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Biografia de Dom Pedro II

Nomeado regente soberano do Império do Brasil aos 15 anos de idade, Dom Pedro II realizou mudanças e revoluções no país

Membro da Casa de Bragança, uma das últimas famílias reais soberanas do Reino de Portugal; filho de Dom Pedro I e último imperador do Brasil, Dom Pedro II, o Magnânimo, foi nomeado príncipe regente aos cinco anos de idade e aos quinze, teve a maioridade diminuída e foi coroado Imperador do Brasil.

Segundo e último Imperador do país, já que após 49 anos sofreu o golpe que ficou conhecido como Proclamação da República; Pedro II foi um regente responsável por grandes mudanças no país e mencionado por figuras importantes, como Charles Darwin e Friederich Nietzche.

Mas afinal de contas, o que o torna tão especial? Conheça a história da vida de Dom Pedro II:

Infância de Dom Pedro II

Dom Pedro II realizou mudanças e revoluções no Brasil

Dom Pedro II foi nomeado regente soberano do Império do Brasil aos 15 anos de idade (Foto: Reprodução/Wikimedia Commons)

Nascido em 2 de dezembro de 1825 no Rio de Janeiro, Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga, filho caçula de Dom Pedro I e Dona Maria Leopoldina da Áustria foi batizado em homenagem à São Pedro de Alcântara, santo considerado padroeiro do Brasil.

Por parte do pai, ele era membro da Casa de Bragança e desde que nasceu já tinha o título de Dom, um pronome de tratamento dado para pessoas com descendência direta de famílias nobres. Já pelo lado materno, Pedro II era neto de Francisco II, último monarca do período do Sacro Império Romano-Germânico e sua tia, Maria Luísa de Áustria, foi a segunda esposa de Napoleão I.

Como único sobrevivente dos três filhos de sexo masculino que o Imperador e sua esposa tiveram, Pedro II foi reconhecido como herdeiro oficial ao trono brasileiro em 6 de agosto de 1826.

Perda da mãe

Em 11 de dezembro de 1826, poucos dias após o aniversário de um ano de idade de Dom Pedro II, a Imperatriz Leopoldina morreu em decorrência de complicações no parto. A criança também nasceu morta. Dois anos depois, Dom Pedro I casou-se com Amélia de Leuchtenberg, filha da princesa da Baviera, Augusta da Baviera e do general Eugênio de Beauharnais, que foi adotado por Napoleão após este se casar com sua mãe.

Pai volta para Portugal

Após Dona Maria II, imperatriz de Portugal, ter tido o trono usurpado por seu tio, Miguel I, Dom Pedro I decidiu abdicar o trono do Império do Brasil e voltar para Portugal, em 7 de abril de 1831, a fim de lutar e restaurar o lugar de sua filha na coroa. Deixado no Brasil com apenas cinco anos de idade, Pedro II tornou-se imperador constitucional.

Imperador solitário

Com a perda súbita de seus pais, Pedro II tinha uma rotina de estudos dura, com apenas duas horas livres para recreação. Por ter tido poucos amigos de sua idade e ter contato limitado com suas irmãs, Pedro II encontrava nos livros um tipo de refúgio e os usava para fugir do “mundo real”.

Coroação de Dom Pedro II

O intervalo de tempo entre 1831 e 1840, é até hoje citado nos livros de história e publicações do tipo como o período mais conturbado da história do Brasil. Por ser muito jovem quando nomeado imperador, Dom Pedro II não podia governar, logo foi criado um conselho de estado, chamado regência trina, para governar o país enquanto o jovem regente não atingia a maioridade etária.

Durante esse período, aconteceram várias rebeliões e motins, como a cabanagem e a guerra dos farrapos, motivadas pelo descontentamento com o poder e atritos entre as facções políticas do período.

A ideia de diminuir a maioridade a fim de que o jovem Dom Pedro II, pudesse ser considerado apto para exercer seu papel como Imperador, era algo cogitado e apoiado pelos dois principais partidos políticos da época e pela população. No dia 23 de julho de 1840, a Assembleia Geral declarou Pedro II, como maior de idade aos 14 anos. Sua coroação e consagração aconteceu em 18 de julho de 1841.

Segundo reinado

O período no qual Dom Pedro II governou o Império do Brasil durou de 23 de julho de 1840, período no qual o período regencial chegou ao fim, à 15 de novembro de 1889, data em que a monarquia constitucional parlamentarista do país foi derrubada por um golpe de estado e o Brasil foi proclamado república presidencialista.

