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Rio Nilo: a importância do rio e sua história

O Rio Nilo foi imprescindível para a existência e desenvolvimento de uma das civilizações mais conhecidas do mundo, a egípcia. Ele corta metade do continente africano, sendo o maior rio em extensão do mundo.

O Egito antigo se situava numa região árida e quente, próximo ao Deserto do Saara, e que não oferecia condições favoráveis para a prosperidade humana. A presença do Rio Nilo possibilitou isso e ainda tornou numa das regiões mais ricas do mundo até os dias de hoje.

Não é a toa que Heródoto, considerado o pai da história, criou a frase que melhor sintetiza a importância desse rio: “o Egito é uma dádiva do Nilo”.

História e características do Rio Nilo

Com cerca de 6.882 km de comprimento, o Rio Nilo é o maior rio da África, ele cruza metade do continente africano, e também é considerado o maior rio do mundo, logo depois está o Rio Amazonas, com uma extensão de 6.400 km.

Aldeia as margens do Rio Nilo

As margens do Rio Nilo possibilitou o desenvolvimento de diversas aldeias (Foto: depositphotos)

Nome

O Rio Nilo carrega grande quantidade de sedimentos, de adubo, tudo isso porque se concentrou nele boa parte da vida que congelou na última glaciação. Por isso que as diversas origens do seu nome remetem a sua tonalidade.

Em latim, nilus, significa “negro“, por causa da cor escura das suas águas. Na língua dos povos axumitas, que viviam ao sul do rio, Nilo é proveniente de Neilos, um termo grego que nomina “o rio azulado”.

Nascente

Rios muito grandes em comprimento são difíceis de ter suas nascentes especificadas, porque possuem ligações com diversas fontes. O rio Rukarara, na região oeste de Ruanda, é apontado como a mais possível nascente do Rio Nilo. No entanto, ainda se discute a precisão do seu nascimento.

Delta do Nilo

O Delta do Nilo é uma região plana que possui uma bifurcação de canais que desembocam no Mar Mediterrâneo. Em uma das nascentes do rio, a 1200 km do delta do Nilo formam-se chuvas torrenciais, que são chuvas que acontecem em pequenas zonas muito especificas, que não chegam até as cidades, e são muito fortes, acarretando na cheia do rio que desce por toda a sua extensão.

Cheias do Nilo

Uma das principais características do rio Nilo são as cheias. Além do fornecimento de água, existem sedimentos, adubo em seu fundo. A cheia movimenta todo o interior do rio, trazendo à tona todos os nutrientes necessários para o solo.

O sagrado e o terreno não eram separados pelos povos da Núbia e do Egito, que são os que habitam o entorno do rio Nilo, fenômenos naturais como as cheias eram considerados como bençãos, uma vez que possibilitavam o plantio, mas também como castigo, quando aconteciam as inundações que destruíam as aldeias. Era sinal que ele não havia sido bem cultuado.

Devido as cheias fortes, em toda a extensão das margens do rio Nilo, aldeias eram alagadas e várias pessoas ficavam sem casa. As chuvas que provocavam esse fenômeno eram anuais e bem isoladas, mas o que elas traziam modificava a região pelo resto do ano e ainda é assim.

Nos períodos dessas cheias fortes, plantações apodreciam, a fome aparecia, crianças morriam e a população tinha que recorrer ao canibalismo.

O Rio Nilo tinha essa ambiguidade, ao mesmo tempo que era a principal ferramenta para o desenvolvimento humano na região, também trazia a destruição.

Catarata no Rio Nilo

Ao longo do Rio Nilo existem muitas cataratas (Foto: depositphotos)

Barragens

Devido às cheias, os egípcios precisaram desenvolver engenharias de contenção e armazenamento de água. Para protegerem suas aldeias sem ficarem longe do rio, aprenderam a construir barragens, dessas que hoje conhecemos. Além de salvaguardar contra inundações, as barragens também impediam as águas de baixarem seu nível rápido demais, possibilitando o abastecimento durante os meses mais secos.

Essas barragens eram feitas muito próximas das cidades, os egípcios tinham consciência de que se rompessem, as casas estariam arrasadas. Por isso construíram duas muralhas que tinham a base maior que a parte de cima, desta forma era possível conter a água nos reservatórios e fora das cidades.

Essas barragens ainda existem ao longo do Nilo, sendo a maior e mais importante a grande Barragem de Assuã. Para a construção dessa barragem, a cidade de Filae foi submergida e transportada para outro lugar tempos depois.

Cataratas

Ao longo do rio encontram-se muitas cataratas, sendo a mais conhecida a da região de Assuã, única que ainda está em território egípcio atualmente. Essa catarata, na antiguidade, era a fronteira do Alto Nilo com o Baixo Nilo, a região do Egito e da Núbia.

