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Classificação dos seres vivos

Saiba mais sobre a classificação dos seres vivos, taxonomia e reinos. Ainda entenda por que o vírus não é considerado um ser vivo na biologia

Chamamos de Taxinomia a ciência responsável por fazer a classificação sistemática em categorias de diferentes áreas. Apesar disso, a palavra é mais conhecida dentro da biologia, onde é responsável por categorizar os seres vivos em grupos afins baseando-se nas semelhanças que possuem.

Desde o início das civilizações a humanidade procura conhecer, estudar e classificar os seres vivos do planeta. Entretanto uma das principais dificuldades sempre foi a quantidade de espécies diferentes que existiam. Só para se ter uma ideia, estima-se que existam em torno de 50 milhões de espécies animais e vegetais no planeta, embora isso seja apenas estimativa, pois alguns cientistas defendem que esse número possa ser o dobro.

Diante disso, os cientistas procuraram dividir os seres em grupos com semelhanças e afinidades, visando facilitar essa tarefa. Um dos primeiros a fazer isso foi Aristóteles, ainda no século IV a.C., o qual ordenava os animais de acordo com sua reprodução e pela cor do seu sangue: se vermelho ou não. Daquela época até os dias de hoje já foram utilizadas diversas formas de classificação para a vida na Terra, como classificar os animais pelo seu habitat, por exemplo, se viviam na terra, na água ou “no ar”.

Classificação dos seres vivos - Aristóteles

Foto: depositphotos

Atualmente a classificação que usamos foi proposta por Carl Nilsson Linnaeus, ou simplesmente Carlos Lineu em português, um médico sueco que também era zoólogo e botânico, considerado atualmente como Pai da Taxinomia Moderna. Inicialmente Lineu propôs a classificação dos seres em Reinos, sendo eles o Reino Animal, o Reino Vegetal e o Reino Mineral, tendo seu primeiro trabalho de categorização extenso em 1758, onde criou a forma hierárquica que conhecemos atualmente.

Como já dissemos antes, a classificação ao longo dos tempos sempre levou em consideração as características que os seres apresentam em comum. Inicialmente essas características eram meramente de aparência, ou seja, a anatomia externa visível aos olhos. Atualmente apenas isso não é suficiente, por isso a partir de Darwin as características evolutivas passaram a ter grande relevância, bem como os ancestrais em comuns dos seres, fósseis de animais extintos e até mesmo a tão recente e moderna genética.

O sistema de classificação dos seres vivos

Atualmente o sistema que utilizamos para classificar os seres vivos obedece uma hierarquia que vai do Reino à Espécie. Dessa forma temos: Espécie – Gênero – Família – Ordem – Classe – Filo – Reino.

Ou seja, Espécies semelhantes são agrupadas em uma categoria que chamamos de Gênero. Logo, gêneros são conjuntos de espécies diferentes entre si, mas com características semelhantes entre elas. É o caso dos lobos e dos cães, que são de espécies diferentes mas pertencem ao mesmo gênero, por exemplo.

A mesma lógica aplica-se às demais divisões: Famílias são grupos de gêneros semelhantes entre si, que juntas formam as Ordens, que por sua vez são agrupadas por suas afinidades e formam as Classes, que juntas formam um Filo, que por fim, são agrupados nos Reinos.

Classificação dos seres vivos - Classificação Taxonômica

Imagem: Google Imagens

Vale lembrar que esta é a classificação mais utilizada pelos autores atualmente, mas alguns ainda utilizam subdivisões entre estas, como subgêneros ou subespécies por exemplo. Há ainda alguns que agrupam os reinos em Super Reinos ou Domínios de acordo com características genéticas ou de organização celular devido a recentes descobertas nessas áreas.

O importante é saber que essa é uma área vasta, com muito para se descobrir e que muitas vezes novas descobertas acarretam em mudanças na classificação dos seres vivos, até mesmo em espécies que já haviam sido classificadas de uma forma, e são mudadas quando se descobre novas evidências de sua evolução ao longo do tempo.

