Tentativa de golpe fascista na Espanha

A Espanha tentava voltar a ser um país democrático. Mas, boa parte do exército era contra tal ideologia, por isso, lançou-se a tentativa de golpe


No ano de 1981, a Espanha tentava voltar a ser um país democrático, e para isso, os deputados se reuniram visando à redemocratização da referida nação. Entretanto, havia quem não aceitava esse tipo de governo, isto é, os militares, que de diversas formas tentaram reagir a mudança política do país. Para tanto, eles assaltaram o Congresso dos Deputados durante o processo de votação, invadiram a sede da Radio y Televisión Española (RTVE) e aterrorizavam os moradores da cidade de Valência.

Apesar de todo o esquema tático, os militares não conseguiram deflagrar o golpe devido a ineficiência para concluir as ações anteriormente colocadas em prática e pela ação bloqueadora do rei Juan Carlos. Assim, no mesmo dia que começou a tentativa de golpe, a mesma se viu fracassada.

Motivos que levaram a tentativa de golpe

O partido governista, chamado de União do Centro Democrático (UCD), não teve sucesso na contenção dos problemas provocados pela crise econômica. Desta forma, se sentiram pressionados e ameaçados pela Pátria Basca e Liberdade (ETA), organização terrorista que articulava inúmeros ataques e assassinatos, bem como alguns setores do exército, que não aceitam o sistema democrático que seria estabelecido.

Tentativa de golpe fascista na Espanha

Foto: Reprodução/internet

Para uma boa parte do exército, o melhor modelo de governo era o fascista. Um estilo ditador, sem brechas para ouvir a população. Como a Espanha estava em processo de democratização, se viram obrigados a reagir. A outra parte do grupo de militares ficaram satisfeitos com os sinais de mudança. Assim, a classe se encontrava dividida, entre os que estavam a favor e os contra o governo.

Em 1976, o governante Adolfo Suárez, com o apoio do general Gutiérrez Mellado, tiveram uma atitude que deixou os militares ainda mais irritados com a situação. De acordo com a Constituição espanhola de 78, o exército não tinha mais influência política e nem civil, em outras palavras, as forças armadas tinham, apenas, o simples papel de garantir a soberania e a independência do país.

Adolfo também legalizou o Partido Comunista, o que provocou a demissão em massa de vários cargos do exército. O rei não fazia nenhuma objeção à Suárez e isso irritava os militares prejudicados. Esses também eram os principais alvos do ETA e dos Grupos de Resistência Antifascistas Primeiro de Outubro (Grapo).

A tentativa e a frustração do golpe fascista

Em 1980, Alfonso Armada, Jaime Miláns del Bosch e o Antonio Tejero, organizaram três conspirações contra a situação dos próprios militares e política. Quando finalmente, em 1981, os planos começam a ser colocados em prática. Tejero e outros guardas civis invadem o Congresso dos Deputados em plena sessão de votação de investidura do candidato à chefia do governo.

Enquanto isso, outros grupos ocupavam o maior e o principal meio de comunicação da época, a RTVE, bem como as ruas da cidade de Valência. Apesar de todo o esquema, a missão falhou. Parte do fracasso se deu a falta de organização e o não conhecimento dos desdobramentos da tarefa, somadas à forte intervenção do rei Juan Carlos, que preferiu apoiar a Constituição e ir contra as ideias da ação militar.


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