Alexandre, O Grande: quem foi e o que conquistou

Alexandre, o grande, carrega na sua história feitos heroicos que o destinou a ser um dos reis mais conhecidos do mundo.

Alexandre Magno ou Alexandre III da Macedônia, como também era conhecido, foi um dos maiores reis gregos da história e uma de suas marcas foi a expansão militar do seu império. Ele era filho de Filipe II, rei da Macedônia, e de Olímpia, princesa grega. Nasceu em 356 a.C. na cidade de Pela, acredita-se que no dia 20 de julho.

Aos 13 anos, passou a ser educado pelo filósofo grego Aristóteles, com quem aprendeu sobre retórica, medicina, geografia, filosofia, artes e sobre a história das grandes proezas de guerra.

Esclarecido, e tendo herdado o militarismo do pai,  Alexandre, o grande, tomou para si as práticas militares e passou a maior parte do tempo de seu reinado em expedições conquistadoras.

Estátua de Alexandre, o grande, em seu cavalo

Alexandre, o grande, foi um rei macedônio famoso por sua expressiva expansão territorial (Foto: depositphotos)

Império e conquistas de Alexandre, o grande

Ele conquistou com as suas campanhas expansionistas: o nordeste da África, incluindo toda região mesopotâmica, e a Ásia. Tendo chegado a lugares remotos, como a Índia. Antes de completar 30 anos seu império se estendia da Grécia ao Egito, até o noroeste da Índia, tornando-o em um dos maiores da antiguidade, e o mais temido. O seu exército contava com uma força bélica nunca antes vista.

Declínio grego

Em 338 a.C., o cenário era de guerra na Grécia. Após Atenas, cidade grega, ter sido dominada pelos espartanos, os dois exércitos travam um conflito para a conquista do direito de governar a região, e que já durava 27 anos. A Grécia estava em declínio e apatia.

Ascensão da Macedônia

Numa região mais afastada, estava a Macedônia, que não tinha uma herança de lideranças políticas, mesmo sendo rica em recursos naturais e mão de obra. Os gregos das grandes cidades-estados consideravam os macedônios primitivos e incivilizados. Em 382 a.C., quando o rei Felipe subiu ao comando da Macedônia, isso passou a mudar.

Rei Filipe II, pai de Alexandre

Filipe II estabeleceu um dos exércitos mais fortes que a Grécia já tinha conhecido e colocou o seu governo sob dois eixos: diplomacia e força.

O projeto do pai de Alexandre era fazer alianças com as cidades-estado vizinhas, implementar táticas novas de combate e desenvolver equipamentos de guerra. O serviço militar, que antes era uma obrigação esporádica, se tornou um trabalho em tempo integral.

Ele também criou uma estratégia inovadora de luta: as falanges gregas, agrupamentos em retângulo de homens com lanças que marchavam rápido e em conjunto, e que mais pareciam tanques de guerra.

Foi também idealização dos engenheiros de guerra de Filipe as catapultas. Todos esses procedimentos transformou para sempre a forma de guerrear.

Batalha de Queroneia (338 a.C.)

Em 338 a.C., Filipe II seguiu com seu exército em direção a Grécia, onde conseguiu dominar o exército de Atenas e Tebas, na Batalha de Queroneia. Alexandre, com 18 anos, guerreou ao lado do pai.

No entanto, diferente do que costumava acontecer, os derrotados não foram escravizados. Quando dominaram as cidades-estado grega, Alexandre e seu pai permitiram que o povo voltasse para suas casas e suas rotinas sem medo.

Apesar da rixa entre gregos e macedônicos, um dos pilares do governo de Filipe II era a diplomacia. Tanto que ele convocou filósofos gregos para a sua corte. A influência do pai, moldou os passos de Alexandre.

Morte do pai

Antes da batalha contra a Pérsia, Filipe II estava na frente de seu exército, indo para uma celebração pública, quando foi apunhalado pelas costas por um de seus guarda-costas. Não existe comprovação se isso fez parte de uma conspiração ou se foi um ato isolado, porque antes mesmo de tentar fugir, os guardas mataram o agressor.

Filipe II morreu, aos 46 anos, sem realizar seu grande sonho: conquistar o império persa, poder absoluto da região, pois dominava as terras do Oriente Médio e da Ásia menor. Com a morte do pai, Alexandre, então com 20 anos, assume o poder e toma para si o desejo do pai.

Alexandre III, rei da Macedônia

Em 336 a.C., Alexandre se tornou imperador grego. Além de todo o poder, ele também herdou o imponente e forte exército macedônio. Dois anos depois, partiu em busca da dominação do império persa.

Conquista da Pérsia

Batalha de Grânico

A primeira conquista de Alexandre sem o pai, foi em Helesponto, lugar onde hoje fica a Turquia, iniciando a investida contra o Império da Pérsia, então o maior império do mundo. As tropas de Alexandre travaram a primeira grande batalha contra os persas, na Batalha de Grânico, saindo vitoriosos.

Para se prevenir contra ofensivas de novas tropas persas espalhadas pelos demais territórios dominados por eles, Alexandre fechou os portos, neutralizando a marinha inimiga.

Batalha de Isso

Persas e grego-macedônios novamente se encontraram, dessa vez no lugar onde hoje é a Síria. Na Batalha de Isso, Alexandre vence mais uma vez.

Cerco de Tiro

Em seguida, o exército segue para a cidade portuária de Tiro, que era dividida em duas porções: continental e ilha. Alexandre domina a parcela do continente, mas na ilha existia uma fortaleza, quase que impossível de ultrapassar, com muros de mais de 45 metros de altura. Nela estava uma enorme esquadra persa.

