O retorno do aiatolá Khomeini ao Irã, após exílio

Dia 1 de fevereiro de 1979 marca a revolução política ocorrida no Irã, comandada pelo religioso Ruhollah Khomeini


Dia 1 de fevereiro de 1979. Essa data marca a revolução política ocorrida no Irã, comandada pelo religioso Ruhollah Khomeini, que após muitos anos de oposição ao governo ditatorial do país e expulso do território nacional, volta a nação de origem.

Nasce, portanto, nesse mesmo ano a República Islâmica e se perde todos preceitos defendidos pela ditadura do Xá Mohhammed Reza Pahlevi.

O Irã na ditadura do Xá

Declarada como uma monarquia autocrática pró-ocidental, o Irã vivia, na verdade, sob o regime ditatorial comandado pelo Xá Mohhammed, desde 1941.

O retorno do aiatolá Khomeini ao Irã, após exílio

Foto: reprodução/wikipedia

Todos os opositores ao governo terminavam presos, exilados ou mortos pelos exércitos. Além disso, havia uma forte insatisfação com a política totalitária, que não conseguia baixar a inflação o que culminava em preços altos e um padrão de vida miserável para os pobres e de classe média.

O governo não conseguia conter os insatisfeitos sem o uso da violência, a pobreza assolava cada vez mais a população do Irã e a abertura que o Xá dava a cultura ocidental em detrimento da iraniana se tornaram motivos para uma grande revolução.

Desta forma, surge Ruhollah Khomeini no cenário político, mas que já estava sendo destaque no campo espiritual islâmico.

Quem foi Ruhollah Khomeini?

Nascido em Khomein em 1901, Ruhollah foi um líder espiritual e político iraniano. Se familiarizou com o conceito de martírio pregado pela fé xiita, principalmente, após ficar órfão.

Estabeleceu-se na cidade de Qom, onde se integrou à Assembleia Teológica e aprofundou seus conhecimentos em literatura, misticismo, gnosticismo, ética e direitos islâmicos.

Durante toda a sua vida religiosa ganhou diversos títulos. Foi ascendido ao primeiro grau no caminho para liderança religiosa, intitulado ijtihad. Era assim, considerado exemplo de ascetismo, castidade e fé em Deus e por isso assumiu a direção da Assembleia de Qom.

Ainda nessa cidade, seus ensinamentos nas escolas teológicas e nas mesquitas lhe trouxeram cada vez mais respeito e autoridade. Esse reconhecimento impulsionou a sua ascensão na hierarquia do clero xiita, alcançando primeiramente o título de de hojatoleslam (“autoridade em islã”) e, em seguida, de aiatolá, o mais alto dignitário na hierarquia xiita.

Xá Mohhammed x Ruhollah Khomeini

O líder religioso não comungava das mesmas ideologias do ditador do Irã e nem aceitava calado as diretrizes que o governo tomava. Khomeini chegou a chamar Mohhammed de “inimigo da religião”, e por isso foi preso.

Entretanto, os discursos de oposição do aiatolá causaram grande impacto na sociedade e manifestações ocorreram em todo o país, infelizmente foram reprimidas de forma sangrenta.

Apesar disso, o Xá foi tão pressionado que libertou Khomeini, mas o exilou em 1964. Já elevado com a principal voz da oposição islâmica, Ruhollah estabeleceu-se em Najaf, no Iraque, cidade considerada santa do xiismo. Mesmo afastado, o líder continuou seus ataques contra a ditadura de Mohhammed.

Khomeini foi considerado por muitos como o redentor do islã, como o imã que os xiitas esperavam desde 880. Tramando uma organização marcada por rigorosa disciplina, com células de agitação e propaganda, acabou sendo expulso do país pelo governo iraquiano. Estabeleceu-se, então, em Paris, onde continuou seu trabalho de luta contra o governo ditatorial.

A revolução e volta de Khomeini para o território iraniano

No começo de 1979, Khomeini, ainda em Paris, criou o Conselho da Revolução Islâmica. Nesse mesmo período, uma onda de insatisfeitos foram para as ruas exigindo a saída do Xá.

Pouco tempo após as reivindicações, Mohhammed e sua família fugiram do Irã e no primeiro dia de fevereiro do mesmo ano, Khomeini volta para o Irã.

As primeiras ações do novo líder foram nomear como primeiro-ministro provisório Mehdi Bazargan e impulsionar os comitês de “guardiães da revolução”, que executaram sumariamente milhares de membros da política de Xá, opositores do novo regime e oficiais do exército e político partidários ligados ao antigo governo.

Em abriu de 1979, Khomeini proclamou a República Islâmica e, em agosto, foram realizadas as eleições para uma Assembleia Constituinte, na qual o Partido da Revolução Islâmica se destacou. Ruhollah Khomeini se elevou e, a partir de 1980, a absoluto “teocrata” do país, representante do governo de Deus na terra.


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