Espécie e nomenclatura

Espécies e cruzamentos

Dizemos que dois indivíduos pertencem à mesma espécie quando possui a capacidade de cruzar entre ele e produzirem descendentes férteis, ou seja, com a mesma capacidade de produzir descendentes. É o caso, por exemplo, do cão e da cadela que possuem a capacidade de gerar filhotes férteis, mas o mesmo não aconteceria entre um lobo e uma cadela.

Ressaltamos ainda que podemos encontrar em algumas espécies uma subdivisão chamada de Raça. Neste caso, a raça do indivíduo não modifica a espécie a qual ele pertence, apenas lhe coloca em uma subcategoria que agrupa os indivíduos com características próprias desse grupo, como é o caso de algumas raças de cães. Um Pastor Alemão que embora seja um cão, é totalmente diferente esteticamente de um Husky Siberiano, mas que ao cruzarem conseguem produzir um indivíduo, que pode manter as características de um dos pais, ou uma mistura dos dois, mas que ainda assim serão férteis.

Algumas espécies conseguem ainda reproduzir com uma espécie diferente, mas seus descendentes não herdam essa capacidade. Um exemplo muito conhecido é o cruzamento de uma égua/cavalo (equinos) com um jumento/jumenta (asininos), que produzem burros/mulas (muares) uma espécie diferente das duas primeiras (genitoras), mas que são estéreis.

Classificação dos seres vivos - Jumento

Foto: depositphotos

Nome científico

Outra coisa a ser dita sobre as espécies é que damos o seu nome obedecendo a certos critérios. Estes por sua vez são estabelecidos por duas entidades, uma para os animais (zoologia) e outra para as plantas (botânica). O nome pode vir das mais variadas fontes, como o nome do cientista que descobriu/descreveu a espécie, do seu habitat ou de uma característica que o indivíduo apresenta, mas independente da inspiração, as regras serão sempre as mesmas, as quis foram propostas também por Carlos Lineu.

Dessa forma, o primeiro nome publicado segundo as regras será adotado como correto e é aceito em todas as línguas. Deverá ser escrito em latim, língua escolhida por ser considerada uma língua morta, isto é, não é usada como idioma de nenhum país, o que lhe causaria modificações ao longo dos anos. E composto por duas palavras, sendo a primeira, o gênero ao qual a espécie pertence e escrito com a letra inicial maiúscula, e o segundo o nome que será dado ao indivíduo, escrito com letra inicial minúscula.

O nome científico sempre será destacado no texto, sendo sublinhado se o texto for manuscrito, ou em itálico, ou sublinhado, ou em negrito se for digitado, sendo, nesse caso, a primeira forma a mais utilizada. Caso trate-se de uma subespécie (raça em alguns casos), são utilizados três nomes.

Vale lembrar que essa é a nomenclatura cientifica, também chamada de binominal (por ser composta de dois nomes), e que não tem nada a ver com a nomenclatura popular, que nada mais é que o nome que os povos dão popularmente às espécies. Por exemplo, as formigas da espécie Atta spp são conhecidas popularmente como saúvas, saúbas ou formigas cortadeiras, dentre outros – dependendo da região do Brasil -, e sua rainha pode receber o nome de tanajura ou içá, assim como os machos podem ser chamados de sibitu, içabitu ou bitu, dentre outros, mas na verdade são todos pertencentes a mesma espécie.

Classificação dos seres vivos - Tanajura

Foto: depositphotos

*Liedson Liderço é graduado em Ciências Biológicas

Referências:

»BIOLOGIA, Só. Classificação dos seres vivos. Disponível em: http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Seresvivos/Ciencias/bioclassifidosseresvivos.php. Acessado em: 12/06/2017.

» BIOLOGIA, Só. Nomenclatura Científica. Disponível em: http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Seresvivos/Ciencias/bioclassifidosseresvivos1.php. Acessado em: 13/06/2017.

» BIOLOGIA, Só. O nome dos seres vivos. Disponível em: http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Seresvivos/Ciencias/classifiseresvivos3.php. Acessado em: 13/06/2017.