Revolução do Porto

No auge da chegada da Família Real ao Brasil, em meados de 1807, Portugal enfrentava uma extensa crise econômica, considerada crônica desde o período…


No auge da chegada da Família Real ao Brasil, em meados de 1807, Portugal enfrentava uma extensa crise econômica, considerada crônica desde o período do século XVIII. Os burgueses mercantis, que à época se sentiam arranhados devido à perda do monopólio colonial, não tiveram como superar a forte concorrência inglesa.

Durante esse período se tornaram escassos os gêneros considerados de necessidade básica, uma vez que os preços subiam assustadoramente e a moeda se desvalorizava a cada dia. Para complementar os transtornos, o reino estava cada vez mais inconformado com a ditadura do marechal Beresford, este britânico que enquanto a corte estava em terras brasileiras comandava Portugal.

Diante desse cenário, o ideal de revolução acabou sendo disseminado e, em 1818, foi composta na cidade de Porto uma associação de liberais formada por militares, intelectuais e burocratas, denominada de Sinédrio. Com a liderança de Manuel Fernandes Tomás, o movimento exigia a saída dos ingleses e a volta de D. João VI.

Revolução do Porto

Foto: Reprodução

Revolução de 1820

Em 24 de agosto de 1820, teve início no Porto a revolução liberal portuguesa, justamente no período em que Beresford havia viajado para encontrar D. João Vi no Brasil. O movimento ganhou adesão popular e até mesmo de Lisboa, que era a capital do reino, local onde ficou instalada a Junta Provisional do Conselho do Reino, que desbaratou a regência do marechal britânico.

Eleições para as Cortes Constituintes ocorreram em dezembro daquele mesmo ano, em que ficou estabelecida a regência de cinco membros que iniciaram a elaboração da Constituição, que foi aprovada em março de 1821. Proclamada à nação e jurada pelo rei, em Portugal, a primeira constituição portuguesa ficou estabelecida publicamente seis meses depois, em setembro.

Influência em terras brasileiras

Os segmentos sociais brasileiros, até então, apoiaram a Revolução do Porto, uma vez que o Brasil também iria usufruir de benefícios a partir do liberalismo do novo e revolucionário governo.

A exigência de que D. João VI cumprisse as decisões da Corte ganhou cada vez mais força, sobretudo depois que parcela dos militares, comerciante e funcionários portugueses uniram-se aos liberais brasileiros. Inclusive, em 26 de fevereiro de 1821, uma manifestação foi realizada no largo Rossio, atual Praça de Tiradentes, justamente para cobrar o cumprimento da constituição por parte do rei.

Pouco antes da partida das lideranças radicais para Portugal, uma pressão popular ocorreu para que o rei fizesse o juramento de uma cópia da Constituição espanhola para o Brasil, até que a constituição portuguesa chegasse ao país. À época, um tímido clima de conformidade reinava no país, mas somente até o retorno do rei para Portugal.


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