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Descobrimentos portugueses

Durante o período conhecido como expansão marítima (séc. XV e XVI), Portugal tornou-se o pioneiro nas navegações. As navegações pelo oceano Atlântico motivaram outras nações a também buscar um caminho alternativo para se chegar às Índias.

Com o objetivo de expandir a fé católica e atender aos interesses mercantilistas, Portugal contornou o continente africano em busca de novas descobertas.

Razões do pioneirismo português

Durante o período da Idade Média, a península Ibérica vivia um conflito conhecido como Guerra de Reconquista (cristãos peninsulares contra árabes muçulmanos). O nobre Henrique de Borgonha, a serviço dos reinos de cristãos, recebeu um feudo e uma princesa como recompensa após vitórias obtidas nesse conflito. O feudo chamou-se Condado Portucalense.

Portugal foi o primeiro país a se lançar nas grandes navegações

A estabilidade política impulsionou Portugal a visar a expansão marítima (Foto: Pixabay)

Após a morte de Henrique de Borgonha, seu filho, Afonso Henriques, herdou o feudo e proclamou, em 1139, sua independência em relação aos reinos de Leão e Castela, surgindo assim, Portugal.

No século XIV surgiu uma revolução em Portugal, denominada Revolução de Avis (1383), que possibilitou a ascensão de D. João, mestre da ordem de Avis ao trono português. Essa revolução foi responsável pela implantação da monarquia absoluta em Portugal.

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Toda essa trajetória de Portugal proporcionou condições para se tornasse o primeiro país a se lançar nas grandes navegações do século XV e XVI. Entre as principais razões do pioneirismo português, podemos elencar:

1) Portugal é banhado pelo oceano Atlântico, o que favoreceu o acesso para navegar pelo conhecido “mar tenebroso”.

2) A estabilidade política interna e externa, pois não havia conflitos políticos de grandes proporções em torno do trono real e também não estava envolvido em guerras.

3) A burguesia mercantil objetivava ampliar seus lucros e apostou nas navegações como forma de obter especiarias e/ou metais preciosos.

4) A monarquia absoluta portuguesa apoiou e financiou as navegações com o intuito de encontrar metais preciosos e levar a fé cristã para outros povos.

Durante séculos a “Escola de Sagres” foi entendida como um fator do pioneirismo português. No entanto, os recentes estudos historiográficos apontam que ela não passou de um mito.

A rota portuguesa

O historiador Bóris Fausto (2003, p. 28) comenta que:

Costuma-se considerar a conquista de Ceuta, no norte da África, em 1415, como o ponto de partida da expansão ultramarina portuguesa. Esse episódio, porém, é pouco típico do que viria depois. Os historiadores portugueses têm versões diferentes sobre ele. Para alguns, a conquista tinha por objetivos principais abrir caminho na busca do ouro do Sudão e controlar incursões piratas dos árabes nas costas de Portugal. Para outros, foi uma grande expedição da nobreza, promovida pelo rei, em busca de saque e aventura.

À medida que Portugal buscava chegar as Índias contornando o périplo africano, realizava também entrepostos comerciais no litoral africano.

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Em 1488, Bartolomeu Dias, a serviço de Portugal, enfrentou uma forte tempestade ao sul do continente africano. Após a tempestade, notou que havia contornado o continente africano, batizando-o de Cabo das Tormentas. O nome foi substituído posteriormente por Cabo da Boa Esperança e representou uma expectativa de chegar às Índias por meio desse trajeto.

No ano de 1498, Vasco da Gama conseguiu o intento de chegar à Calicute, concretizando o objetivo de Portugal em comercializar as especiarias. Estima-se que o lucro proporcionado com essa navegação tenha sido de 60 vezes o valor investido na navegação.

A invasão do Brasil

Em 1500, dia 09 de março, Pedro Álvares Cabral saiu de Portugal liderando treze caravelas, com o objetivo de comercializar com as Índias. A historiografia tradicional defendia a tese de que Cabral teria feito um contorno muito aberto e chegado ao acaso em Porto Seguro, “descobrindo” o Brasil (22 de abril de 1500).

Entretanto, os mais recentes estudos consideram que a parada dos portugueses no Brasil foi proposital, tendo em vista que oito anos antes Cristóvão Colombo já havia chegado ao continente americano e Portugal sabia que havia terras a oeste do oceano Atlântico.

A invasão de Cabral no Brasil teria por objetivo tomar posse do que coubera à Portugal pela divisão no Tratado de Tordesilhas (1494).

Conforme afirmam Del Priore e Venancio (2010, p. 17):

Tendo em vista a pressa de se retornar a Calicute, é de se estranhar que a frota de Cabral pudesse perder tempo “explorando” zonas desconhecidas e já chanceladas, há seis anos, pelo Tratado de Tordesilhas. Tomar posse das terras demarcadas devia fazer parte dos planos da expedição.

Contudo, as “descobertas” portuguesas impulsionaram a colonização de novas terras e possibilitaram o aumento do número de católicos pela imposição da fé cristã, em um momento que a Igreja Católica preocupava-se com a perda de fiéis na Europa em decorrência da Reforma Religiosa.

Referências

» BORIS, F. História do Brasil. 11 ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2003.

» Del Priore, M.; VENANCIO, R. Uma breve história do Brasil. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2010.

Sobre o autor

Prof. Adelino Francklin
Graduado em História (UNIFEG), Especialista em História e Cultura Afro-Brasileira (FINOM) e Mestrando em Educação (CUML)