Rota comercial

O Rio Nilo tem uma curiosidade: ele vai na direção norte da África, corre para cima, desaguando no Mar Mediterrâneo. O Mar Mediterrâneo, é o maior mar continental do mundo, sendo um pedaço do Oceano Atlântico e tendo como braço o Mar Negro. Ele liga diversas regiões da Europa com o Oriente e a África, tornando-o uma rota marítima muito importante e, consequentemente, fazendo do Nilo um pedaço de grande valor comercial.

Portos e canais

Uma rede de portos e canais no rio Nilo foi construída para aproximar as regiões e outros continentes comercialmente. Desde a antiguidade, os egípcios praticamente não precisaram do desenvolvimento de transportes terrestres, visto que pessoas, mercadorias e até animais poderiam ser deslocados pelo Nilo e depois para o Mar Mediterrâneo.

Povos do Nilo

Pintura egípcia

Os egípcios registraram a importância do Nilo em pinturas (Foto: depositphotos)

As margens do Rio Nilo foram povoadas desde o período paleolítico. Os humanos encontraram formas de sobreviver graças as cheias desse rio que alimentava todo o solo perto. Isso proporcionava uma abundância de frutos e frutas que poderiam ser coletadas, já que os humanos ainda não tinham desenvolvido a agricultura.

Por sua vez, naquela região, a agricultura só foi possível também graças ao rio, que além de transportar os sedimentos que alimentavam o solo, também deu aos humanos a possibilidade de criar canais para a irrigação de áreas mais distantes.

A viabilidade da agricultura é o que dá origem aos primeiros reinos, consequência do processo de sedentarização dos homens. O entorno do rio Nilo foi povoado com diversas aldeias que deram origem a vários reinos importantes para a história.

Podemos conhecer os povos que viviam perto do Rio Nilo dividindo em Baixo Nilo e Alto Nilo. Sendo o alto Nilo a parte de baixo, ao sul e o baixo Nilo, a parte de cima, ao norte, onde o rio deságua no Mar Mediterrâneo.

Com as margens muito estendidas, o rio Nilo foi uma possibilidade de sobrevivência para diversos povos que viviam no continente africano. Sabe-se, por exemplo, que o Egito não foi constituído apenas por um povo, mas pela unificação de diversos povos que viviam às margens desse rio.

A economia daquele entorno era basicamente agrária, devido a facilidade de plantação. A agricultura em pleno desenvolvimento e a tentativa de ataque de outros povos na região levaram a necessidade de unificação e de centralização do poder. Ao mesmo tempo que o Nilo proporcionava uma rota comercial forte pelo Mar Mediterrâneo, ele deixava os reinos dali muito visíveis para nações que estavam em processo de expansão.

Egito

O reino formado pelo processo de unificação desses povos da margem é o Egito. Em 3.100. a.C., o processo de centralização do poder na região ficou mais forte no Baixo Nilo, com a tomada de posse do rei Menés, tornando-se assim o primeiro faraó do Egito.

Núbia

No entanto, os reinos que estavam na parte sul, o chamado Alto Nilo, se mantiveram independentes e formaram a Civilização Núbia. A cidade de Siene que fazia fronteira com o Baixo Nilo unificado era a mais importante porque convergia o maior fluxo comercial da região.

Unificação dos povos

Os egípcios tiveram muitos conflitos com os núbios, principalmente pela quantidade de ouro, marfim e ébano que eles tinham, e que mantiveram por muito tempo a sua independência do Egito, mesmo com esses conflitos. Era uma região muito rica, embora não tenham desenvolvido a escrita e deixado seus próprios registros, com as tentativas de tomada da região e o registro disso, os egípcios deixaram importantes informações sobre a região.

Na 18º dinastia egípcia, a Núbia foi tomada e anexada ao território egípcio, que mesclou a sua cultura aos reinos núbios.

Referências

» KOENIG, Viviane; AGEORGES, Véronique. Às margens do Nilo: Os egípcios. Editora: Augustus, 1998.

» LUDWIG, Emil. O Nilo: Biografia de um rio. 5ª ed. Editora: Globo, 1948.

» DERSIN, Denise. Histórias cotidianas às margens do Nilo: 3050-30 a.C., Editora: Folio, 2007.

» JACQ, Cristian. Barragem no Nilo. Editora: Bertrand, 1996.

Sobre o autor

Prof. Larissa Dutra
Historiadora e professora, com formação pela UNESA do Rio de Janeiro. Pós-graduada em edição editorial. Trabalha no ensino básico, cursinhos, ministra oficinas, é revisora e editora de livros. Sua pesquisa central é sobre livros, cinema e ditadura militar na América Latina.