Energia nuclear no Brasil

Esse tipo de energia é produzido a partir do átomo de urânio, e sua eficácia é conhecida desde a década de 1940

Todas as atividades humanas demandam energia, desde as mais simples e orgânicas, até as atividades industriais e comerciais. Com o processo de industrialização, primeiro nos países desenvolvidos, depois nos países em processo de desenvolvimento, houve um incremento na necessidade de fontes energéticas disponíveis ao homem. No contexto atual, diante das preocupações de cunho ambiental, se intensificam também debates sobre fontes de energia alternativas.

A energia nuclear

A energia nuclear é uma das fontes energéticas utilizadas pela humanidade em suas atividades produtivas. Esse tipo de energia é produzido a partir do átomo de urânio, e sua eficácia já é conhecida desde a década de 1940 no mundo, sendo considerada como uma importante fonte alternativa ao uso de combustíveis fósseis, os quais ainda são os tipos de energia mais comuns.

Apesar das discussões sobre os riscos deste tipo de energia, ela começou a ser considerada como uma fonte de energia limpa em um contexto mais recentes, o que não significa que ela não ocasione danos ao meio, mas que tenha uma baixa emissão de gás carbônico, o qual é o principal elemento do efeito estufa, fenômeno este relacionado ao aquecimento global.

Existem duas formas de acontecer a energia nuclear, através da fissão ou fusão nuclear

A energia nuclear é tida como uma energia limpa, pois não libera gás carbônico (Foto: depositphotos)

Alguns elementos químicos existentes possuem a capacidade de transformar massa em energia, por meio das propriedades de seus átomos. Em alguns elementos, esse processo ocorre naturalmente, no entanto, outros precisam ser estimulados para que esse processo tenha início.

Para que haja o aproveitamento do recurso energético ocasionado por essa transformação, existem dois processos principais, sendo eles: a fissão nuclear (o núcleo do átomo se divide em duas ou mais partículas) e a fusão nuclear (quando dois ou mais núcleos se unem, produzindo um novo elemento). Dentre elas, a técnica mais comum nas usinas nucleares é a fissão (divisão) do átomo de urânio (elemento químico bastante comum, abundante).

Vantagens da energia nuclear

Segundo a Eletrobrás, em seu departamento que cuida das questões da energia nuclear, esse tipo de recurso energético apresenta uma série de vantagens, sendo algumas delas:

  • Abundância do urânio, enquanto elemento essencial na produção da energia nuclear. Assim, não há risco de escassez evidente.
  • Não utilização de combustíveis fósseis, o que significa que não há emissão dos gases poluentes responsáveis pelo efeito estufa, os quais seriam os causadores do aquecimento global.
  • Baixo custo da produção desse tipo de energia, justamente pela abundância do urânio.
  • As usinas não dependem de condições climáticas para seu funcionamento, como ocorre com usinas eólicas e hidrelétricas, por exemplo.
  • As usinas podem ser instaladas próximas aos centros urbanos, pois funcionam com modernos sistemas de segurança, não oferecendo grandes riscos. Há um sistema de controle da emissão de radiação ao entorno das usinas e, caso ocorra um vazamento, é emitido um alerta. 

Usinas de energia nuclear no Brasil

Atualmente existem no Brasil duas usinas nucleares em funcionamento, as quais estão contidas na Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAAA), em Angra dos Reis no Rio de Janeiro. Sendo que neste local estão as duas usinas em atividade no país, que são Angra 1 (em funcionamento desde 1985) e Angra 2 (em atividade desde 2001). Há uma terceira usina que entrará em funcionamento nos próximos anos, e que é uma usina “gêmea” de Angra 2, sendo que as duas contam com o mesmo sistema de funcionamento, que conta com tecnologia alemã.

As duas usinas em atividade no país, são Angra 1 e Angra 2, no Rio de Janeiro

Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAAA), em Angra dos Reis no Rio de Janeiro (Foto: Reprodução/Eletronuclear)

Segundo a Eletrobrás, as duas usinas nucleares brasileiras são de extrema importância em relação aos recursos energéticos do país, já que juntas produzem um terço do consumo de energia elétrica do Rio de Janeiro, por exemplo. Em termos gerais, as usinas nucleares somam 3% do total energético produzido no Brasil, sendo que a maior geradora de energia no país ainda são as usinas hidrelétricas, justamente pelos abundantes recursos hídricos nacionais.

