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Clonagem animal

Clonagem de DNA significa produzir inúmeras cópias idênticas de um mesmo fragmento da molécula de DNA. Esse processo tem início com o isolamento, pela ação das enzimas de restrição, de fragmentos do DNA a serem clonados. Depois de isolados, esses trechos são introduzidos no DNA de outros organismos, principalmente vírus e bactérias, chamados vetores. Já a clonagem animal em organismos multicelulares, pode acontecer através de três técnicas desenvolvidas.

Técnicas de clonagem

  • Surgimento de gêmeos monozigóticos. Nesse caso recolhem-se sêmen e óvulos de animais selecionados que possuem características de interesse e promovesse a fecundação. Assim que o zigoto se forma e se iniciam as primeiras divisões celulares, as células originadas são separadas artificialmente e implantadas em fêmeas (“mães de aluguel”), onde se completa o desenvolvimento embrionário. Essas células darão origem a indivíduos geneticamente idênticos. Formam-se então, clones de animais de interesse para o ser humano.
  • A partir de células somáticas, como foi o caso da ovelha Dolly: uma célula receptora, o ovócito retirado do ovário de uma ovelha da raça Blackface, teve seu material genético removido com auxílio de uma micropipeta. Uma célula (2n) retirada da glândula mamária de uma ovelha adulta da raça Finn Dorset foi mantida em estado de quiescência, ou seja, em condições que a tornaram pouco ativa. Essa célula foi fundida ao ovócito desprovido de material genético nuclear. O ovócito, agora com o núcleo 2n recebido da célula somática, foi estimulado a iniciar o desenvolvimento embrionário. A seguir, o embrião com poucas células foi introduzido no útero de uma “mãe de aluguel”.

Veja tambémDNA – Cromossomos, genes, genoma e RNA

  • A partir de células embrionárias, como foi o caso do primeiro animal clonado no Brasil: a bezerra Vitória, da raça Simental, que nasceu em 2001, no Campo Experimental Sucupira, da Embrapa. Vitória é fruto da transferência do núcleo de uma célula de embrião de cinco dias, coletado de uma vaca da raça Simenta, para um ovócito enucleado retirado de uma vaca de outra raça. Depois, o embrião em início de desenvolvimento foi implantado em uma “vaca de aluguel”. A gestação e o parto foram bem sucedidos e aos três anos de idade, Vitória recebeu o sêmen de um touro de sua raça e deu à luz no dia 19 de fevereiro de 2004 a seu primeiro filhote: a bezerra Glória.
O primeiro animal clonado no Brasil: a bezerra Vitória, era da raça Simental

A clonagem animal pode acontecer através de três técnicas desenvolvidas (Foto: depositphotos)

Clonagem Humana

A possibilidade de clonagem humana tem levantado intensas discussões éticas. A clonagem humana para fins reprodutivos, que é a clonagem com a finalidade de obtenção de um indivíduo, não é permitida por lei, mas a clonagem terapêutica, que é feita com a finalidade de produção de células-tronco embrionárias para utilização terapêutica, sim.

Vale-se ressaltar que não se clonam indivíduos, mas sim genomas, ou seja, o conjunto de todo o DNA nuclear que determinado organismo possui em suas células.

A clonagem não impede as interações complexas do genótipo com o ambiente na produção do fenótipo. Assim, apesar de genotipicamente idênticos, os clones não terão exatamente os mesmos fenótipos. Outra questão a ser considerada nessas clonagens é o DNA mitocondrial, que pode conter alguns genes associados a doenças, como é o caso da doença humana chamada atrofia óptica de Leber, um tipo de cegueira.

Se a clonagem for feita apenas com a transferência de núcleo 2n para o ovócito desprovido de DNA nuclear, o DNA mitocondrial será o do ovócito e o clone não será completo devido ao material genéticas das mitocôndrias.

Veja também: Genética

Quando ocorre a fusão entre a célula 2n e o ovócito desprovido de DNA nuclear, o DNA mitocondrial é em parte do ovócito e em parte da célula somática e o clone terá mitocôndrias tanto do ovócito quanto da célula que se fundiu a ele. Testes de maternidade podem ser feitos pela análise do DNA mitocondrial, pois as mitocôndrias dos descendentes são herdadas apenas da mãe.

Referências

» Miglino, Maria Angélica. “Clonagem animal e placentação.” Ciência e Cultura 56.3 (2004): 31-33.

» Goncalves, Paulo Bayard Dias, J. R. de FIGUEIREDO, and VJ de F.(Ed.) FREITAS. Biotécnicas aplicadas à reprodução animal. Livraria Varela, 2001.

» Zatz, Mayana. “Clonagem e células-tronco.” Estudos avançados 18.51 (2004): 247-256.

Sobre o autor

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Natália Duque é Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro.