Energia hidráulica

Apesar de ser considerada uma energia limpa, as usinas hidrelétricas produzem danos socioambientais

A energia hidráulica é uma das primeiras fontes energéticas utilizadas pelo homem na história da humanidade, diante da abundância dos recursos hídricos em muitas partes do mundo. Para que seja possível obter energia a partir da força das águas, algumas condições são necessárias, e o Brasil tem um território que oferece as condições adequadas para a produção da energia hidráulica.

Por isso, no território brasileiro existem importantes usinas hidrelétricas, algumas das mais relevantes do mundo, e outras tantas em projeto de desenvolvimento ou estudo.

No entanto, a obtenção de energia hidráulica também ocasiona danos, mesmo a água sendo um recurso renovável, especialmente pelos impactos ambientais ocasionados na área de construção das usinas, bem como os danos sociais, pelas expropriações que foram (e são) realizadas onde as usinas são implantadas. Fontes mais interessantes do que o uso da água já estão sendo utilizadas na atualidade para produção energética, como a força dos ventos (eólica), as placas solares, a biomassa, dentre outras.

A força das águas na geração de energia

Embora o uso da água para produção energética seja uma medida comum em várias partes do mundo, para que seja possível a produção energética hidráulica, são necessárias algumas condições em especial, como uma análise sobre a vazão do rio, a quantidade de água disponível num determinado período de tempo, bem como os desníveis do terreno, tanto naturais ou artificiais.

A energia hidráulica se utiliza da força das águas par a geração de energia

Para a construção da hidrelétrica é preciso que haja decline no terreno, natural ou não (Foto: depositphotos)

Quando estas condições estão naturalmente disponíveis no terreno, a possibilidade de geração energética é facilitada, mas em muitos casos são necessários grandes investimentos e obras para adequar a realidade física do local às exigências da produção de energia.

As usinas hidrelétricas, que são os ambientes nos quais ocorrem a geração de energia, são formadas por um conjunto de elementos, os quais são: uma barragem, um sistema de captação e adução de água, uma casa de força e um vertedouro. Estes elementos funcionam em conjunto e de maneira integrada, formando a estrutura de uma usina hidrelétrica.

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Usina a fio d’água

Existe também um outro tipo de usina hidrelétrica, a qual é denominada de “usina a fio d’água”, sendo que estas funcionam em porções mais superficiais, utilizando-se da velocidade das águas do rio para geração energética. No caso destas usinas, existem pontos bastante positivos, mas também algumas limitações cruciais.

A parte positiva corresponde a possibilidade de menores danos ambientais, tendo-se em vista a não formação dos reservatórios de estocagem de água, o que gera menos impactos na região da usina. No entanto, a falta do reservatório faz com que haja uma quantidade limitada de água disponível para produção energética, de modo que nos períodos de maior seca, ou no caso de alto consumo, haveria uma redução na possibilidade energética.

Assim, este tipo de usina pode ser utilizado em locais nos quais não há uma alta demanda por energia hidráulica, ou outros recursos complementares, mas fica bastante limitada em situações que demandam alta produção.

Recursos hídricos no mundo

A água é um recurso natural muito abundante, com um volume que perpassa a casa dos 1,36 bilhão de quilômetros cúbicos, recobrindo extensas áreas do globo (cerca de 2/3). A água está distribuída sobre a superfície terrestre em forma de oceanos, calotas polares, lagos e rios, sendo ainda encontrada nos aquíferos subterrâneos.

Com isso, é natural que as sociedades tenham se interessado em compreender como a água pode auxiliar a estas em suas atividades cotidianas. A água é um recurso natural renovável, ou seja, que não acaba. O que ocorre é uma inviabilidade de seu uso para consumo humano, ou seja, uma redução da água potável, mas de fato não há uma finitude deste recurso.

Além disso, o uso da água na produção energética não ocasiona a liberação de gases tóxicos na atmosfera, o que também é muito bem visto num contexto de preservação ambiental. Há aproveitamento hidráulico em várias partes do mundo, sendo relevante a contribuição da França, da Alemanha, do Japão, da Noruega, dos Estados Unidos e da Suécia. Pela escassez do recurso, o aproveitamento hidráulico é baixo nos países africanos, em alguns países asiáticos e mesmo da América do Sul.

Hidrelétricas expressivas

O Brasil tem um aproveitamento hidráulico que fica entorno dos 30%, pela qualidade dos seus rios, os quais apresentam condições favoráveis para a geração de energia. Um dos destaques no mundo em relação ao uso do potencial hidráulico é a Hidrelétrica ou Barragem das Três Gargantas, a qual foi construída no Yang-tsé, o maior rio da China.

Existem ainda outras bastante importantes, como a Itaipu (Brasil/Paraguai), Guri (Venezuela), Tucuruí I e II (Brasil) e Grand Coulee (EUA), dentre muitas outras. São exemplos ainda, Sayano-Shushenskaya (Rússia), Krasnoyarsk (Rússia), Churchill Falls (Canadá), Usina La Grande 2 (Canadá).

Nota-se que além das condições físicas favoráveis para a possibilidade de construção de uma usina hidrelétrica, a questão esbarra em outros fatores, como os altos custos desse tipo de obra, e ainda as questões ambientais, respeitando-se a legislação dos países e os parâmetros internacionais de atuação.

Energia hidráulica no Brasil

O Brasil possui importantes usinas hidrelétricas em seu território, sendo elas Usina Hidrelétrica de Itaipu, Usina Hidrelétrica de Belo Monte, Usina Hidrelétrica São Luiz do Tapajós, Usina Hidrelétrica de Tucuruí, Usina Hidrelétrica de Santo Antônio, Usina Hidrelétrica de Ilha Solteira, Usina Hidrelétrica de Jirau, Usina Hidrelétrica de Xingó, Usina Hidrelétrica de Paulo Afonso IV e ainda Usina Hidrelétrica Jatobá.

Existem ainda muitas outras que estão em processo de estudos ou implantação, como Usina de Belo Monte, no Rio Xingu; a Usina de São Luiz do Tapajós, no Rio Tapajós; a Usina de Jirau, no Rio Madeira; a Usina de Santo Antônio, no Rio Madeira. Isso mostra o quanto o Brasil tem de vantagens em relação a esse tipo de produção energética, já que por ter um território formado amplamente por planaltos, seus rios são propícios para a construção de usinas e produção de energia a partir da força das águas.

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Apesar de ser considerada como um tipo de energia limpa, as usinas hidrelétricas produzem danos socioambientais, no sentido de que impactam as áreas nas quais são instaladas, devastando as florestas, afetando a biodiversidade local. Além disso, geram danos sociais, pois atingem as populações já estabelecidas no local, ocasionando expropriações e impulsionando o inchaço urbano.

Referências

»BRASIL. Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL. Energia Hidráulica. Disponível em: http://www2.aneel.gov.br/arquivos/pdf/atlas_par2_cap3.pdf. Acesso em 12 dez. 2017.

Sobre o autor

Graduada em Geografia pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Especialista em Neuropedagogia pela Faculdade Alfa de Umuarama (FAU) e Mestre em Geografia (Unioeste)