Conheça o distúrbio que faz com que crianças escutem, mas não entendam

Por conta do esforço para entender o que ouve, a criança acaba se desligando do mundo. Por isso, a fala e a leitura delas são prejudicadas

A Desordem do Processamento Auditivo Central, a DPAC, é um problema auditivo que afeta a capacidade de compreensão dos sons. Na prática, a criança não tem problemas para ouvir, entretanto ela não consegue interpretar o que escuta. Isso pode gerar falta de concentração, hiperatividade, desinteresse, isolamento social e baixo rendimento escolar.

A fonoaudióloga Marcela Vidal, da Telex Soluções Auditivas, afirma: “a criança ou adolescente com DPAC não consegue discriminar os sons quanto a sua localização e amplitude e não reconhece ou não compreende o significado de cada ruído presente no ambiente. Com isso, o mundo se transforma em uma incômoda confusão de barulhos desconexos e embaralhados”.

Por conta do esforço para entender o que ouve, a pessoa com esse distúrbio acaba se desligando do mundo. Por isso, a fala e a leitura delas são prejudicadas. “Em condições normais, localizar o som é entender a sua origem, direção e distância; é perceber o que é o badalar do sino da igreja, a buzina de um carro. Logo, ter uma boa audição e ouvir bem nem sempre é o suficiente para compreender os sons e como esses sons são processados no cérebro”, esclarece Marcela Vidal.

Conheça o distúrbio que faz com que crianças escutem, mas não entendam

Foto: depositphotos

Diagnóstico da DPAC

Geralmente, o distúrbio é identificado já na fase de alfabetização e pode ser corrigido. “É de extrema importância que o diagnóstico seja efetuado o quanto antes para que as dificuldades no aprendizado sejam superadas mais facilmente. O cérebro humano tem, principalmente durante a infância, uma grande flexibilidade”.

Tratamento e causa

A especialista informa que o tratamento envolve atendimento fonoaudiológico e pedagógico. Já as causas para o desenvolvimento da DPAC podem ser doenças neurodegenerativas, rubéola, sífilis e toxoplasmose. As gestantes com problemas de alcoolismo e dependência química também podem gerar bebês com essa deficiência.

A fono explica que a idade mínima adequada para identificar clinicamente o distúrbio é aos sete anos de idade. Quando identificado o problema, os pais e a escola devem trabalhar em conjunto para contornar a situação.

Para isso é bem frequente o uso do Sistema de Frequência Modulada que é composto de uma espécie de transmissor, que fica a cargo dos pais ou professores, e de um receptor, que fica nos ouvidos da criança. Esse sistema permite uma comunicação direta entre eles e melhora significantemente a comunicação entre os dois lados.

A fonoaudióloga Marcela Vidal afirma ainda que ambientes barulhentos prejudicam ainda mais o problema e que, em sala de aula, as crianças devem se sentar o mais próximo possível do professor. Outra maneira de ajudar na comunicação é falar de forma mais pausada e clara com as crianças com DPAC.