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Biografia de Ariano Suassuna

Ariano passou a ocupar a cadeira de nº 32 na Academia Brasileira de Letras

O escritor, poeta, romancista, ensaísta, dramaturgo, professor e advogado Ariano Vilar Suassuna nasceu em 16 de junho de 1927 na cidade de Nossa Senhora das Neves, lugar que se tornaria, anos mais tarde, a capital do estado, João Pessoa. Seu pai era João Suassuna, ex-governador da Paraíba, que seria assassinado quando o pequeno Ariano tinha apenas três anos de vida. Sua mãe era Rita de Cássia Villar.

Depois do assassinato do pai de Ariano, por motivos políticos em plena revolução de 1930, a família se mudou para o interior do estado, em uma cidade chamada Taperoá.

Biografia de Ariano Suassuna: Primeiros contatos com a arte

Segundo relatos do próprio Ariano foi nessa época que ele passou a conhecer a cultura do Nordeste, por meio do som das violas e de apresentações artísticas de mamulengo.

Aos 11 anos, Ariano se muda com a família para Recife, capital do estado vizinho, Pernambuco. Na cidade, ele estudou em colégios tradicionais: o Americano Batista, Oswaldo Cruz e Ginásio Pernambucano.

Ariano Suassuna passou a ocupar a cadeira de nº 32 na Academia Brasileira de Letras

Ariano Suassuna foi escritor, poeta, romancista, ensaísta, dramaturgo, professor e advogado (Foto: depositphotos)

Em 1946, Ariano entra na Faculdade de Direito e funda o Teatro do Estudante de Pernambuco. Apenas um ano depois, já escreve sua primeira peça chamada: “Uma Mulher Vestida de Sol”, em seguida, monta “Cantam as Harpas de Sião”.

O Auto da Compadecida e principais obras

Em 1950, formou-se em Direito e passou a atuar como advogado, recebeu o prêmio Martins Pena pelo Auto de João da Cruz. Em 1951 ficou doente e para se tratar da doença pulmonar voltou a morar em Taperoá, onde escreveu e montou a peça Torturas de um Coração. Um ano depois Ariano volta a morar em Recife, lá ele dedica-se à advocacia e ao teatro.

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Em 1953 ele cria O Castigo da Soberba, no ano seguinte O Rico Avarento e em 1955 ele cria O Auto da Compadecida, essa é uma de suas obras mais conhecidas, em 1957 foi encenada pelo Teatro Adolescente do Recife e conquistou a medalha de oura da Associação Brasileira de Críticos Teatrais. Essa peça fez tanto sucesso que foi traduzida e representada em vários países além de ter sido adaptada para o cinema, que foi outro grande sucesso.

Professor da UFPE

No ano de 1956, Ariano abandonou a advocacia e passou a lecionar aulas de Estética na Universidade Federal de Pernambuco. No ano seguinte sua peça O Casamento Suspeitoso foi encenada em São Paulo pela Cia. Sérgio Cardoso. Ainda em 1957, mais precisamente no dia 19 de janeiro, casou-se com Zélia de Andrade Lima, com ela teve seis filhos. A peça O Santo e a Porca também foi encenada este ano pela Cia. Sérgio Cardoso.

Em 1958, foi encenada a peça O Homem da Vaca e o Poder da Fortuna, em 1959 A Pena e a Lei, que foi premiada dez anos depois no Festival Latino-Americano de Teatro. Ainda neste ano, fundou o Teatro Popular do Nordeste, junto a Hermilo Borba filho. Montou a peça A Farsa da Boa Preguiça, em 1960 e A Caseira e a Catarina em 1962.

Em 1967 se tornou membro fundador do Conselho Federal de Cultura, permaneceu lá de 1967 a 1973, no ano de 68 fez parte do Conselho Estadual de Cultura de Pernambuco, onde permaneceu até 1972. E em 1969, foi nomeado pelo Reitor Murilo Guimarães, diretor do Departamento de Extensão Cultural da Universidade Federal de Pernambuco, ficando neste cargo até 1974.

Movimento Armorial

Um ano após ser nomeado diretor do Departamento de Extensão Cultural da UFPE, ele inicia o Movimento Armorial, o objetivo desse movimento era valorizar e tornar mais evidente os vários aspectos da cultura do Nordeste brasileiro, desenvolvendo todas as formas de expressão populares da região.

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Ariano convidou músicos muito conhecidos da época para participar deste movimento e no dia 18 de outubro de 1970, aconteceu um concerto em Recife, Igreja de São Pedro dos Clérigos, “Três Séculos de Música Nordestina – do Barroco ao Armorial” onde os músicos convidados tocaram e ainda neste evento houve uma exposição de gravura, pintura e escultura.

Conciliando romances e docência

Em 1971 iniciou sua trilogia com o livro O Romance d’A Pedra do Reino e O Príncipe do Sangue que vai-e-volta, o terceiro livro foi lançado em 1976, História d’O Rei Degolado nas Caatingas do Sertão: ao Sol da Onça Caetana. Essa trilogia foi classificada por ele como “romance armorial-popular brasileiro”. Os dois primeiros romances dessa trilogia foram relançados em 2005 e essa segunda edição esgotou completamente em menos de um mês, algo surpreendente, pois este volume possuía quase 800 páginas.

Em 1975 foi nomeado Secretário de Educação e Cultura do Recife, onde permaneceu até 1978. Fez doutorado em História pela UFPE em 1976 onde defendeu a tese de livre-docência A Onça Castanha e a Ilha Brasil: Uma Reflexão sobre a Cultura Brasileira. Foi professor por mais de 30 anos, e neste tempo ensinou Estética e Teoria do Teatro, Literatura Brasileira e História da Cultura Brasileira.

Ingresso na Academia Brasileira de Letras

No ano de 1990, Ariano passou a ocupar a cadeira de nº 32 na Academia Brasileira de Letras, três anos depois foi eleito para a cadeira nº 18 da Academia Pernambucana de Letras. Em 1994 ele se aposenta pela UFPE e, em seguida, se torna Secretário de Assuntos ao Governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Em 2000, passou a ocupar a cadeira de nº35 da Academia Paraibana de Letras.

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Curiosidades da Biografia de Ariano

Ariano construiu em São José do Belmonte, no estado de Pernambuco, local onde ocorre a cavalgada inspirada em seu primeiro romance, um santuário ao ar livre. Este santuário possui 16 esculturas de pedra, com aproximadamente 3,50 metros de altura cada uma, são distribuídas em um círculo, representando o sagrado e o profano. As três primeiras imagens do santuário são Jesus, Nossa Senhora e São José, que é o padroeiro do município.

Morte de Ariano Suassuna

Ariano Suassuna morreu na capital pernambucana, no dia 23 de julho de 2014, decorrente das complicações de um AVC hemorrágico. Suas obras foram adaptadas para o cinema e televisão e são aclamadas por especialistas e pelo público brasileiro.

*Com colaboração de  Priscila Freire