Deriva continental

Aliado à teoria das placas tectônicas, a teoria da deriva continental afirma a existência de um único continente anterior à formação atual: a pangeia

Antes de existirem os continentes terrestres como são conhecidos hoje, existia uma única massa continental denominada de Pangeia. Essa conclusão foi possível através de vários estudos, como a observação dos contornos das costas continentais, bem como pesquisas paleontológicas, com evidências fósseis que coincidiam nos continentes, mesmo estes estando separados por oceanos. 

Como surge a teoria da Deriva Continental?

As discussões sobre os continentes se tornaram mais evidentes com a confecção dos primeiros mapas-múndi, no século XVI, quando estes foram elaborados já com certa precisão, e puderam ser observados os contornos dos continentes, especialmente na costa Leste da América do Sul e na costa Oeste da África. Apesar disso, as discussões não foram tão aclamadas pelos pesquisadores naquele contexto, sendo que apenas em 1912 a questão dos deslocamentos continentais foi apresentada dentro de um contexto científico.

Na ocasião, um meteorologista alemão chamado de Alfred Lothar Wegener propôs uma teoria denominada de Deriva Continental, afirmando que há cerca de 200 milhões de anos teria havido um único continente chamado de Pangeia, que significa “toda a terra”. Segundo essa teoria, em algum momento da evolução, aquele grande continente teria começado a se fragmentar. Após essa teoria, outras tantas surgiram, sendo uma delas proposta por Alexander Du Toit, para o qual a Pangeia teria primeiro sido dividida em dois grandes blocos continentais: a Laurásia no Hemisfério Norte e a Gondwana no Hemisfério Sul.

Deriva continental - Pangeia

Foto: depositphotos

Na defesa de sua teoria, Wegener não se utilizou apenas das evidências sobre os contornos dos continentes, mas também observou as semelhanças entre as rochas encontradas nos continentes, bem como os fósseis de flora e fauna que eram idênticos apesar de os continentes estarem separados por oceanos. Apesar disso, e de alguns seguidores de Wegener tentarem comprovar suas teorias, na ocasião as ideias do pesquisador não foram tão bem aceitas. Apenas na década de 1960, quando Wegener já era falecido, a questão da Deriva Continental voltou a ser discutida na acadêmica científica.

Confirmação da teoria

Uma maior aceitação da teoria de Wegener ocorre quando um pesquisador chamado de Harry Hess desenvolve uma nova teoria, a qual analisava um fenômeno denominado de Tectônica de Placas, segundo a qual não existe uma crosta terrestre única, contínua ao longo de toda Terra.

As teorias Deriva Continental e da Tectônica de Placas foram finalmente comprovadas quando durante atividade de exploração de petróleo em alto-mar, ainda na década de 1960, perceberam a expansão do assoalho oceânico, o que comprovava que realmente havia um distanciamento entre partes da crosta, ou seja, existiam mesmo as placas tectônicas. Além disso, quanto mais distantes as rochas encontradas nas duas partes abertas no assoalho oceânico, mais antigas elas eram, mostrando que este processo vinha ocorrendo durante milhões de anos.

Placas Tectônicas

O planeta Terra é dividido em três grandes partes, sendo elas a crosta terrestre, o manto e o núcleo (interno e externo). A crosta terrestre é também conhecida como Litosfera, a qual é formada a partir de vários pedaços rochosos denominados de crosta terrestre. Essas placas estão em permanente movimento por sobre o manto, se distanciando e entrando em contato em movimentos específicos.

Deriva continental

Foto: depositphotos

Esse movimento das placas tectônicas é o responsável pela formação do relevo terrestre. As placas tectônicas possuem vários quilômetros quadrados de extensão, e uma espessura média da crosta e do manto superior de cerca de 100 quilômetros. Sobre as placas estão dispostos os oceanos e os continentes.

As partes da Litosfera se movem lentamente sobre o manto, cerca de centímetros por ano, o que significa que os continentes estão continuamente se movendo. O movimento das placas faz com que estas se afastem uma das outras, surgindo uma abertura entre elas. Nestas lacunas que surgem, o magma interno da Terra tem condições extravasar. Quando o magma se solidifica, há a formação de uma nova porção da crosta terrestre, com uma estrutura rochosa. Quando as placas colidem entre si, ocorrem fenômenos como a formação de cadeias montanhosas, bem como a erupção de vulcões, e ainda eventos como terremotos e maremotos.

Quais são as placas tectônicas que formam a Terra?

No contexto atual, entende-se que a crosta terrestre é constituída por cerca de seis grandes placas tectônicas. É difícil ter certeza sobre a quantidade de placas existentes porque o assoalho oceânico ainda é pouco desvendado, então novas descobertas podem surgir com o avanço das pesquisas na área. Além destas seis grandes placas, existem outras tantas de menor extensão. As placas tectônicas mais importantes são a Placa Norte-americana, a Placa de Nazca, a Placa Africana, a Placa Euroasiática, a Placa Indo-australiana e a Placa Sul-americana. Mas são importantes ainda a Placa do Pacífico, a Placa Antártica, a Placa das Filipinas, a Placa da Arábia, a Placa do Irã e a Placa do Caribe.

Quais são os movimentos das placas tectônicas?

Deriva continental - Fossa Oceanica

Foto: depositphotos

As placas tectônicas podem ter limites convergentes ou divergentes. Quando as placas possuem limites convergentes, a placa oceânica, por ser mais densa (silício e magnésio) mergulha sob a placa continental (silício e alumínio). Esse fenômeno é o responsável pela formação de elementos naturais como as fossas marinhas. A placa oceânica, por se mover em direção ao manto, acaba se fundindo novamente. Já a placa continental, acaba sofrendo um soerguimento, sobrando-se ou enrugando. Foram assim que ocorreram os fenômenos orogenéticos na Era Mesozoica, e que deram origem aos dobramentos modernos (montanhas). Um exemplo disso é a Cordilheira dos Andes, formada a partir dos movimentos convergentes entre as placas Sul-americana e de Nazca.

Já nos movimentos convergentes, a placa mais densa penetra sob a placa menos densa. Neste caso, as placas não se movem em direção ao manto, mas dobram-se no contato que ocorre entre elas, originando grandes cadeias montanhosas (ex: Himalaia). Nas zonas de convergência entre as placas tectônicas, há um afloramento do magma, formando as dorsais oceânicas.

Além disso, nestas áreas há a formação de estruturas vulcânicas, as quais também são importantes elementos de constituição do relevo terrestre. Portanto, o movimento das placas tectônicas está constantemente recriando as formas conhecidas do relevo, moldando o aspecto da superfície terrestre a partir de uma dinâmica permanente.

*Luana Caroline Kunast é mestre em Geografia.

Referências

» MOREIRA, João Carlos; SENE, Eustáquio de. Geografia. São Paulo: Scipione, 2011.

» GARCIA, Helio; MORAES, Paulo Roberto. Integralis Geografia. São Paulo: IBEP, 2015.

Sobre o autor

Prof. Luana Künast
Graduada em Geografia (UNIOESTE), Especialista em Neuropedagogia (FAU) e Mestre em Geografia (UNIOESTE)