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Como a luz do vaga-lume é produzida

Como insetos bioluminescentes, os vaga-lumes conseguem produzir luz própria através de reações químicas

Na natureza, alguns animais são capazes de produzir luz própria. Entre eles, o mais conhecido é o vaga-lume. Esse pequeno inseto é responsável por um dos cenários mais impressionantes da natureza, quando acende a extremidade do seu tórax à noite.

Contudo, esse fenômeno encantador ainda é uma incógnita para muitas pessoas e objeto de estudo para muitos pesquisadores, que tentam desvendar ainda mais como a luz dos vaga-lumes é produzida.

O vaga-lume (ou pirilampo, ou ainda “bondinho”) é um inseto do tipo besouro. Ele pertence à família Coleoptera, e é conhecido por sua capacidade de emitir luz. Seu nome difere entre as suas espécies e estima-se que haja mais de 2.000 tipos de vaga-lumes.

Tanto em sua forma de larva quanto durante a vida adulta, o vaga-lume tem a capacidade de “acender”, mas com objetivos diferentes entre uma fase e outra.

O nome científico do vaga-lume é Lampyris

O vaga-lume é um inseto luminescente (Foto: depositphotos)

Infelizmente, com a devastação das florestas e matas brasileiras, o país tem perdido muito da diversidade em espécies de vaga-lumes. Mesmo assim, o Brasil ainda é conhecido por ser um dos países com maior diversidade de insetos luminescentes.

Como a luz do vaga-lume é produzida?

O nome desse fenômeno é bioluminescência. É uma reação química que alguns seres vivos realizam capaz de gerar energia. Essa energia é posteriormente convertida em luz através do processo de quimioluminescência.

Para que essa luz apareça nos vaga-lumes é primordial a reação entre algumas substâncias químicas peculiares: o pigmento luciferina e a enzima luciferase. Juntas ao oxigênio respirado, o resultado desse arranjo gera luciferin, o composto que produz luz.

A cor da luz também é consequência de como o animal se utiliza da luciferina. Por exemplo, a luz do vaga-lume possui o tom amarelado devido a sua potência de luminosidade. Outros animais bioluminescentes podem gerar menos luz e outras “versões” da luciferina, produzindo luz de outras cores.

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É importante lembrar que a energia e luz geradas por seres bioluminescentes não geram calor. A luz desses animais é conhecida como “luz fria”, aquela que gera menos de 20% de radiação ou capacidade térmica.

Apesar de ser o animal bioluminescente mais conhecido, é importante ressaltar que o vaga-lume não é o único ser capaz de produzir luz. Existem vários animais, de diversas espécies, que também têm essa capacidade.

Em especial, é mais fácil encontrar animais com essa característica no oceano. Alguns animais marinhos, como peixes e plânctons, devido a escuridão do seu habitat, desenvolveram a capacidade de produzir luz própria.

Entretanto é muito importante não confundir bioluminescência com fluorescência. No caso dos seres bioluminescentes, a luz é literalmente produzida, uma fonte própria de luminosidade.

Já a fluorescência é uma características que alguns seres vivos possuem, mas atua como reserva ou reflexo de uma luminosidade captada. Nessa situação, a luz não é produzida, mas refletida de uma fonte luminosa estimulante.

Para quê serve a luz do vaga-lume?

Em algumas espécies de vaga-lumes, apenas os machos voam

O período de reprodução dos vaga-lumes é conhecido como “dança dos vaga-lumes” (Foto: depositphotos)

Apesar de bonita, a luz do vaga-lume não está ali somente pela sua beleza. Como toda propriedade na natureza, a luz do pequeno inseto possui funções para a sua defesa, sobrevivência e reprodução.

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Defesa

Enquanto larva, o vaga-lume já possui a capacidade de “acender”. Ele usa essa característica unicamente para afastar predadores. Sua luz pode ser assumida como toxina por animais que possam tentar devorá-lo, garantido que ele chegue à fase adulta.

Reprodução

Após o período larval, quando o inseto assume o seu total potencial de luminosidade, ele a usa para a reprodução.

O período de reprodução dos vaga-lumes é conhecido como “dança dos vagalumes”, e é um episódio considerado um dos mais bonitos da natureza. Ele ocorre quando os machos e fêmeas de várias espécies se reúnem para selecionar companheiros para o acasalamento.

Um exemplo desse fato ocorre na América do Norte. De acordo com o portal São Francisco, os vaga-lumes que mais acendem na região norte do continente americano são os machos. Eles acendem e piscam em padrões de flashes que indicam de qual espécie são. Em seguida são respondidas em um padrão mais lento pelas fêmeas, formando assim os casais.

Esse método faz com que as espécies de vaga-lumes se reconheçam entre si. Assim, o cruzamento entre espécies diferentes é evitado. Quando esse engano acontece, a reprodução pode não acontecer ou gerar espécies inférteis.

Outro detalhe importante nesse processo é saber que nem todo vaga-lume voa. Algumas espécies não possuem asas e, em outras, só um sexo possui. No caso do Brasil, o vaga-lume mais comum é o Lampyris Noctiluca, uma espécie em que só os machos voam.

Os vaga-lumes acendem de dia?

Essa espécie de besouro é conhecida por ser noturna, mas também existem tipos de vaga-lumes diurnos. Nesse caso, a sua luminosidade é enfraquecida, diminuindo assim seus efeitos na reprodução.

Essas espécies de besouros utilizam de outras estratégias para se defenderem e se reproduzirem, semelhantes aos métodos usados por besouros comuns.

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Outras curiosidades sobre os vaga-lumes

O habitat dos vaga-lumes geralmente são lugares onde há clima úmido. Pântanos, florestas e áreas molhadas e arborizadas são os principais. Nesses locais, a reprodução da espécie fica mais fácil, pois são espaços onde há mais alimento para as larvas do besouro, como fungos, lesmas e caracóis.

O principal predador dos vaga-lumes é o sapo.

Os vaga-lumes podem ser encontrados em todos os continentes do planeta, exceto na Antártida. Ásia e América do Sul são as regiões onde há mais predominância de insetos bioluminescentes, como os vaga-lumes.

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24 anos, é jornalista e produtor de conteúdo especializado. Atua com produção jornalística há 4 anos. Vencedor do prêmio de empreendedorismo digital “Academic Winner 2017”, promovido pela DeVry University na Califórnia, Estados Unidos. Tem no currículo trabalhos em emissoras de televisão, jornal impresso, revistas e internet. É pernambucano e tem como hobbies escrever, jogar videogames, cinema e estudos sociais.