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Enem: 2ª prova teve questões sobre dengue; redação focou no racismo

Temas sobre o meio ambiente e sustentabilidade também apareceram na segunda aplicação do Exame

A segunda aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2016 terminou, neste domingo (4), sem registro de ocorrências na logística de aplicação. Apenas oito eliminações foram registradas em decorrência de descumprimento de regras gerais do edital.

O primeiro dia da segunda aplicação do Exame neste ano trouxe questões que abordaram duas canções populares, Aquarela do Brasil, de Ary Barroso, e Cidadão, de Zé Ramalho, além do problema da dengue. A prova incluiu ainda questões sobre meio ambiente e questão racial.

No caso da dengue, a questão cita uma pesquisa apresentada no Congresso Internacional de Medicina Tropical, no Rio de Janeiro, em 2012, que propõe o uso de uma bactéria no próprio mosquito transmissor, o que impediria que a doença fosse transmitida para seres humanos. Os candidatos tinham que dizer qual conceito da biologia está envolvido no processo.

A famosa Aquarela do Brasil é citada em questão sobre o Estado Novo, sistema político implantado por Getúlio Vargas, que vigorou de 1937 a1945, período em que a canção foi composta (1939). Já a canção Cidadão, que fala de um homem que observa um edifício que ajudou a construir e é confundido com um ladrão, é usada em questão sobre trabalho, logo acima de um trecho de Manuscritos Econômico-Filosóficos, do sociólogo Karl Marx.

Questões raciais são abordadas em algumas das questões da prova. Uma delas é sobre leis que tratam da valorização da comunidade afro-brasileira e outra, sobre a função do movimento negro no Brasil. A terceira é sobre as convicções religiosas dos escravos na época do Brasil Colônia, período que abrange a chegada dos primeiros portugueses, em 1500, até 1822, ano da independência do país .

Meio ambiente e sustentabilidade aparecem em questão sobre notícia de que a Justiça de São Paulo decidiu multar supermercados que não fornecerem embalagens de papel ou material biodegradável.

No último sábado (3), os estudantes tiveram quatro horas e 30 minutos para responder a 90 questões das áreas de ciências humanas e suas tecnologias e de ciências da natureza e suas tecnologias. As provas foram aplicadas em 165 municípios e 418 locais de prova. Não há exame apenas em quatro estados: Roraima, Acre, Amazonas e Amapá.

Enem: segunda prova teve questões sobre dengue; redação focou no racismo

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil/arquivo

Estudantes

As opiniões dos estudantes sobre o primeiro dia de prova variaram: alguns acharam o exame fácil e outros, muito difícil. “Achei a prova normal, estava no nível do que é esperado no Enem. Algumas questões mais difíceis, mas na proporção esperada”, disse Augusto Oliveira, aluno do 3º ano, que pretende usar o resultado do exame para cursar direito.

Para Aimê do Carmo, estudante do 3º ano, que pretende usar a provar para entrar no curso de comunicação social, a prova estava fácil. “Eu estava com medo, alguns colegas que fizeram a primeira aplicação disseram que havia questões impossíveis, mas achei bem tranquilo”, afirmou. Tanto Aimê quanto Augusto fizeram o exame em uma universidade particular em Brasília.

Nas redes sociais, os estudantes postaram comentários após a prova. “Únicas coisas que caíram nessa prova do Enem foram as minhas lágrimas”, disse uma usuária do Twitter. Outro afirmou: “Cheguei do Enem cansado de tanto chutar”.

Houve quem decidiu entregar para o Divino: “esse Enem foi só D de Deus. Amém”. Houve quem estava tão tranquilo que tirou até um cochilo. “Dormi na prova do Enem hoje”, revelaram usuários também do Twitter. Outra candidata, confiante, questionou: “só eu que achei super de boa o Enem?”.

Redação

O tema da redação da segunda aplicação do Enem 2016 é: “Caminhos para combater o racismo no Brasil”. A informação foi divulgada pelo Twitter do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira (Inep).

São 277.624 candidatos inscritos para a segunda aplicação do Enem. A maior parte desses alunos teve as provas adiadas por causa das ocupações em escolas e universidades públicas do país no mês de novembro.

As provas são diferentes daquelas aplicadas dias 5 e 6 de novembro, mas mantêm o mesmo nível de dificuldade, o que, de acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), garantirá a isonomia entre os candidatos.

Segunda aplicação

O Enem foi aplicado no início de novembro para 5,8 milhões de candidatos, mas 277.624 tiveram o exame adiado, o que custou aos cofres públicos um adicional de R$ 10,5 milhões.

A abstenção foi de 39,7% no primeiro dia e de 41,4% no segundo dia de provas. “Esses números foram altos em decorrência das situações específicas que o Inep precisou atender a fim de garantir que nenhum aluno se sentisse prejudicado ao longo da aplicação do Enem 2016”, explicou Maria Inês Fini.

Se consideradas as duas aplicações, o Enem 2016 teve a participação de 6.005.607 dos 8.627.195 inscritos. Com isso, a abstenção final ficou em 30,4%.

No total, 273.524 inscritos tiveram o direito de participar das provas neste final de semana em decorrência das ocupações em locais de prova durante a primeira aplicação, em 5 e 6 de novembro. Houve ainda 4.133 casos de estudantes convocados para participar das provas por causa de contingências ocorridas naquelas datas, como interrupção do fornecimento de energia elétrica.

As provas foram diferentes daquelas aplicadas no início do mês de novembro, nos dias 5 e 6, mas mantêm nível de dificuldade similar, o que, de acordo com o Inep, garante a isonomia entre os candidatos.

A presidente do Inep, Maria Inês Fini, ressaltou que além do atendimento aos estudantes afetados pela ocupações em locais de prova durante a primeira aplicação, nos dias 5 e 6 de novembro, todas as situações de contingências foram analisadas com o deferimento e do atendimento aos casos devidamente justificados. “Fizemos todo o possível para e garantir a isonomia no Exame”, afirmou.

Segurança

Segundo a Polícia Federal , não houve prisões durante a segunda aplicação do Enem 2016. Havia suspeitos sendo monitorados, mas nenhum desses compareceu às provas. Nesta edição do Enem, foram incluídos dois novos procedimentos de segurança: a coleta de dado biométrico e o uso de detector de metais em todos os participantes, na entrada e na saída dos banheiros, que até então era amostral.

Gabarito

Nesta quarta-feira (7), o Inep divulga o gabarito oficial dos dois dias de prova para cada Caderno de Questões, que também estarão disponíveis para download no portal do Inep. O gabarito também será disponibilizado pelo aplicativo Enem 2016. O resultado do Enem, para todos, está previsto para 19 de janeiro de 2017.

*Da Agência Brasil e do Portal Brasil
Com adaptações