O vampiro e a literatura

Fruto de várias lendas de épocas e culturas do mundo, o vampiro adquiriu o seu status literário no século XVIII. Saiba mais sobre o vampiro na literatura


O vampiro é fruto de diversas lendas e superstições de várias épocas e culturas do mundo, tendo adquirido o seu status literário apenas no final do século XVIII. Quando se unem as palavras “vampiro” e “literatura”, automaticamente pensamos na figura de Drácula, de Bram Stoker, mas, afinal, qual seria a história do vampiro? Quais seriam as figuras anteriores a Drácula?

O vampiro na Literatura

O tema vampiro é antigo e universal, pois existem lendas sobre estas e outras criaturas com hábitos semelhantes há milhares de anos, mas que ganharam destaque apenas no século XVIII, após uma série de incidentes ocorridos no Leste Europeu.

Existe uma lenda sobre Vlad III, príncipe da Valáquia, cujo corpo teria desaparecido do túmulo após a sua morte. O filho de Vlad Dracul, Vlad Tepes, poderia ter sido uma inspiração para Bram Stoker, o criador do vampiro mais clássico, o Conde Drácula.

O vampiro e a literatura

Foto: Reprodução/ internet

Textos como “The vampyre”, de John Polidry, e Carmilla, de Sheridan Le Fanu, são anteriores ao personagem de Stoker que, em 1897, juntou tudo o que sabia sobre os vampiros, a partir de lendas e produções anteriores, acrescentou mais alguns detalhes e criou o Conde Drácula.

Em “The vampyre” (publicado em abril de 1819 no New Monthly Magazine), Polidory já havia moldado o vampiro como o conhecemos hoje: rico, nobre e sedutor. Stoker manteve essas características e escreveu outras, como o vampiro só dormir em terra nativa, ter medo de espelho e possuir certa ligação com o morcego. A religião também já aparece em Drácula, com a utilização de crucifixos, orações e citação de trechos bíblicos, que serviriam para combater o vampiro.

O conto de Polidory foi várias vezes erroneamente atribuído a Byron, mas este não chegou a escrever nenhuma história das criaturas, embora haja referências ao tema em seu poema narrativo “The Giaour”, fragmento de um conto turco de 1813. Além de Byron ser chamado de “gentleman-vampyre” por Tristan Corbière, reza a lenda que Polidory teria colocado algumas das características do amigo no seu personagem Drácula.

Em 1976, Anne Rice escreveu “Entrevista com o Vampiro”. Na obra, a autora levanta questões morais que anteriormente não foram expressas no universo vampiresco e aborda mais a questão religiosa.

O vampiro é um ser fictício que desperta o fascínio nos escritores ao longo do tempo, e o elemento sexual foi explorado em diversas obras.

Algumas histórias de vampiros ao longo da história

1816 – “Fragmento de um relato”, de Lord Byron
1819 – “O Vampiro”,  de William Polidori
1821 – “Vampirismo”,  de Hoffmann
1835 – “Viy”, Nikolai Gogol
1841 – “O Vampiro” e “A Família de Vurdulak”, Alexei Tolstoi
1842 – “O retrato oval”, Edgar Allan Poe
1849 – “A dama pálida”, Alexandre Dumas, pai
1864 – “Fantasmas”, Ivan Turgueniev
1872 – “Carmilla”, Sheridan Le Fannu
1886 – “O Horla”, Guy de Maupassant
1897 – “Drácula”, Bram Stocker

*Débora Silva é graduada em Letras (Licenciatura em Língua Portuguesa e suas Literaturas). 


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