Desertificação: o que é, causas e consequências

A desertificação é um fenômeno no qual há uma perda progressiva de fertilidade dos solos por conta da degradação de sua composição e também de sua estrutura.

O processo de desertificação é um problema socioambiental que afeta vários lugares do mundo.

Existem várias causas para a desertificação, sendo algumas delas naturais e outras antropogênicas, ou seja, ocasionadas pelas atividades humanas. Algumas áreas que sofrem desertificação não possuem mais condições de serem recuperadas, por conta dos impactos sofridos.

Área desertificada

A desertificação torna os solos pobres em nutrientes, logo, bastante improdutivos (Foto: Freepik)

A desertificação está relacionada com o despovoamento das áreas onde ocorre, já que estas se tornam improdutivas. Esse fenômeno acontece em áreas áridas, semiáridas e subúmidas secas, e não deve ser confundido com o fenômeno da arenização.

Compreenda um pouco mais sobre a desertificação e saiba onde estão as áreas mais suscetíveis no Brasil!

O que é desertificação?

Solo improdutivo

A desertificação ocorre em locais de clima seco, tornando os solos improdutivos e repelindo atividades humanas (Foto: Freepik)

A desertificação é um processo de degradação socioambiental que ocorre em áreas de clima seco. O que determina um ambiente desértico é a falta de umidade, assim, ambientes com características climáticas áridas, semiáridas ou subúmidas estão mais suscetíveis a ocorrência deste fenômeno.

Na desertificação há um processo de empobrecimento dos solos. A desertificação acontece em solos com características arenosas, os quais já apresentam baixa umidade. Com a desertificação, estes solos ficam ainda mais expostos e degradados, tornam-se progressivamente menos férteis.

Como a desertificação afeta os solos, as atividades humanas em áreas que sofrem com este fenômeno ficam comprometidas por conta da baixa capacidade produtiva. É comum que ocorra, por conta disso, um despovoamento de áreas que sofrem com a desertificação.

Causas

Há várias causas para a desertificação, as quais podem ser naturais e também antropogênicas. Algumas causas para o fenômeno da desertificação são:

  • Uso dos recursos florestais das áreas suscetíveis sem um adequado manejo, sobretudo para produção agrícola, formação de pastagens e abastecimento da matriz enérgica da biomassa florestal;
  • Pecuária extensiva sem manejo adequado para a atividade, promovendo a massiva retirada de cobertura vegetal dos solos e ocasionando também seu pisoteio pelos animais (sobrepastoreio);
  • Projetos de irrigação sem o devido estudo ambiental, os quais acabam por degradar ainda mais os solos, especialmente com a salinização;
  • Mineração e seus impactos nas áreas em que a atividade ocorre;
  • Remoção da cobertura vegetal dos solos para atividades diversas, o que promove a remoção de nutrientes pela água das chuvas;
  • Introdução de espécies não adaptadas às condições locais, seja de fauna ou flora;
  • Ocorrência de derrubada de florestas ou queimadas na região e que afetam os solos, seja para agropecuária ou outras atividades humanas.

As interferências humanas são especialmente importantes no processo de desertificação, uma vez que tornam ainda mais fragilizados solos que já ocupam uma região de clima seco e que os condiciona a serem menos férteis.

Consequências da desertificação

Solo seco

O solo improdutivo faz com que as pessoas migrem para as cidades ou outras áreas mais produtivas (Foto: Freepik)

A desertificação produz consequências ambientais e também para os seres humanos, por isso costuma-se afirmar que os danos são socioambientais. Algumas consequências que o processo de desertificação ocasiona são:

Impactos sociais:

  • Abandono da terra e até despovoamento de áreas mais afetadas, e isso ocorre porque as pessoas não conseguem mais produzir na terra degradada, migrando para outras áreas;
  • A saída das pessoas de áreas desertificadas produz consequências para as cidades, sobretudo o desemprego e a ocupação de áreas marginalizadas no espaço urbano;
  • Diminuição da produtividade e no poder de compra das pessoas;
  • Oscilação dos preços dos produtos, já que pode haver um desequilíbrio na produção;
  • Aumento das pressões sobre os recursos naturais para obter maior aproveitamento destes, causando ainda mais impactos.
  • Aumento das desigualdades sociais.

Impactos ambientais:

  • Perda de biodiversidade regional, tanto de fauna, quanto de flora;
  • Maior erosão dos solos, ocasionando problemas como a lixiviação, que é a “lavagem” da camada mais superficial do solo pela água das chuvas, a qual ocorre em solos sem cobertura vegetal;
  • Assoreamento dos rios, por conta do acúmulo de sedimentos levados pelas águas das chuvas, fazendo com que o leito dos rios se eleve ou tenha obstruções.

Muitas vezes, os seres humanos usam demasiadamente os recursos naturais sem que haja um adequado manejo destes.

Quando o solo está esgotado de nutrientes, infértil, estas pessoas ou empresas migram, buscando novas áreas onde possam extrair recursos naturais. Deixam para trás a degradação que promoveram, inclusive com áreas que podem nunca se recuperar.                                            

Áreas mais afetadas

Mapa

As áreas em vermelho e laranja do mapa são as mais suscetíveis à desertificação (Foto: Reprodução | Wikimedia Commons)

A desertificação ocorre em locais de clima seco – árido, semiárido ou subúmido seco. Portanto, é um fenômeno que ocorre naturalmente, mas que pode ser intensificado pela ação humana, em áreas com baixos índices pluviométricos. As chuvas são escassas ou até nulas nas regiões onde a desertificação acontece.

Estima-se que cerca de 40% da superfície terrestre esteja em condição de suscetibilidade para ocorrência de desertificação. Isso abrange tanto áreas rurais, quanto urbanas, e afeta bilhões de pessoas.

Partes da África, da Ásia e de países da América Latina são especialmente vulneráveis, tanto pelas condições climáticas, quanto pelo tipo de atividade desenvolvido nos solos e as técnicas de manejo ainda precárias. Países da Europa também são vulneráveis a desertificação, sobretudo Portugal, que é o mais afetado pelo fenômeno.

A porção Oeste da América do Sul, a região Nordeste do Brasil, bem como porções do Norte e do Sul do continente africano, o Oriente Médio, parte da Ásia Central e o Noroeste da China, a Austrália e ainda o Sudoeste dos Estados Unidos são as partes do globo em que mais se verifica a ocorrência da desertificação.                                                 

Desertificação no Brasil

Mapa Nordeste

No mapa as áreas suscetíveis à desertificação estão em laranja. Em roxo estão os núcleos de ocorrência do processo (Imagem: Reprodução | revistaespacios)

No Brasil, os estados afetados pela desertificação são enquadrados em um conceito chamado de Áreas Susceptíveis à Desertificação (ASD). O Brasil não apresenta áreas classificadas como áridas, mas apenas o semiárido e locais de clima subúmido seco. Estas áreas são vulneráveis e estão susceptíveis a desertificação.

Todos os estados do Nordeste são passíveis de desertificação, sendo eles: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.

A região de Minas Gerais compreendida dentro do Polígono das Secas também é considerada de risco para desertificação, o que corresponde ao Norte do estado, cerca de 1/3 das terras. O estado do Espírito Santo também é afetado pela desertificação, onde cerca de 24 municípios enfrentam a seca e progressiva desertificação dos solos.

O Ministério do Meio Ambiente do Brasil fornece dados que mostram a dimensão do problema no país, quando estão comprometidos pela desertificação cerca de:

  • 340.863 km² de terras (16% do território brasileiro);
  • 488 municípios (27% do total);
  • 663.671 habitantes (17% da população brasileira);
  • 85% dos cidadãos considerados pobres do país.

Como evitar a desertificação

A desertificação é um processo que pode ocorrer naturalmente, mas geralmente é intensificada pela ação humana. Algumas formas de manejo podem ser adotadas em três circunstâncias:

  • Para prevenção ou redução da degradação de terras;
  • Para reabilitação de terras já parcialmente degradadas;
  • Para recuperação de terras degradadas.

