El Niño

Fenômeno que acontece há mais de 500 anos, o El Niño afeta todo o globo terrestre. Confira como ele é formado e quais são as consequências

O fenômeno denominado de El Niño-Oscilação Sul (ENOS) representa a ocorrência de mudanças anormais na temperatura da superfície do Oceano Pacífico Equatorial. Essa mudança de temperatura pode ser um aquecimento (El Niño) ou um resfriamento anormal (La Niña). Esse fenômeno altera as condições atmosféricas de algumas partes do globo, influenciando, principalmente, nos regimes de chuvas.  

O que é o El Niño?

A interação entre a superfície dos oceanos e a baixa atmosfera adjacente a estes é um elemento que se relaciona com o clima em geral, sendo que há um característico processo de troca de energia e umidade entre estes. Quando há alguma influência neste processo, ocasiona-se uma modificação em relação ao clima regional, o que pode atingir também o clima global. O El Niño é um fenômeno no qual há uma ruptura na interação entre o oceano e a atmosfera, o qual ocorre na região do Oceano Pacífico Equatorial (Tropical).

O El Niño é um fenômeno natural que decorre do aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico em sua região equatorial, especialmente no litoral do Peru. Sua principal característica é a alteração dos ventos alísios, os quais são ventos originados a partir do deslocamento das massas de ar frias desde as zonas de alta pressão, ou seja, os trópicos, para áreas de baixa pressão, como o Equador.

El Nino

Foto: depositphotos

Em condições comuns, os ventos alísios empurram as águas quentes da superfície do Oceano Pacífico em direção à Austrália, sendo que na costa do Peru, as águas ficam frias por conta da Corrente de Humboldt, as quais sobem à superfície, deixando as águas com baixas temperaturas, próprias à pesca.

Por conta de efeitos ainda não totalmente conhecidos, em momentos específicos, os ventos alísios tem uma diminuição em relação à sua velocidade sobre o Oceano Pacífico Equatorial, não empurrando as águas do Pacífico em direção à Austrália, mas concentrando-as na região do litoral do Peru. Esse fato foi notado por pescadores em um momento próximo ao Natal, por conta da alteração também da pesca naquela região, uma vez que a quantidade de peixes disponíveis é maior quando as águas do oceano estão mais frias. Essa diminuição da quantidade de peixes chamou a atenção dos pescadores do litoral peruano, os quais nomearam esse fenômeno de El Niño.

Estima-se, segundo pesquisas, que o fenômeno do El Niño ocorra em média de 12 até 18 meses, com um intervalo de 2 até 7 anos, não havendo muita rigidez quanto a isso. As consequências originadas ocorrem com diferente intensidade nas várias partes do mundo afetadas, bem como nos momentos em que ocorrem, podendo ser mais fortes em um ano, e mais fracos em outros. O tipo de atividade mais prejudicada é certamente a agricultura, por conta das mudanças nos regimes de chuvas, sendo que tanto o excesso dos índices pluviométricos, quanto a escassez destes, acaba ocasionando danos nas plantações. 

Características do El Niño

Dentre as características ocasionadas pelo El Niño estão o aumento do regime de chuvas na região Sul da América do Sul, sendo que concomitantemente podem ser ocasionadas secas severas nas regiões Norte e Nordeste do Brasil.

Há um aumento dos fluxos de calor e vapor de água da superfície do Oceano Pacífico para a atmosfera na região equatorial, o que altera mudanças na circulação da atmosfera, alterando os índices pluviométricos em uma escala regional, mas que pode ser ampliada para escala global. Assim, várias partes do mundo sofrem interferências em suas condições climáticas por conta desse aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Tropical.

Regime de chuvas

O aquecimento das águas do Pacífico faz com que haja uma maior evaporação naquela região, o que altera o regime das chuvas em escalas variadas, pela alteração do sistema global de circulação de ar. Assim, chove muito em algumas regiões, enquanto em outras há uma seca muita intensa.

El Niño - Seca

Foto: depositphotos

Os principais locais do globo que são afetados pelas alterações ocasionadas pelo El Niño são o Brasil, o Peru, o Chile, os Estados Unidos, a Austrália, a Índia, as Filipinas e a Indonésia. O El Niño não possui um momento específico para ocorrer, mas sim acontece em períodos irregulares, e no caso brasileiro ele se manifesta de várias maneiras, por conta das dimensões continentais do território brasileiro.

De modo geral, as principais consequências do fenômeno El Niño no Brasil são: a redução das chuvas em algumas áreas da Floresta Amazônica, o aumento relativo do índice de chuvas na região Centro-Oeste, a ocorrência de fortes secas e estiagens na região Sudeste e em algumas áreas da região Norte, a redução dos efeitos do inverno na região Sudeste, bem como a elevação severa nos índices de pluviosidade e também nas temperaturas da região Sul. Estas condições podem ser alteradas em conformidade com a intensidade pela qual ocorre o fenômeno. 

Diferenças entre El Niño e La Niña

Ambos os eventos se originam no Oceano Pacífico e são os responsáveis por diversas modificações nos aspectos climáticos de várias partes do mundo. Tanto o El Niño, quando a La Niña, alteram os regimes das chuvas nos locais afetados por sua influência, bem como as temperaturas por conta das modificações ocasionadas na temperatura das águas do Oceano.

Além disso, os dois fenômenos são também responsáveis pelas modificações nos ventos. Ambos são fenômenos opostos, e o primeiro a ser percebido foi o El Niño, quando pescadores peruanos perceberam um aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico. Como esse fato ocorreu próximo ao Natal, o nomearam de El Niño, em uma referência ao menino Jesus. Já a La Niña (a menina) recebe esse nome por ser um fenômeno com características contrárias ao El Niño, ocasionando o resfriamento anormal das águas do Oceano.

Referências

» BRASIL. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Condições de neutralidade no Pacífico Equatorial. Disponível em: <http://enos.cptec.inpe.br/>. Acesso em: 19 de junho de 2017.

» BRASIL. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. El Niño. Disponível em: < http://enos.cptec.inpe.br/saiba/Oque_el-nino.shtml>. Acesso em: 19 de junho de 2017.

» BRASIL. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. O que é El Niño e La Niña? Disponível em: <http://www.inpe.br/acessoainformacao/node/399>. Acesso em: 20 de junho de 2017.

» EL NIÑO e La Niña. Universidade Federal de Pelotas – UFPEL. Disponível em: <http://wp.ufpel.edu.br/agrometeorologia/informacoes/fenomeno-enos-2/>. Acesso em: 19 de junho de 2017.

» RIZZI, Rodrigo; LOPES Pabrício; MALDONADO, Francisco. Influência dos Fenômenos “El Niño” e “La Niña” no rendimento da cultura da Soja no RS. São José dos Campos: INPE, 2011. Disponível em: < http://www.dpi.inpe.br/cursos/ser301/trabalhos/el_nino_soja.pdf>. Acesso em: 20 de junho de 2017.

Sobre o autor

Graduada em Geografia pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Especialista em Neuropedagogia pela Faculdade Alfa de Umuarama (FAU) e Mestre em Geografia (Unioeste)