Para poder avançar com suas tropas, Alexandre tentou a diplomacia, enviando mensageiros com tratados de paz, mas eles foram assassinados em negativa ao acordo.

Os engenheiros macedônicos, então, criaram uma torre de cerco, uma espécie de carro de guerra blindado com couro e com rampa de acesso, possibilitando que o exército conseguisse ultrapassar a muralha inimiga.

Império egípcio

O povo egípcio estava sob o domínio dos persas e via em Alexandre sua salvação. Após conquistar Tiro, Alexandre e sua tropa marcharam em direção a Palestina, tomando todos os locais pelos quais passava, até chegar às muralhas egípcias. Além da cultura ser atraente, lá havia enormes celeiros de plantação de trigo, o que resolvia seus problemas de suprimento.

Não houve matanças no Egito. O povo recebeu Alexandre como um libertador, tendo o coroado como faraó, uma divindade terrena, filho de Amon, a divindade mais poderosa do Egito antigo.

Como era de costume, Alexandre batizava as cidades conquistadas de Alexandria. Mas foi a Alexandria do Egito que ganhou o status de centro cultural, sobretudo porque abrigava uma enorme biblioteca, que atraia intelectuais e estudiosos da época.

É nessa cidade também que estava o Farol de Alexandria, monumento com 130 metros de altura e considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo.

Batalha de Gaugamela (331 a.C.)

Em Arbela, centro do poder da Pérsia, Alexandre e suas tropas enfrentam os rivais pela última vez. A Batalha de Gaugamela ficou marcada na história como uma das mais importantes e decisivas, sobretudo porque Alexandre e sua frota estavam em número expressivamente menor, aproximadamente 40 mil homens, enquanto que o inimigo totalizava cerca de 250 mil homens. Com a vitória, a Pérsia deixa de existir e Alexandre se consagra como Senhor da Ásia.

Conquista da Índia

Alexandre, o grande, dominou a Índia, ocupando facilmente as cidades indianas. Para consolidar seu poder naquele território, ele se casou com Roxana, princesa indiana.

O choque de costumes, o cansaço e o longo período longe de casa fizeram com que o exército de Alexandre cobrasse o retorno a Grécia. Alexandre então decide encerrar o avanço do seu império.

Morte de Alexandre, o grande

Voltando para casa, Alexandre decide passar um tempo na Babilônia, que já fazia parte do seu império e que era uma importante rota comercial. Ele desejava restruturar o lugar, quando foi acometido por uma febre que o deixou na cama em constantes variações mentais por mais de 10 dias.

Em 323 a.C., aos 32 anos de idade, no auge das suas campanhas militares e com um longo trabalho de implementação da cultura helenística, Alexandre, o grande, morreu no palácio de Nabucodonosor.

Nada se sabia a respeito do que havia acontecido, na época todos achavam que ele estaria com alguma doença que tivesse pego na sua permanência na Índia.

Historiadores cogitaram a malária, ou a febre tifoide, no entanto, um estudo sobre os efeitos tóxicos das flores brancas de heléboro apontou similaridade nas reações sentidas por ele no processo de morte, indicando um possível envenenamento. Entretanto, essa teoria não é um consenso.

Alexandre, o Grande, assumiu o comando do exército aos 20 anos de idade, nunca perdeu uma batalha e morreu antes de completar os 33 anos, deixando um vasto império que partia da Europa à Índia, na Ásia, e que somava as terras do Egito e Afeganistão.

Sua morte inesperada foi o fim do império alexandrino que não tinha nenhum sucessor.

Declínio do império

Após o falecimento, seu império entrou em guerra civil. Alexandre havia implementado uma política de repartição do território devido a sua ampla extensão. Toda a área deveria então ser repartida, a exemplo do que conhecemos como estados, e um general deveria governá-la, eles passariam a ser chamados de diádocos.

Com a morte de Alexandre consumada, os diádocos começaram a guerrear entre si em uma disputa de poder que gerou intensa crise e instabilidade política, levando o império de Alexandre a ruir tão rápido quanto foi construído.

Cultura helenística

A ambição de Alexandre era consolidar o modo de viver grego, suas culturas e costumes, em todas os territórios por ele conquistados. Ele executou um processo de acomodação e assimilação onde determinava que seus soldados casassem com mulheres locais e começassem a difundir a cultura grega. Essa invasão de ideais da cultura grega, liderada por Alexandre, ficou conhecida como helenismo.

Em 325 a.C. ele havia expandido o mundo grego em 4800 km, implantando a língua grega nas transações comerciais mundiais, modificando a arquitetura das regiões submetidas, aplicando a estética grega e seus enormes pilares.

Os centros comerciais passaram a ser chamados de ágora.

Legado

Os teatros gregos são as grandes heranças que temos até hoje. O teatro de Epidauro é um dos mais estudados e conhecidos, em formato de cilindro e com inclinação, nele cabem até 14 mil pessoas e tem uma acústica impressionante. A estrutura inspirou os coliseus romanos e os estádios que ainda temos. O lance da arquibancada foi pensado pelos gregos para que se dividissem as tribos sem conflitos.

Referências

» DROYSEN, Johann Gustav. Alexandre O Grande. Rio de Janeiro: Contraponto 2010.

» GREEN, Peter; MONTAVANI, Rafael. Rio de janeiro: Objetiva 2014.

Sobre o autor

Prof. Larissa Dutra
Historiadora e professora, com formação pela UNESA do Rio de Janeiro. Pós-graduada em edição editorial. Trabalha no ensino básico, cursinhos, ministra oficinas, é revisora e editora de livros. Sua pesquisa central é sobre livros, cinema e ditadura militar na América Latina.