São três instâncias de atuação possíveis e que estão relacionadas com a desertificação. No entanto, são as ações humanas conscientes que evitarão que o processo de desertificação aconteça. Para isso, algumas medidas podem ser eficazes, como:

  • Recuperação da Mata Ciliar (aquela que fica ao entorno dos cursos d’água);
  • Reflorestamento;
  • Produção sustentável (como os sistemas agroflorestais);
  • Barragens sucessivas para evitar o assoreamento dos rios;
  • Poços rasos;
  • Isolamento de áreas já desertificadas ou em agravamento;
  • Manutenção da cobertura vegetal dos solos;
  • Cuidados com a pecuária, sobretudo para evitar o pisoteio dos solos pelos animais;
  • Correção dos nutrientes dos solos, respeitando sua capacidade produtiva;
  • Deixar que os solos suscetíveis se recuperem naturalmente.

Curiosidade

Cartaz

O Dia Mundial do Combate à Desertificação acontece no dia 17 de junho (Imagem: Reprodução | United Nations)

A Organização das Nações Unidas criou o Dia Mundial de Combate à Desertificação, que é dia 17 de junho.

Essa data serve para reforçar a importância dos cuidados para se evitar a desertificação, sobretudo criando técnicas de manejo adequadas para que as terras não se tornem improdutivas.

Diferença entre desertificação e arenização

Desertificação e arenização são processos diferentes.

Desertificação: presume a existência de um clima seco, que pode ser árido, semiárido ou subúmido seco. Já a arenização é um fenômeno que ocorre em locais de clima úmido, mas também em solos arenosos.

Arenização: é formação de bancos de areia em locais com expressiva umidade, ocasionada sobretudo pela retirada da cobertura vegetal dos solos. A arenização ocorre em áreas do Sul do Brasil, sobretudo no Rio Grande do Sul.

Resumo do Conteúdo
Nesse texto você aprendeu que:

  • Desertificação é um problema socioambiental, pois afeta a natureza e também a sociedade.
  • O processo de desertificação pode ser intensificado pelas atividades humanas.
  • A desertificação ocorre apenas em locais de clima seco, seja ele árido, semiárido ou subúmido seco.
  • Estão entre as causas da desertificação a retirada da cobertura vegetal dos solos, o desflorestamento, as queimadas e uso dos solos para monoculturas e pecuária extensiva.
  • As consequências da desertificação afetam a sociedade, causando despovoamento, migração e escassez de recursos de subsistência.
  • Há consequências ambientais da desertificação, que são, principalmente, os desequilíbrios nos ecossistemas e perda de biodiversidade.
  • Há pontos de desertificação em todo o mundo, afetando a qualidade de vida da população e colocando em risco a sobrevivência de bilhões de pessoas.

Exercícios resolvidos

1- O que é a desertificação?
R: Fenômeno onde há uma perda progressiva de fertilidade dos solos por conta da degradação de sua composição e estrutura.
2- Onde ocorre a desertificação?
R: Em locais de clima seco – árido, semiárido ou subúmido seco.
3- A desertificação atinge que áreas do Brasil?
R: A região Nordeste, parte de Minas Gerais e do Espírito Santo.
4- Em que dia se comemora o Dia Mundial de Combate à Desertificação?
R: 17 de junho.
5- O que difere a desertificação da arenização?
R: As condições climáticas.
Referências

» BRASIL. Governo Federal. Ministério do Meio Ambiente. Desertificação. Disponível em: https://www.mma.gov.br/estruturas/259/_arquivos/faq_desertificacao_259.pdf. Acesso em: 16 de junho de 2020.

» BRASIL. Governo Federal. Ministério do Meio Ambiente. Atlas das áreas susceptíveis à desertificação do Brasil. Brasília: MMA, 2007. Disponível em: https://www.mma.gov.br/estruturas/sedr_desertif/_arquivos/129_08122008042625.pdf. Acesso em: 16 de junho de 2020.

» GUERRA, Antonio José Teixeira; JORGE, Maria do Carmo Oliveira. Degradação dos solos no Brasil. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2014.

Sobre o autor

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Mestre em Geografia e Graduada em Geografia pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Especialista em Neuropedagogia pela Faculdade Alfa de Umuarama (FAU) e em Educação Profissional e Tecnológica (São Braz).