Durante o início de seu reinado, Dom Pedro II buscou pacificar o país, que passou por várias revoltas durante o período regencial, fazendo várias viagens diplomáticas às províncias que descadeavam mais conflitos.

Em 30 de maio de 1843, alguns anos após ser coroado como regente do Império do Brasil, Pedro casou-se com a princesa do Reino das Duas Sicílias, Teresa Cristina Maria de Bourbon, com quem teve quatro filhos mas só duas garotas, as princesas Isabel e Leopoldina, sobreviveram.

Feitos de Dom Pedro II

Considerado mais progressista e liberal que seu pai, o governo de Pedro II trouxe um considerado avanço ao país. Entusiasta da tecnologia, ele sempre tentava trazer inovações que via em outros países durante as suas viagens.

Foi em seu governo que foram construídas as primeiras linhas telegráficas e a primeira estrada de ferro do Brasil.

Além de um grande fã de arte, principalmente literatura, Dom Pedro II foi grande defensor da importância da educação; o monarca sempre afirmou que se não fosse imperador, gostaria de ser professor. Foram criadas durante a sua regência: o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro; Imperial Academia de Música e Ópera Nacional e o Colégio Pedro II.

O imperador ainda oferecia bolsas de estudo para brasileiros terem a possibilidade de estudar em universidades, escolas de arte e conservatórios de música na Europa.

Abolicionismo

O Brasil foi o último país da America Latina que aderiu à abolição da escravatura; mas ao contrário do que muitos pensam, isso não foi algo que teve seu início na década de 1880. Desde jovem, Dom Pedro II já mostrava seu descontentamento com a escravidão, afirmando que a mesma era uma vergonha nacional; além do fato do imperador nunca ter tido nenhum escravo.

Em 4 de setembro de 1850, foi sancionada a Lei Eusébio de Queirós, norma que pode ser considerada o início do abolicionismo visto que esta proibia o tráfico negreiro pelo oceano atlântico, que liga diretamente o Brasil à África. Por não ter poderes constitucionais para acabar com a escravidão, o imperador ameaçou abdicar de seu título se a Assembleia Geral não proibisse o comércio com os navios negreiros.

Mais tarde, em 1871, foi aprovada a Lei do Ventre Livre, que considerava crianças que nasceram de pais escravos, como pessoas livres e foi assinada pela Princesa Isabel que na época estava ocupando a regência no lugar de seu pai. Por fim, no dia 13 de maio 1888, a herdeira da coroa de Dom Pedro II sancionou a lei Áurea, que pôs um fim definitivo à escravidão no Brasil.

Proclamação da república

Após a Guerra do Paraguai, considerado o maior conflito armado internacional da América do Sul, que teve fim em março de 1870, começaram a surgir mais divergências políticas e assim, surgiu o Partido Republicano. Desde então, o Império, que vivia um período de muita prosperidade, começou a ter uma decadência política.

Muitos são os motivos pela queda do prestígio da monarquia. Um dos principais foi o grande gasto do estado durante o conflito com o Paraguai, o que resultou em um saldo que equivalia a onze vezes a receita anual do governo.

No dia 15 de novembro de novembro de 1889, um grupo de militares liderados pelo Marechal Deodoro da Fonseca ocupou a Praça da Aclamação, atualmente chamada de Praça da República, destituíram o imperador, assumiram o poder do país e proclamaram que o Brasil de ali em diante era uma república presidencialista. O governo provisório tinha o líder do golpe como presidente e o Marechal Floriano Peixoto como vice-presidente.

Proclamação da República do Brasil – Resumo

Exílio

Após ser tirado do poder, Dom Pedro II, que já estava idoso; doente e cansado, não teve nenhum tipo de resistência contra os republicanos, deixou o país e foi para Portugal junto com sua família após dois dias.

Morte de Dom Pedro II

O ex-monarca do Império do Brasil, Dom Pedro II, viria a morrer em 5 de dezembro de 1891, em Paris, em decorrência de uma pneumonia. Durante o resto de sua vida, após ficar viúvo, Pedro de Alcântara viveu principalmente na França, onde participava de conferências, espetáculos de arte e palestras.

Seu corpo foi levado para Lisboa, onde ele foi sepultado ao lado de Teresa Cristina, no convento de São Vicente de Fora. Em 1920, os restos mortais do casal imperial foram trazidos para o Brasil e depositados na catedral do Rio de Janeiro e depois foram transferidos para a Catedral de Petrópolis.