro culpado e autor da espionagem. Apesar da tentativa militar de suprimir as evidências, Esterhazy foi julgado em 1898. Mas, é claro, ele depois foi absolvido pelo tribunal militar, em um julgamento que durou apenas alguns minutos. No mesmo ano, tornou-se público que o Major Henry havia falsificado grande parte da prova utilizada para condenar Dreyfus.

‘Eu acuso!’

Foi então, que Émile Zola escreveu uma carta aberta direcionada ao então presidente francês Felix Fauré, intitulada “J’accuse!”, em português, “Eu acuso!”. Essa carta tecia fortes críticas à imprensa francesa, ao governo, aos militares e aos juízes – acusando-os de cumplicidade. Esse foi um verdadeiro “Manifesto dos Intelectuais”, termo dado à carta, que representava as pessoas que oferecem suas ideias de forma livre.

Zola foi sentenciado à prisão por injúria, mas conseguiu fugir para a Inglaterra. Conforme documentos oficiais, Émile Zola faleceu em 29 de setembro de 1902, em sua casa, devido à inalação de uma quantidade letal de monóxido de carbono, que teria sido proveniente de sua lareira, que estava, supostamente, defeituosa.

Desfecho

O caso então foi reaberto em 1899, mas a soberba do tribunal militar o impediu de aceitar a realidade, e Dreyfus foi julgado culpado novamente, dessa vez, com pena de 10 anos de reclusão. No entanto, a situação política havia mudado e o presidente Émile Loubet se viu obrigado a lhe outorgar perdão.

Em 1906, o Tribunal de Apelação anistiou Dreyfus e lhe concedeu a Legião de Honra. Mesmo assim sua inocência só pode ser comprovada em 1930, quando os documentos de Schwartzkoppen foram publicados.


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