Degradação do solo

Os solos são constituídos a partir de partículas minerais, matéria orgânica, água e ar

De modo geral, o solo é reconhecido como o chão em que as pessoas estabelecem suas mais diversas atividades, ou em palavras mais simples, o “chão” que estas pessoas pisam. No entanto, o solo é um elemento essencial das dinâmicas ambientais e sociais, pois é substrato para as mais diversidades atividades humanas, desde as mais simples até aquelas que envolvem conceitos econômicos.

Existe um ramo específico da ciência que estuda o solo, a qual se chama Pedologia, e que é normalmente incluída no âmbito da Geografia Física, e que tem como interesse a identificação, conhecimentos sobre a formação, a classificação e o mapeamento dos solos.

O que é o solo?

O solo é a base para o desenvolvimento de todas as atividades humanas, portanto, um elemento essencial no âmbito da paisagem, assim como o relevo, a hidrografia, a estrutura geológica, a vegetação e o clima.

Os solos são formados a partir da decomposição das rochas

Os solos são constituídos a partir de partículas minerais, matéria orgânica, água e ar (Foto: Pixabay)

Os solos são formados a partir da decomposição das rochas, sejam elas magmáticas, metamórficas ou sedimentares, pelo processo de intemperismo destas (físico, químico ou biológico). Assim, entende-se que os solos são formados a partir de processos contínuos de desagregação e decomposição das rochas na natureza.

Vários fatores ocasionam o intemperismo das rochas, como o calor do Sol e a ação das águas, mas também o resfriamento da água nas fissuras das rochas, as pressões internas das rochas, microrganismos, dentre outros.

Constituição dos solos

Os solos são constituídos a partir de variados fatores atrelados, como as partículas minerais, com composição e tamanhos diferenciados, com base na rocha matriz; matéria orgânica, constituída pelos animais e vegetais decompostos, o qual é denominado de húmus; água, sendo que esta fica contida nos poros que o solo contém e ainda o ar, o qual está disposto no solo nos locais onde não há água.

Veja também: Tipos de relevo do Brasil

Formação dos solos

Existem alguns fatores que estão atrelados ao processo de formação dos solos, como o material de origem (cada tipo de rocha produz um solo diferente), o clima (temperatura e umidade), relevo (desigual distribuição de água da chuva, luz solar e calor), organismos (decomposição de elementos vivos) e tempo (período de exposição).

Assim, os solos são elementos complexos e que possuem uma relação íntima com o próprio processo de evolução do homem, a partir das atividades desenvolvidas por este.

Horizontes do solo

Os solos não são homogêneos, tendo variadas classificações em conformidade com suas características físicas e químicas. Os solos também possuem camadas heterogêneas, por conta de fatores como tipo de rocha original, presença de material orgânico e ainda elementos físicos do meio.

As camadas que compõem o solo, denominadas de horizontes do solo, são aquilo que constitui o perfil do solo. Os solos podem ter todas ou apenas algumas camadas, as quais ficam visíveis quando feitos cortes verticais nestes.

Comumente os horizontes do solo são: Horizonte Orgânico (O), Horizonte mineral com acúmulo de húmus (A), Horizonte claro de máxima remoção de argila e/ou óxidos de ferro (E), Horizonte de máxima expressão de cor e agregação ou de concentração de materiais removidos A e E (B), Material inconsolidados de rocha alterada, em processo de intemperismo (C) e Rocha não alterada (R).

(Imagem: Reprodução/DCTEB

Erosão dos solos

Sendo tão importantes para as atividades humanas, os solos também sofrem intensamente com a intervenção antrópica nestes. Como erosão entende-se um conjunto de ações que modelam a paisagem, ou seja, das formas do relevo.

São, portanto, efeitos que atuam negativamente na forma como os solos estão dispostos a partir da perda da coesão destes. São, basicamente, três etapas que compõem o processo de erosão dos solos, sendo eles a desagregação das partículas do solo, o transporte das partículas dos solos e deposição destas partículas nas áreas menos elevadas do terreno.

Estas partículas são, após depositadas nas áreas baixas, compactadas e formam rochas sedimentares no decorrer do tempo.

Lixiviação

Alguns processos de degradação dos solos são a lixiviação, o qual é um processo de lavagem dos solos pelas águas da chuva, as quais carregam os nutrientes existentes nestes solos, reduzindo a fertilidade destes. Normalmente os minerais solúveis são carregados, como cálcio, nitrogênio, potássio, etc.

Veja também: Minerais e rochas

Ficam nos solos lixiviados alguns elementos minerais, como alumínio, ferro e ainda manganês, os quais causam uma crosta ferruginosa neste, impedindo o desenvolvimento adequado de algumas plantas. Os solos lixiviados são muito ruins para o desenvolvimento da agricultura.

As chuvas carregam os nutrientes existentes nos solos

Lixiviação é o processo de lavagem dos solos pelas águas da chuva (Foto: Reprodução/Wikimedia Commons)

Voçoroca

Outro importante impacto nos solos é a formação das chamadas voçorocas, as quais são sulcos no terreno ocasionados pela ação das chuvas ao longo do tempo. As voçorocas se formam em locais nos quais os impactos das águas são constantes e não controlados, ocasionando sulcos que podem atingir vários metros de largura e profundidade, podendo chegar a centenas de metros de comprimento.

São, portanto, danos nos solos perceptíveis ao olhar dos observadores, mesmo os mais leigos. A primeira e melhor alternativa para controle da força de voçorocas é o desvio das águas, ou a criação de barreiras que limitem a intensidade com que as águas atingem um dado local.

As voçorocas são sulcos que sulcos que podem atingir vários metros de largura e profundidade

Sulcos no terreno ocasionados pela ação das chuvas (Foto: Reprodução/Wikimedia Commons)

Deslizamentos de encostas

Outro problema comum aos solos são os deslizamentos de encostas, os quais produzem efeitos não apenas ambientais, mas também sociais quando atingem locais com ocupação humana. Muitas pessoas que moram em áreas marginalizadas acabam residindo em encostas, sofrendo com os riscos dos deslizamentos em épocas de chuvas intensas.

Os deslizamentos do solo são também chamados de escorregamentos e são fenômenos naturais, mas que podem ser intensificados pelo uso inadequado dos solos. Os deslizamentos são comuns nos períodos das chuvas, o que ocorre no Brasil nos verões.

Quando ocorrem nas margens de estradas, os deslizamentos podem levar além do solo, também fragmentos de rochas, e podendo ocasionar problemas nas vias, inclusive com registro de acidentes. Os deslizamentos são tratados como eventos naturais, mas nem sempre os são, sendo que podem ser intensificados pelas atividades dos homens, principalmente pelo desmatamento, já que a cobertura vegetal diminui os riscos de deslizamentos, por conta da sustentação do solo.

Os deslizamentos são intensificados pelas atividades dos homens, principalmente pelo desmatamento

Os deslizamentos são comuns nos períodos das chuvas intensas (Foto: Pixabay)

Referências

» MOREIRA, João Carlos; SENE, Eustáquio de. Geografia. São Paulo: Scipione, 2011.

» VESENTINI, José William. Geografia: o mundo em transição. São Paulo: Ática, 2011.

» TAVARES, João Paulo Nardin. Erosão e Voçorocas. Disponível em: <http://www.ceap.br/material/MAT12092011170730.pdf>. Acesso em 07 ago. 2017.

Sobre o autor

Graduada em Geografia pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Especialista em Neuropedagogia pela Faculdade Alfa de Umuarama (FAU) e Mestre em Geografia (Unioeste)