O que é blackface e por que nos dias de hoje é considerada uma atitude racista

Algo que serviu por séculos para ridicularizar negros não deve ser aplaudido em pleno 2016. O black face é uma ferramenta de opressão, não de folia ou graça


O racismo é uma prática presente até os dias de hoje. Era, historicamente comprovado, algo ainda mais forte no passado. No século 19, negros não podiam participar de peças teatrais e seus personagens eram representados por pessoas brancas que pintavam os rostos de carvão e passavam batom vermelho de forma esdrúxula. Foi assim que surgiu a expressão “black face”.

A origem do black face aconteceu no teatro dos Estados Unidos, mas logo ganhou popularidade e atravessou todo o mundo. A prática se tornou algo bastante comum na Grã-Bretanha e chegou até a ganhar programas na televisão em horário nobre.

O problema não estava apenas no fato dos negros não poderem participar das peças de teatro; a forma como eles eram representados pelos brancos era caricata e exagerada, tendo como o único objetivo servir de graça para a aristocracia branca-escravocrata, com o único intuito de ridicularizar os negros.

O que é blackface e porque nos dias de hoje é considerada uma atitude racista

Foto: Bonequinha maluca- Arte com amor

Após anos de luta, cerca de 100 anos depois, o black face foi considerado uma atitude racista e o teatro, TV e cinema pararam de usar tal técnica. A prática passou a ser um forte instrumento na luta contra o preconceito que negros sofrem.

Black face nos dias de hoje

Após quase um século de luta dos atores e atrizes negros para que o black face fosse extinto do teatro, tornou-se inadmissível considerar que em pleno século 21 ainda existam pessoas que tentam fazer graça em cima de caricaturas racistas.

No carnaval é comum encontrarmos pessoas fantasiadas de negra maluca, colocando uma peruca afro, passando batom vermelho de uma forma extravagante e pintando o corpo e o rosto de preto.

A vloggueira Kéfera, dona do canal no YouTube 5 minutos, que possui quase 9 milhões de inscritos, lançou em 2013 um vídeo intitulado “Tá liberado, é carnaval”, onde se “fantasia” de negra e dança de forma caricata, reforçando estereótipos e o preconceitos.

O humorista Paulo Gustavo publicou uma foto em seu facebook do seu personagem Ivonete, onde também aparece pintado e com uma peruca afro. Depois de inúmeras críticas, ele publicou uma nota na rede social se desculpando e dizendo que abandonará os estereótipos da personagem e afirmando que entende que foi uma prática racista de sua parte.

Nenhuma forma de preconceito ou de dor deve servir de motivo de piada. Muito menos ser usada como uma forma de arte. O teatro e as demais artes devem ser usadas como plataforma para se combater e debater problemas que a sociedade ainda vive e, jamais, alimentá-los. Algo que serviu durante séculos para ridicularizar o negro não deve ser aplaudido em pleno 2016. O black face é uma ferramenta de opressão, não de folia ou graça.


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