As usinas nucleares são, inclusive, complementos ao uso de energia provinda de usinas hidrelétricas, de modo que funcionam como elementos regulares dos níveis dos reservatórios das hidrelétricas brasileiras. Isso ocorre porque as usinas hidrelétricas dependem de elementos climáticos, no caso, os índices pluviométricos (chuvas) para que os reservatórios se mantenham cheios.

Quando há um uso demasiado de energia no país, como no caso do inverno, quando normalmente chove menos e as pessoas usam mais energia (aquecedores, chuveiros elétricos com água quente, torneiras aquecidas), as usinas nucleares podem funcionar como recursos complementares de geração energética.

Pesquisa sobre energia nuclear no Brasil

O Brasil conta ainda com uma organização hierárquica que se interessa pelas questões acerca da energia nuclear no país, sendo que seus trabalhos são divididos em duas grandes finalidades, sendo elas Pesquisa e Desenvolvimento e Radioproteção e Segurança.

Saiba mais: Radioatividade

Há uma responsabilidade muito grande em relação a forma pela qual a energia nuclear é vista e abordada no Brasil, pois não estão em debate apenas investimentos para o aumento da produção, mas também os riscos que esse tipo de energia pode oferecer à população, especialmente por conta da radioatividade. A imagem abaixo demonstra como estão organizados os envolvidos na questão da energia nuclear no Brasil:

Organização da Área Nuclear no Brasil

(Imagem: Reprodução/CNEN)

Riscos da energia nuclear

Como não poderia deixar de ser, existem riscos envolvidos na produção da energia nuclear, especialmente por conta dos índices de radioatividade registrados. O acidente mais conhecido da história com energia nuclear ocorreu na região da Ucrânia, quando um dos reatores da Usina Nuclear de Chernobyl apresentou problemas no ano de 1986, liberando toneladas de material tóxico na atmosfera, especialmente urânio e grafite, contaminando milhões de pessoas.

No entanto, os acidentes não se esgotaram neste, sendo que em 1979 já havia ocorrido também um desastre na capital da Pensilvânia, na Central Nuclear de Three Mile Island, quando houve um superaquecimento da usina. Felizmente os funcionários detectaram o problema precocemente, e a usina não chegou a explodir.

No Brasil também há o registro de acidente com material radioativo, quando em Goiânia houve uma contaminação com Césio 137, descartado inadequadamente no meio ambiente.

Acidente nuclear de Chernobyl

Curiosidade

Para saber mais sobre o acidente ocorrido em Goiânia, é possível assistir ao filme “Césio 137, O Pesadelo de Goiânia”, disponível gratuitamente no Youtube no link: https://www.youtube.com/watch?v=O2UiBm4nNMg

 

Referências

» AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA (ANEEL). Atlas de Energia Elétrica do Brasil. Parte III – Fontes não-renováveis. Disponível em: <http://www2.aneel.gov.br/arquivos/pdf/atlas_par3_cap8.pdf>. Acesso em 03 ago. 2017.

» BRASIL. Eletrobrás – Eletronuclear. Energia Nuclear. Disponível em: <http://www.eletronuclear.gov.br/Saibamais/Espa%C3%A7odoConhecimento/Pesquisaescolar/EnergiaNuclear.aspx>. Acesso em 03 ago. 2017.

» BRASIL. Eletrobrás – Eletronuclear. Central Nuclear de Angra dos Reis. Disponível em: < http://www.eletronuclear.gov.br/Aempresa/CentralNuclear.aspx>. Acesso em 03 ago. 2017. 

Sobre o autor

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Mestre em Geografia e Graduada em Geografia pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Especialista em Neuropedagogia pela Faculdade Alfa de Umuarama (FAU) e em Educação Profissional e Tecnológica (São Braz).