Tese do branqueamento: o que é e por que aconteceu

O branqueamento foi apenas uma das tantas temáticas levantadas pelas teses eugenistas nos séculos XIX e XX. E seu objetivo era esbranquiçar os negros.


O que é possível ver no Brasil hoje é uma mistura de raças que vem sendo cultivada há séculos, desde o surgimento do país.

Quando os portugueses chegaram, já se encontravam diversas tribos de índios e depois da instalação do povo Português, vieram espanhóis, africanos, holandeses, italianos, japoneses etc.

Toda essa massa vivendo em um só território resultou no que chamam de miscigenação e é dessa mescla que originou-se os brasileiros.

Infelizmente, nem todas as cores de pele foram respeitadas nesse longo processo da história do Brasil. Todo mundo já ouviu falar no período da escravidão, que ocorreu em todos os países do mundo, inclusive no território brasileiro.

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Foto: Pixabay

O fato é que mesmo após a abolição da escravatura, os homens e as mulheres de qualquer idade, que eram de cor preta, não tinham nenhum direito civil.

Essa é uma realidade que ainda faz parte da história dos negros, mas no passado o preconceito era ainda pior, chegando a existir um conceito que desejava extinguir os povos africanos das terras tupiniquins, a chamada tese do branqueamento.

Afinal, o que foi a tese do branqueamento?

O branqueamento ou embranquecimento, foi apenas uma das tantas temáticas levantadas pelas teses eugenistas na segunda metade do século XIX e na primeira do XX.

Essa questão defendia a ideia de que existia um padrão genético superior na raça humana, isto é, os brancos. Fomentava, também, o conceito que essas pessoas detinham a melhor saúde, a maior competência civilizacional e possuíam a maior beleza.

Era uma enaltação da raça do homem branco europeu em detrimento das outras, como a “amarela” (asiáticos), “vermelha” (índios) e a negra (africanos).

Esse ponto de vista tinha como intenção esbranquiçar a população de cor “preta”. Depois da escravidão, os povos africanos e seus descendentes foram libertos do trabalho e “jogados” para as margens das cidades, sem nenhum um apoio governamental.

Não tinham dinheiro, casa, comida e muito menos algum apoio dos poderosos. Assim, os homens e as mulheres criaram moradias improvisadas, sem saneamento e água potável, vivendo cercados de doenças e molestas.

Somado a precariedade dos povos negros, foram abertos os portos do Brasil para novos imigrantes europeus. A tentativa era disseminar os negros já existentes- com a falta de assistencialismo- e esbranquiçar os seus descendentes, pois eles acreditavam que os mesmo ficariam mais brancos, progressivamente, a cada nova prole gerada.

Os adeptos e incentivadores da tese do embranquecimento no Brasil

D. Pedro II tinha como conselheiro, o conde e Ministro da França no Brasil, Joseph Arthur de Gobineau. Esse francês publicou o livro “Essai sur l’inégalité des races humaines” (Ensaio Sobre a Desigualdade das Raças Humanas), conhecido como a bíblia do racismo moderno.

O escritor acreditava que o território brasileiro era “sem futuro”, pois a quantidade dos povos mestiços (não brancos) era imensa. As ideias de Gobineau influenciaram pensadores e escritores brasileiros, à exemplo de Oliveira Vianna, na época um intelectual de peso no Brasil.

O fim da tese do branqueamento

As ideias racistas que tentaram colocar em prática nos séculos XIX e XX por todo o mundo, inclusive no Brasil desencadearam lutas históricas, como a segunda guerra mundial.

Encabeçada pela a Alemanha e por seus ideais nazistas-fascistas, impondo a superioridade ariana à todas as outras raças.

Após esse confronto, as teses racistas foram desacreditadas, ainda mais com o surgimento dos congressos feitos pela Organização das Nações Unidas (ONU).

O mundo ainda luta contra o preconceito racial. No final dos anos 80, foi criada a lei de número 7.716/89 que afirma que o racismo no Brasil é crime.

“Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.”

“Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.”


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