Universidade brasileira cria bebida nutritiva à base de inhame

Grupo da Ufal descobriu como utilizar as propriedades do inhame para combater intolerâncias ao glúten e à lactose


Na intenção de desenvolver algo que resolvesse as fortes intolerâncias que estamos submetidos ao trigo e à lactose, a professora e doutora Cinthia Guedes da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) desenvolveu uma bebida à base de inhame que tem tudo para ser o que faltava nas nossas mesas.

O inhame

Alimento muito rico em propriedades, o inhame tem inestimável valor nutritivo – pois, para além do seu potencial antioxidante e da sua já reconhecida importância para a prevenção do perfil hormonal das mulheres, a sua farinha enriquece a bebida devido às fibras que traz.

Imagem de inhame em feira

Foto: Reprodução/ TV Brasil

Intolerâncias

Segundo uma pesquisa realizada na Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), aproximadamente 40 milhões de pessoas no Brasil sofrem de intolerância à lactose. Piorando as estimativas, cerca de três milhões padecem de distúrbio celíaco, que indica a intolerância ao glúten. Somados, esses dados apontam uma tendência preocupante.

Pesquisadora e pesquisa

Cinthia Guedes concluiu sua tese de doutorado em 2014, trabalho onde estudou as propriedades do inhame. A partir de suas conclusões, vislumbrou que o tubérculo é, realmente, muito benéfico à saúde e pode contribuir na melhora de doenças e intolerâncias contemporâneas das quais somos acometidos.

Juntamente à sua turma de extensão, a professora estuda o desenvolvimento de uma bebida feita com o inhame que terá as propriedades necessárias para tratar as intolerâncias à lactose e glúten. A bebida contemplará dois aspectos: por um lado, o da saúde, que é explorado no mercado de suplementos e sachês em pó de probióticos, e o sensorial, focado no paladar, agregando valor ao tornar o consumo prazeroso em vez de penoso.

Imagem de estudantes da Ufal

Foto: Divulgação/ Ufal

Ainda em fase de testes

A longo prazo, a intenção é preparar a bebida para a fase de testes em pacientes com desbiose, isto é, trato gastrointestinal com a flora alterada – podendo ter muitos agentes causadores de doenças (patógenos), bem como a presença de fungos. Depois dos testes terem sido concluídos, espera-se tornar o consumo dessa bebida popular. O estudo atual está previsto para ser concluído em agosto de 2016, deflagrando-se, então, a etapa dos estudos clínicos.

“A bebida, por ser de origem vegetal, proporciona um sabor diferenciado. Ofertar isso no mercado é interessante, por propiciar as pessoas escolherem de qual a forma de probiótico o consumidor gosta mais e se adapta bem. É importante possibilitar a escolha”, comentou uma das estudantes participantes da pesquisa, Larissa Calheiros.


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