Como é feito o tratamento da Aids?

A Aids não tem cura, por isso é necessário muito cuidado ao lidar com as possíveis formas de transmissão

A Aids, ou HIV como também é conhecido, é uma doença viral que, desde a sua descoberta, em 1981, já matou mais de 35 milhões de pessoas. Apesar de ser uma doença controlada, muita gente ainda tem dúvida quanto à forma de seguir com o tratamento. É importante destacar que, antes de decorrer com qualquer tratamento da Aids, o médico deve ser consultado e, ao se relacionar com um parceiro, usar camisinha ainda é a forma mais segura para se evitar o contágio.

A doença é causada pelo vírus da imunodeficiência humana, que geralmente é transmitido por meio de relação sexual sem uso de preservativo e pela troca de fluidos corporais. A Aids não tem cura, por isso é necessário muito cuidado ao lidar com as possíveis formas de transmissão.

O vírus da Aids também pode ser transmitido durante a gravidez, no parto, em transfusões sanguíneas, em transplantes de órgãos, durante a amamentação e por meio do compartilhamento de agulhas contaminadas.

Como tratar a Aids

O exame de sangue é capaz de detectar a presença do vírus no corpo do paciente

O início do tratamento contra o HIV começa a partir da sua descoberta (Foto: depositphotos)

Apesar do avanço dos tratamentos, a Aids (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, na sigla em inglês), ainda não tem cura. Atualmente, a forma mais segura e usual para impedir o avanço dos sintomas no corpo é por meio de uma combinação de medicamentos. Esses medicamentos são conhecidos como antirretrovirais (ARVs). Eles ajudam a combater o vírus, evitando as transformações corporais temidas em outrora e permitem que os portadores levem suas vidas de forma normal.

“Os novos medicamentos causaram um impacto extremamente positivo na redução da mortalidade e das infecções oportunistas. Como consequência, os pacientes antes estigmatizados por suas mudanças corporais hoje podem gozar boa qualidade de vida”, diz Ricardo Hayden médico infectologista e coordenador do programa DST-AIDS da Secretaria Municipal de Santos.

Quando deve começar o tratamento?

O início do tratamento contra o HIV começa a partir da sua descoberta. Ao menor sinal de que algo não está dentro do comum, o paciente deve prestar atenção ao comportamento que teve nos últimos dias: se teve relação sexual sem utilização do preservativo, se partilhou seringas ou então a partir do aparecimento de alguns sintomas, tais como febre, mal estar, dor de garganta e tosse seca. Passados de 40 a 60 dias do comportamento de risco, o paciente deve fazer um exame de sangue.

Exame para diagnóstico

Esse exame em específico é capaz de detectar a presença do vírus no corpo do paciente. O teste é oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e não leva mais do que alguns minutos. Esse mesmo exame deve ser repetido com três ou seis meses na frente, já que o paciente pode estar infectado, porém o vírus ainda não se manifestou no corpo. Ao ser constatada a existência do vírus da Aids, o paciente vai ser encaminhando para um acompanhamento psicológico seguido da utilização de medicamentos.

Como é feito o tratamento para Aids

O tratamento de soropositivos é feito à base de um coquetel composto por 19 remédios. Juntos esses medicamentos evitam o enfraquecimento do sistema imunológico causado pela atuação do HIV. Geralmente, cada paciente toma ao menos três desses medicamentos. Sua ação diminui o aparecimento de infecções por doenças que se aproveitam da debilidade do sistema imunológico. É importante estar sempre sob supervisão médica, já que os medicamentos podem resultar em efeitos colaterais, principalmente nos primeiros meses. No decorrer, esses efeitos acabam desaparecendo.

O paciente que segue o tratamento também pode apresentar mudanças na distribuição da gordura do corpo, principalmente na área da face, pernas, braços e glúteos. Esse sintoma é conhecido por lipodistrofia.

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Tratamento da Aids é gratuito

Caso o tratamento não seja feito da forma adequada, se for interrompido ou faltar alguns dos medicamentos do coquetel, o vírus pode ficar mais resistente. O tratamento gratuito é assegurado por lei desde 1996, estando disponível em Serviços de Assistência Especializada, que são ambulatórios localizados em postos de saúde, hospitais ou policlínicas.

