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Cubismo

No Brasil, as influências do Cubismo podem ser percebidas sobretudo na obra de Tarsila do Amaral

O movimento artístico denominado Cubismo surgiu no século XX nas artes plásticas, expandindo-se aos poucos para a literatura e poesia. É considerado uma revolução estética e técnica tão importante para a Arte Ocidental quanto o Renascimento.

Seus principais fundadores foram Pablo Picasso e Georges Braque, e os responsáveis pela expansão para a literatura foram escritores como John dos Passos e Vladimir Maiakovski. Iniciou-se dentro de um círculo bastante restrito, ao qual juntou-se um grupo de amigos intelectuais escritores de vanguarda.

A imagem, que antes era retratada de forma fiel à natureza e era tão apreciada desde o Renascimento, deu lugar a uma nova forma de expressão artística que representava a paisagem de uma forma completamente peculiar.

Considera-se que o marco inicial do cubismo é o quadro Les demoiselles d’Avignon, de Picasso, datado de 1907. Na obra, é possível visualizar as referências às máscaras africanas, fonte de inspiração para a primeira fase do Cubismo. Assim como influências das obras de Paul Cézanne, rompendo com os conceitos tradicionais de harmonia, beleza, proporção e perspectiva.

É importante ressaltar que, historicamente, o cubismo originou-se na obra de Cézanne. Isso porque, para o artista, a pintura deveria tratar as formas da natureza como se fossem formas geométricas.

Características do Cubismo

O cubismo recusa a ideia de arte como imitação da natureza, apresentando cubos, volumes e planos geométricos entrecortados que reconstroem formas que se apresentam em vários ângulos no mesmo plano.

Museu na Rússia

Pablo Picasso é um dos grandes nomes da estética cubista (Foto: depositphotos)

Sem nenhum compromisso com a aparência real das coisas, o movimento artístico em questão visava promover a decomposição, a fragmentação e a geometrização das formas. Na literatura, a linguagem era usada para retratar as palavras de forma simultânea, buscando formar uma imagem.

No ano de 1908, formou-se em Montmartre, nos arredores de Paris, o grupo do “Bateau-Lavoir”, que compreendia nomes como Pablo Picasso, Max Jacob, Juan Gris, Guillaume Apollinaire, André Salmon, Maurice Raynal, Gertrude Stein, Leo Stein, entre outros.

Durante o desenvolvimento do Cubismo é possível distinguir três fases, a saber: a fase cézanniana (1907-1909), uma fase analítica (1910-1912) e uma fase sintética (1913-1914).

Fase cézanniana (1907 – 1909)

O cubismo cézanniano, também conhecido por cubismo pré-analítico, foi a fase que deu início ao movimento cubista. Como o próprio nome já indica, a denominação é uma clara referência ao pintor francês Paul Cézanne, o precursor do movimento cubista.

Devido à mudança estética e no ideal de representação da arte, os estudiosos consideram que Cézanne fez um movimento de revolução da arte pictoresca – Revolução cézanniana -, e este é motivo pelo qual esta fase leva o seu nome.

Portanto, esse é um momento fortemente marcado pela sua obra, especialmente no que se refere ao caráter analítico e planos de cor, características que influenciaram a análise de paisagens e objetos.

Fase analítica (1910-1912)

No denominado cubismo analítico é possível observar uma preocupação com as pesquisas estruturais, por meio da decomposição dos objetos e do estilhaçamento dos planos.

Nesta fase, as cores eram usadas de forma mais moderada, com uma forte tendência ao monocromatismo, e as formas eram predominantemente geométricas e desestruturadas pelo desmembramento de suas partes.

Com isso, surgia a necessidade de não apenas observar a obra, mas decifrar, entender o seu significado real. Trata-se de um período caracterizado pelo simultaneismo, de análise extrema e experimentação sistemática, reunindo em uma única tela diversos aspectos do mesmo objeto.

Fase sintética (a partir de 1912)

Neste período, os artistas usavam cores mais fortes, e as formas eram usadas para formar figuras reconhecíveis. Eram usadas colagens com letras, além recortes de jornais, pedaços de madeira, cartas de baralho, dentre outros.

Ainda neste período formam-se três grupos diferentes de cubistas: o Orfismo, formado por Robert Delaunay, que exaltava o papel dinâmico da cor; o núcleo do grupo original, que se designavam como “Les Artistes de Passy”; e um grupo denominado “Section d’Or”, com sede nos ateliers de três irmãos, Jacques Villon, Marcel Duchamp e Raymond Duchamp-Villon.

Considera-se que, durante o cubismo sintético, o movimento deixa de ser uma técnica empírica para se tornar formal e conceitual. Entre os anos de 1911 a 1912, o Cubismo tornou-se internacionalmente conhecido, influenciando vários movimentos, dentre os quais destacam-se o Futurismo, Cubo-Futurismo e Construtivismo.

Artistas

Os artistas que tiveram maior destaque no Cubismo eram da Europa. Entre eles, estão Pablo Picasso, Braque, Albert Gleizes, Fernand Léger, Francis Picabia, Marcel Duchamp, Robert Delaunay, Roger de La Fresnaye e Juan Gris.

Outros pintores como Sonia Delaunay-Terk e Jean Metzinger também se associaram ao movimento.

Na escultura, as características cubistas marcaram as obras de Alexander Archipenko, Pablo Gargallo, Raymond Duchamp-Villon, Jacques Lipchitz, Constantin Brancusi, entre outros.

O Cubismo no Brasil

O Cubismo ganhou espaço no Brasil somente depois da Semana de Arte Moderna de 1922. No entanto, não existem no país artistas que apresentaram obras com características exclusivas do Cubismo.

Os artistas brasileiros receberam fortes influências, mas apenas mostrando características mescladas do Cubismo com outras expressões artísticas em suas obras. Entre os artistas mais conhecidos que fizeram essa mescla em seus trabalhos, podemos citar Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Vicente do Rego Monteiro, Antonio Gomide, Candido Portinari e Di Cavalcanti.

As influências do Cubismo podem ser percebidas sobretudo na obra de Tarsila do Amaral, com suas tendências construtivas, especialmente na fase pau-brasil.

Cubismo literário

As características do cubismo também encontraram abertura nas letras, especialmente na poesia. O poeta Guillaume Apollinaire não apenas escreveu diversos ensaios sobre quadros e exposições de pinturas, como também incorporou o método às suas próprias produções.

Em 1913, o escritor francês publicou um livro intitulado “Alcools”, em que demonstra o sistema cubista.

Assim como nas artes plásticas, o cubismo literário é baseado na criação de uma nova realidade, com o emprego da fragmentação e livre associação de termos, dentre outras características.

Referências

Enciclopédia Itau Cultural. “Cubismo“. Disponível em: enciclopedia.itaucultural.org.br/termo3781/cubismo.Acesso em 25 de junho de 2018.

Universidade de São Paulo.”Construtivismo-Cubismo“.Disponível em: mac.usp.br/mac/templates/projetos/seculoxx/modulo1/construtivismo/cubismo/index.html. Acesso em 25 de junho de 2018.

Sobre o autor

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Formada em Letras (Licenciatura em Língua Portuguesa e suas Literaturas) pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), com certificado DELE (Diploma de Español como Lengua Extranjera), outorgado pelo Instituto Cervantes. Produz conteúdo web, abrangendo diversos temas, e realiza trabalhos de tradução e versão em Português-Espanhol.