Biografia de Alvarenga Peixoto

O poeta e advogado se juntou à Inconfidência Mineira para protestar pelos pesados impostos cobrados por Portugal

Advogado, poeta e um dos principais articuladores da Inconfidência Mineira, Inácio José de Alvarenga Peixoto foi o responsável pela inscrição latina na bandeira de Minas Gerais Libertas quae sera tamen (Liberdade, ainda que tardia, em tradução livre).

Mesmo não tendo chegado a publicar nenhum livro, Alvarenga Peixoto publicou alguns poemas que seguiam a escola literária do arcadismo, também chamado de neoclassicismo.

Juventude de Alvarenga Peixoto

Nascido na cidade do Rio de Janeiro, em 27 de agosto de 1742, Inácio José de Alvarenga Peixoto era filho do português Simão de Alvarenga Braga e da brasileira Ângela Micaela da Cunha Peixoto.

Alvarenga Peixoto se juntou à Inconfidência Mineira para protestar pelos pesados impostos cobrados por Portugal

Inácio José de Alvarenga Peixoto era filho do português, mas nasceu no Rio de Janeiro (Foto: Reprodução/Alchetron)

Ainda em sua cidade natal, deu início ao seus estudos no Colégio dos Jesuítas tendo, mais tarde, aos nove anos de idade, se mudado para a cidade de Braga, em Portugal, onde concluiu o curso secundário.

Mais tarde, em 1760, vai para a cidade portuguesa de Coimbra, onde dá início ao curso de Leis (equivalente à direito), o qual foi interrompido por um período no qual voltou ao Brasil e só viria a ser concluído em 1767.

Carreira profissional

Após encerrar o ensino superior, atuou como professor de uma das cadeiras do curso. Em 1769, foi nomeado juiz da vila portuguesa de Sintra, onde permaneceu até 1772.

Após escrever e ler publicamente um poema em louvor ao Marquês de Pombal, é nomeado ouvidor da Comarca de Rio das Mortes.

Após a designação, Alvarenga Peixoto voltou ao Brasil e passou a morar na cidade de São João del Rei, em Minas Gerais. Mais tarde, viria a abandonar o cargo, atuando como minerador já que o estado vivia uma febre de ouro e diamantes.

Em 1785, foi nomeado pelo governador da capitania de Minas Gerais, Luís da Cunha Menezes, como coronel do Primeiro Regimento da Cavalaria do Rio Verde.

Inconfidência Mineira

Após deixar de lado a magistratura, dedicando-se à agricultura e mineração no sul do estado de Minas Gerais.

Durante essa época, fez amizades com pessoas poderosas e intelectuais, já que ele partilhava das ideias libertárias decorrentes do iluminismo.

Entre as personalidades mais próximas de Alvarenga Peixoto, estão os poetas Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga, Padre José da Silva e Oliveira Rolim, o militar Joaquim Silvério dos Reis e Joaquim José da Silva Xavier, nome de batismo de Tiradentes. 

Veja também: História de Tiradentes, líder da Inconfidência Mineira

Penalidade e morte

Se juntou à Inconfidência Mineira a fim de protestar pelos pesados impostos cobrados pelo Reino de Portugal. Em decorrência do fracasso da revolta, foi preso em 1789 e, após três anos, condenado a morte.

Graças a um mecanismo jurídico da época, Alvarenga Peixoto conseguiu reverter sua pena de execução, para um exílio, em Luanda, capital da Angola.

Morreu dois meses após chegar na capital do país africano, vítima de uma febre tropical que assolava a região.

Bandeira de Minas Gerais

A bandeira dos inconfidentes, que mais tarde viria a se tornar a bandeira do estado de Minas Gerais, foi de autoria do próprio Alvarenga Peixoto.

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De cor branca, com um triangulo vermelho no centro, a bandeira traz o lema que foi símbolo dos inconfidentes LIBERTAS QUÆ SERA TAMEN, que significa “liberdade ainda que tardia”.

O trecho foi tirado da obra do poeta latino Virgílio, chamado Bucólicas. O vermelho do triangulo, simboliza revolução enquanto a forma geométrica em si, representa a santíssima trindade.