Segundo o especialista, “esses medicamentos agem no ciclo do vírus, principalmente nas enzimas que permitem sua multiplicação dentro das células hospedeiras. Existem alguns cujo alvo é uma enzima primordial chamada transcriptase, outros que atuam dentro ou fora da célula na enzima protease e um terceiro grupo está sendo desenvolvido para atingir as integrases, enzimas que fazem o material genético do vírus integrar-se no material genético da célula”, explica Hayden.

Apoio social ao paciente de Aids

Existem organizações governamentais e não governamentais que podem ajudar o soropositivo a enfrentar as dificuldades com a doença. Em muitos casos, viver com o preconceito pode ser mais difícil do que viver com o vírus. O apoio emocional faz parte do dia a dia de muitos pacientes. Eles atuam na promoção de atenção, companhia e escuta. Tem também aqueles voluntários que ajudam na parte das consultas, buscar os medicamentos na unidade de saúde, tomar conta dos filhos nos dias de consulta, além de outras.

A troca de experiências entre pessoas também ajuda a conviver com a Aids. Nesse âmbito também entram os familiares, amigos mais próximos e outras pessoas do convívio do paciente. Afinal de contas, eles também sofrem devido a descoberta do paciente e precisam de atenção. O apoio da família e dos amigos é essencial, mas a sociedade como um todo precisa despertar para a solidariedade e a garantia dos direitos da pessoa vivendo com HIV/Aids.

Dados sobre a Aids no Brasil

De acordo com o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, atualmente 827 mil pessoas vivem com HIV e Aids no Brasil. Desse total, 372 mil ainda não estão em tratamento e destas, 260 já sabem que estão infectadas. Além disso, outras 112 mil pessoas vivem com HIV e ainda não sabem. Atualmente a epidemia no Brasil está estabilizada, com taxa de detecção em torno de 19,1 casos a cada 100 mil habitantes, com cerca de 41,1 mil casos novos ao ano.

O levantamento mais recente mostra que a epidemia de Aids tem se concentrado, principalmente, entre populações vulneráveis e nos mais jovens. Destaca-se o aumento em jovens de 15 a 24 anos, sendo que entre 2006 e 2015 a taxa entre aqueles com 15 e 19 anos mais que triplicou, passando de 2,4 para 6,9 casos a cada 100 mil habitantes. Entre os jovens de 20 a 24 anos, a taxa dobrou, passando de 15,9 para 33,1 casos a cada 100 mil habitantes.

Desafios para lidar com a Aids nos próximos anos

Ampliar o acesso ao tratamento antirretroviral e colocar 90% ou mais de todas as pessoas diagnosticadas com HIV em terapia antirretroviral, até 2020, é um dos grandes desafios para o país. Essa meta faz parte de um dos principais compromissos assumidos anteriormente entre os países para a aceleração da resposta ao HIV, as metas 90-90-90, que têm como objetivo testar 90% das pessoas vivendo com HIV e aids, tratar 90% destas e que 90% tenham carga viral indetectável até 2020 em todo o mundo.

“O governo brasileiro tem reunido esforços para transpor as barreiras que dificultam o acesso integral à saúde e alcançar essas metas no tempo previsto. Resultados positivos confirmam que o país está indo na direção certa: o Brasil atingiu o objetivo de carga viral suprimida, pois 90% das pessoas vivendo com HIV em tratamento estão nesta situação, o que coloca o país em situação favorável para o cumprimento das diversas metas estabelecidas para 2020.”, explica a diretora do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Adele Benzaken.

Com a introdução do “tratamento para todos”, a partir de dezembro de 2013, houve uma aceleração significativa no número de pessoas que entraram em terapia antirretroviral. Entre 2013 e 2014, esse número passou de aproximadamente 57 mil para 72 mil, um aumento de cerca de 27%. Em 2015, 81 mil pessoas diagnosticadas iniciaram o tratamento, número 13% maior do que o observado em 2014. Atualmente, a epidemia no Brasil está estabilizada, com cerca de 40 mil casos novos e 12,4 mil óbitos por ano.